
Um jovem refugiado da Síria, que atualmente mora em Araras, relatou que viveu dias de muita angústia e tensão após ficar sabendo que sua família poderia estar correndo risco de vida devido ao terremoto que atingiu a Síria e a Turquia, no dia 6 de fevereiro, e já vitimou mais de 28 mil pessoas.
Mohamad Karbouthi é assistente administrativo em Araras e há três anos está no Brasil. Ele conta que ficou muito preocupado com o terremoto de magnitude 7,8 que atingiu diversas regiões da Síria, entre elas a cidade de Alepo, onde mora sua família.
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O jovem relata que foram oito longas horas de angústia até conseguir notícias da família, após ficar sabendo do terremoto no país. A primeira pessoa com quem Karbouthi conseguiu falar foi sua mãe, que o enviou uma mensagem de voz emocionante após ter sobrevivido ao pesadelo longe do filho.
“Quando eu ouvi a voz dela no áudio, eu parei e fiquei chorando, porque eu nunca ouvi a voz dela desse jeito (…) Ela me disse que estava com medo de morrer antes de me ver. É o medo dela ”, afirmou o refugiado.
Os pais, o irmão e a sobrinha de Karbouthi tiveram que deixar o apartamento onde vivem devido ao comprometimento da estrutura do prédio e passaram, ao menos, dois dias morando dentro de um carro.
“Ficar na rua dormindo no carro, não tem banheiro, não tem nada, precisa de comida, estão fora da cidade, para voltar é difícil, para eles saírem de lá precisam ir para outro país, o mais próximo é a Turquia e a situação lá é difícil também”, contou o jovem.
Após os dias mais críticos da catástrofe, a família de Karbouthi deixou o carro improvisado e decidiu retornar ao apartamento, mesmo com o risco de desabamento da estrutura.
A família do jovem estava no apartamento em que vivem, no quinto andar, no momento que o terremoto teve início. O pai de Karbouthi contou pelo telefone que, após a catástrofe, o cenário era de caos e tristeza, uma situação ainda mais triste do que as cenas de guerra vivenciadas pelo povo sírio há anos.
“As pessoas estão nas ruas, os parques ecológicos estão cheios de gente dormindo no chão, sem comida, sem cobertor, está chovendo, está frio e tem neve”, denunciou o jovem.
Mesmo diante de toda a dificuldade e do cenário apocalíptico pós guerras e terremoto, Karbouthi conta que não perderá as esperanças de trazer a família toda para o Brasil, em busca de um futuro sem conflitos e desastres naturais.
“Estamos pensando e nos planejando para que eles venham para o Brasil, mas não é fácil. Fora a situação do conflito que está acontecendo que vai complicar muitas coisas pra nós, mas vamos torcer para boas notícias e para que boas coisas aconteçam”, explicou.
*Com informações da EPTV
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