
A Universidade de São Paulo (USP), através da Faculdade de Saúde Pública (FSP), foi escolhida para coordenar o novo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Combate à Fome. A iniciativa contará com pesquisadores de diversas universidades, entre elas a o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
A proposta foi intitulada Combate à Fome: estratégias e políticas públicas para a realização do direito humano à alimentação adequada – abordagem transdisciplidar de sistemas alimentares com apoio de IA.
Ao todo, a FSP contará com 38 pesquisadores de áreas diversas, além de bolsistas de nível superior de diversas instituições, sendo elas Unicamp, UFSCar, Unifesp, UFSJ, UFRGS, UFF, UFG, UFAC e Facamp UFBA, UFS, e Embrapa, além de universidades estrangeiras e de outras faculdades e institutos da USP.
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Segundo a coordenadora Dirce Maria Lobo Marchioni, professora do Departamento de Nutrição da FSP, a fome é um problema complexo que não é natural nem aceitável, com caráter estrutural e multicausal, natureza política e econômica, e impactos sobre a vida social como um todo.
“A alimentação adequada é um direito humano, e sua garantia está alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Porém, há um aumento global da fome e desnutrição, agravadas pela situação pandêmica”, destaca.
Entendendo a proposta
Na proposta sobre o combate à fome serão desenvolvidos estudos a partir de cinco eixos: Saúde e Nutrição, Políticas Públicas, Cadeia de Valor, Inteligência Artificial e Comunicação. Os objetivos são:
- Conduzir estudos investigando a insegurança alimentar e os desafios e estratégias para atendimento do direito humano à alimentação adequada;
- Identificar os determinantes da produção sustentável de alimentos, a redução dos gargalos ao abastecimento e distribuição de alimentos de qualidade e saudáveis e diminuição das perdas e desperdício de alimentos;
- Investigar os determinantes sociais vinculados aos resultados de políticas públicas de alimentação e nutrição;
- Pesquisar, desenvolver e aplicar ferramentas e técnicas computacionais para coleta, fusão, processamento, armazenamento, análise, extração do conhecimento;
- Disseminação de dados e informações sobre fome e insegurança alimentar em ambientes urbanos.
Como inovação, serão construídas ferramentas de análise e visualização modernas, que apoiem o tomador de decisão usando inteligência artificial. Outra inovação é a constituição da Comunicação como um eixo de investigação para a difusão e a divulgação científica, possibilitando a democratização do conhecimento para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e a diminuição das desigualdades.

Sobre os INCTs
O novo instituto se soma aos 58 INCTs criados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e que trabalham em pesquisas de excelência em áreas estratégicas ou na fronteira do conhecimento, visando a solução dos grandes desafios nacionais.
Serão investidos cerca de R$ 324 milhões nos institutos que incluem temas como segurança alimentar, agricultura de baixo carbono, saúde única (one health), desigualdades e violência de gênero, inteligência artificial, nanofármacos, entre outras.
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