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Epidemiologista explica sobre doses extras de vacinas contra Covid-19

São Carlos começou a aplicar a 4ª dose em pessoas acima de 50 anos e trabalhadores da saúde nesta terça (7), em todas as unidades de saúde

| ACidadeON/São Carlos -

Vacinas contra a covid-19 (Foto: Denny Cesare/Código19)

São Carlos inicia nesta terça-feira (7) a aplicação da quarta dose da vacina contra a Covid-19 em pessoas acima de 50 anos e trabalhadores da saúde. A iniciativa, que segue diretriz do Ministério da Saúde, acompanha outras cidades da região que já aplicam a dose de reforço em novo público.

Na cidade, estão sendo utilizados os imunizantes da Pfizer, Astrazeneca, Janssen e Coronavac, conforme disponibilidade das unidades de saúde, que estão aplicando as vacinas das 9h às 14h, de segunda a sexta-feira.

Enquanto algumas cidades de São Paulo chegam à sua quarta dose, outras já iniciaram a aplicação da quinta dose - a terceira de reforço, também seguindo o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação (PNO). Entre elas estão a capital paulista, Americana, Sumaré e Hortolândia.

A ampliação de tantas doses de reforço, no entanto, gera uma série de questionamentos sobre a proteção oferecida pelos imunizantes. Segundo o médico epidemiologista e professor de Medicina da UFSCar, Bernardino Alves Souto, o que se sabe até o momento é que a imunidade tem efeito protetor temporário em torno de cinco meses, principalmente diante de novas variantes.

O epidemiologista ainda completa que não existem evidências científicas consistentes sobre a efetividade de múltiplas doses da vacina, embora a recomendação faça sentido frente ao curto tempo de duração da imunidade.

"O objetivo de se repetir em doses, a cada quatro ou cinco meses, é tentar acordar o sistema imunológico num momento em que já sabemos que a imunidade começa a perder a imunidade. Ou seja, é uma tentativa de renovar a imunidade protetora que vem caindo ao longo do tempo", explicou.

O ideal, segundo o professor, é que mesmo entre os vacinados os protocolos sanitários continuem sendo seguidos com rigidez, principalmente em relação ao uso de máscaras e distanciamento social, até que seja produzida uma vacina que proteja mais eficientemente contra as novas variantes e por tempo mais prolongado, evitando a necessidade de diversas doses em intervalos muito curtos.

"O problema é que a vacina sozinha, com as pessoas negligenciando o uso de máscaras, e fazendo aglomerações, ela perde muito de seu benefício. Por enquanto, é recomendado tomar todas as doses que forem oferecidas até que tenhamos uma alternativa melhor", finalizou.

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