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Entenda como o Tusca teve início há quase 40 anos em São Carlos

Rivalidade entre as atléticas do CAASO e da UFSCar contava com guerra de ovos, cabeça de animais mortos e invasão de campus

| ACidadeON/São Carlos

Entenda como o Tusca teve início há quase 40 anos em São Carlos
Tem início nesta quinta-feira (11) a 39ª edição da Taça Universitária de São Carlos (TUSCA). O evento, que está a um ano de completar seu quadragésimo aniversário, teve início no ano de 1979 a partir da rivalidade existente entre as atléticas do Centro Acadêmico Armando Sales de Oliveira (CAASO) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que continuam sendo os únicos centros a participar de todas as edições do evento. O Tusca chegou a ser incluído no calendário de eventos oficiais de São Carlos em 2010 pela Lei Municipal Nº 15.246, sendo retirado dois anos depois por conta das polêmicas envolvendo os jogos universitários.  

Rivalidade
Apesar de algumas divergências, é fato que a disputa histórica entre as duas universidades deu origem ao torneio, criado pelos próprios estudantes como uma forma de definir qual era a melhor universidade de São Carlos por meio do esporte. Em 1978, um ano antes da criação oficial do Tusca, durante um jogo entre o CAASO e a UFSCar, a rivalidade chegou ao limite quando um aluno da Federal apagou as luzes do ginásio para que seu time vencesse uma partida.  

No início, a competição ia além das quadras. Antes do início dos jogos, havia até mesmo guerra de ovos e diversas brincadeiras. A invasão da UFSCar também era uma tradição no início dos jogos, mas foi sendo deixada de lado ao longo dos anos.  

Em 1991, foi formado o Grupo de Apoio à Putaria (GAP), organização importante para o movimento estudantil da época e que continua ativa até hoje. Em sua ação inaugural, os membros do GAP resolveram fazer uma pegadinha com os alunos da UFSCar. Em um episódio que ficou conhecido como O Ataque do Porco, os estudantes da USP abandonaram a cabeça de um porco sobre o palco onde, em poucas horas, aconteceria um show no campus da Federal, causando grande transtorno. Tais episódios serviram para acirrar ainda mais a disputa entre as duas atléticas.  

O GAP também é responsável por preparar e distribuir a bebida que virou o símbolo do Corso e de muitas outras festas: o Caju, uma espécie de batida alcoólica. Para misturar o suco concentrado de caju à cachaça, no entanto, não são utilizados os meios comuns, como utensílios domésticos.  

Na maioria das vezes, homens e mulheres são colocados para nadar e mergulhar na bebida até que o líquido esteja uniforme. O preparo não acaba por aí. Para transformar a mistura no que ficou conhecido como Caju são acrescentados os "temperos", que vão de grama e terra a saliva e pedras. Para finalizar, os recipientes frequentemente são trocados pela opção de beber o líquido diretamente do corpo de outros estudantes que mergulharam na bebida. A opção preferida dos consumidores é a de beber o Caju a partir dos dedos do pé de mulheres, principalmente.   



Jogos e Lazer
Os jogos cresceram até se tornarem o maior evento universitário do Brasil. A visibilidade era tanta que, em 2009, a fabricante de cervejas Skol lançou uma lata especial em comemoração aos 30 anos do Tusca, ilustrada com fórmulas matemáticas e o logotipo do evento.  

Ao passar do tempo, o evento esportivo ficou em segundo plano e deu espaço para as festas, com destaque para o tradicional Corso, que até ser modificado, se tratava de uma espécie de Carnaval fora de época pelas ruas da cidade. Em 1992, GAP conseguiu um caminhão emprestado pela Coca-Cola para ser utilizado como trio elétrico durante a caminhada. Na ocasião, o Corso levou três horas para ser concluído, o maior tempo até então.  

Em 2012, após 32 anos, a caminhada foi proibida pelo prefeito Oswaldo Barba após diversas polêmicas envolvendo atropelamentos, denúncias de atentado ao pudor e até mesmo mortes no trajeto. O Corso passou a ser realizado em um local privado e controlado, o que diminuiu consideravelmente os acidentes e problemas envolvendo a caminhada.  

As festas do Tusca se tornaram parte do cotidiano da cidade anualmente há quase 40 anos. No entanto, muitos dos moradores da cidade continuam a se posicionar contra o evento por acreditarem que a aglomeração de estudantes e frequentadores do evento favoreça delitos e problemas pela cidade. Pensando nisso, a organização dos jogos universitários passou a realizar o evento em áreas mais afastadas do Centro da cidade. Com isso, o Tusca passou a ser melhor controlado, evitando as situações criticadas anteriormente.  

39ª Edição
Em 2018, a expectativa é de que o evento movimente R$ 12 milhões na economia da cidade. Ao todo, o Tusca terá 22 modalidades esportivas e conta com a participação de estudantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade de São Paulo (USP), Liga das Engenharias da Unicamp (LEU), Atlética Poli-USP, Esalq USP Piracicaba e Atlética da Engenharia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).  



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