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Economia

Motoristas e entregadores estão na linha de frente em epidemia

Vários trabalhadores se arriscam para pagar as contas do mês e garantir o sustento da casa

| ACidadeON/São Carlos


Foto: arquivo/divulgação/pixabay
 

Motobói há 12 anos, Leonardo Matos atua na área desde que começou a trabalhar. Ele faz entregas para restaurantes, empresas e instituições de caridade em São Carlos. Autônomo, é uma das pessoas que precisa do trabalho diário para levar o sustento à família. Com a ameaça constante provocada pela chegada do coronavírus ao Brasil, a rotina do entregador mudou.  

Agora, antes de entrar em casa, algumas etapas são necessárias. A primeira é deixar a roupa de trabalho na garagem para ser desinfetada, só depois do banho ele encontra e abraça a família.  

"Não tem como evitar contato com as pessoas, tem vários seguimentos que estão trabalhado. Estou evitando contato físico, com distância segura, uso álcool em gel, lavo as mãos, não levo as mãos no roso e quando eu chego em casa, todas as roupas que eu usei na rua não entram em casa, ficam na garagem e eu a já tomo um banho. Depois tenho contato com a minha família", detalhou.   

Medo

Apesar de ter começado logo de manhã o trabalho nesta segunda-feira (23), o motoboy afirma não se deixar dominar medo, já que toma as precauções indicadas. Contudo, percebe diariamente a sensação de pânico nas ruas.  

"O que mais tenho visto é o medo, as pessoas não sabem se a doença já chegou aqui, qual o tamanho dela, qual o tanto de contato que pode ter com familiares, se pode atender portão, se é para parar tudo. Ao comercio foi mandado parar, mas não foi impedido da gente sair nas ruas. Essa incerteza que tem deixado a gente mais preocupado", afirma.  

A esperança de Leonardo é a de que a situação seja controlada o mais breve possível. Ele diz esperar que leve alguns anos para que a economia volte ao normal. Entretanto o importante agora, segundo ele, é preservar a vida.  

"Espero que não afete muita gente e que no final a gente possa ter isso como experiência. As pessoas podem aproveitar esse tempo para ficar em casa com a família, que curta a família. Se tem que trabalhar, faça o máximo no trabalho e não perca as esperanças".   

Categoria afetada 

Foto: arquivo/divulgação/pixabay


Não apenas os motobóis e entregadores foram afetados pela crise, ou mesmo convivem com o problema diariamente nas ruas. Outras categorias, como taxistas e motoristas por aplicativo também estão procurando meios para diminuir o problema.  

O presidente da Associação de Motoristas por Aplicativo de São Carlos (Amasc), Marcelo Santos, também comentou o assunto. Ele disse que tem buscado recursos junto às plataformas que oferecem o serviço, governo e locadoras de veículos.
Para ele, a situação é grave, já que existem dois tipos de motoristas: o que trabalha para complementar a renda e aqueles que tem na atividade a única fonte rendimento. Estes já começaram a contrair dívidas ou se arriscam nas ruas.  

"São pessoas oriundas do desemprego, já vem com uma certa dificuldade. E para trabalhar teve que fazer um financiamento ou um contrato de locação, então já tem dividas fixas altas para pagar. Tem alguns motoristas que estão se arriscando, rodando por aí, tentando fazer um dinheiro para o leite, para o pão, para levar para casa. Do jeito que está, se não morrer para o vírus, morre de fome", ressalta.  

Mesmo assim, o presidente entende que a situação exige cautela e o melhor é não sair de casa até que o controle do vírus seja declarado.  

Realidade 

Foto: arquivo/divulgação/pixabay

Marco Aurélio Lúcio, trabalha como motorista há mais de um ano e notou queda brusca no número de corridas, muito pelo fato da saída dos universitários de São Carlos e, claro, por conta da paralisação do comércio.  

"Somente alguns comércios estão trabalhando, apenas algumas industrias estão trabalhando e muitas encerraram temporariamente também, além de órgãos públicos que suspenderam as atividades. Os passageiros já entram com receio no veículo, estão com receio de saírem as ruas", relatou Marco. 

Ele sabe dos riscos que corre, mas ainda acredita valer a pena trabalhar para poder honrar seus compromissos. "O risco é grande, mas eu tenho tomado algumas medidas com a higienização do veículo, tenho esterilizado tudo, vidros, bancos, os componentes internos. Quando eu paro no ponto de embarque já aviso para que sentem atrás", ressaltou.  

A Amasc informa que tem tentado trazer solução para os motoristas da cidade. "Estamos correndo, tentando ver o que vamos fazer. Entramos em contato com a federação, mandamos oficio para as plataformas maiores pedindo auxílio aos motoristas para passar essa fase, mas ainda não tivemos resposta. Mas é aquele negócio: falido se recupera, morto não, não tem jeito", finalizou o presidente da associação.





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