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Economia

São Carlos registra mais de 1,2 mil demissões em abril

Dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam saldos expressivos de desemprego desde o início da quarentena

| ACidadeON/São Carlos

São Carlos registra mais de 1,2 mil demissões em abril. Foto: Divulgação

São Carlos (SP) registrou um saldo expressivo de desemprego em abril, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No início do ano, os saldos eram positivos, mas a quarentena alterou a economia local e influenciou diretamente nas contratações.  

De acordo com dados divulgados, em abril foram 2.158 demissões contra 881 contratações, apresentando um saldo negativo de 1.277 vagas. Em março, no início da pandemia de Covid-19, o saldo já tinha sido negativo, mas em um número bem menor, com 491 desempregados na cidade.  

Em abril, o município teve mais do que o dobro de demissões, mesmo considerando as medidas provisórias, férias coletivas e suspensão de contratos, que muitas empresas de São Carlos (SP) adotaram.  

Segundo o economista Paulo Cereda, esses índices já eram esperados, mas o ritmo foi maior do que previam. "A gente sabia que ia ter pressão sobre volume de empregos, isso não é nenhuma surpresa, mas não deixa de ser lamentável a gente ver postos de trabalho fechados. Em janeiro deste ano tivemos um saldo positivo de 351 vagas, contratações a mais que demissões, em fevereiro 493 também positivos. Já em março, primeiro mês das quarentena, 491 vagas fechadas, em abril 1,277 vagas fechadas. Ou seja, uma variação negativa de 1,78% em abril, acumulado no ano 1,29%"  

Pandemia influenciadora
Os dados do Caged mostram que a crise do coronavírus foi o grande influenciador das demissões, já que, em janeiro e fevereiro desse ano tiveram mais criações de vagas de trabalho do que demissões. Só nos dois primeiros meses do ano, foram 900 vagas criadas na cidade.  

Paulo Cereda ressalta que é difícil fazer previsões positivas na criação de empregos para os próximos meses. Como o município tem muitas empresas de tecnologia, isso pode amenizar o impacto das demissões, mas será preciso que a mão de obra seja adequada às vagas que surgirem.  

"Algumas empresas de São Carlos já preparadas com uso da tecnologia podem sentir menos efeitos, algumas na verdade até podem crescer e aproveitar. O que acontece é o distanciamento, porque não é qualquer mão de obra, não é qualquer trabalhador que poderá trabalhar nas vagas de emprego que se abrirão, é necessário ter alguma formação técnica ou até mesmo algumas horas de banco de escola para que ele consiga produzir. Por outro lado, nós podemos aumentar um pouco o distanciamento social em termos de quem pode ocupar as vagas de emprego, aqueles que efetivamente ficarão a margem da nova economia. É uma situação preocupante e que necessita de políticas públicas que venham transferir conhecimento para diminuir esse distanciamento", explicou o economista.  

Empregos x consumo
Segundo Cereda, o número de empregos depende bastante do consumo. Com a abertura do comércio, há uma possibilidade de aumento do consumo e, assim, de necessidade de contratações. Mas, sem dúvida, o receio da população em gastar nesse momento pode frear ainda as possibilidades de geração de emprego.  

"Nós temos que pensar o seguinte, o consumo é função direta da renda e também do desejo, da expectativa que o consumidor tem em relação ao futuro, se vai ser bom ou ruim, se vai ter condição ou não de honrar com seus compromissos, e nós já de largada sabemos que as pessoas ao retomarem seus trabalhos, as notícias não serão tão boas por conta do fim da pandemia e dos efeitos negativos que teremos sobre a economia e muito provavelmente as pessoas não estarão tão animadas assim para consumir. Também não teremos um movimento tão grande porque os dias em que o comércio vai funcionar não são todos os dias", finalizou Cereda.  

Dados nacionais
O Caged é a divulgação dos empregos formais, aqueles com carteira assinada, não contabilizando profissionais informais autônomos. O número de desemprego em abril foi o pior resultado no Brasil, desde o início do levantamento, há 29 anos. Foram fechados mais de 860 mil postos formais de trabalho em todo o país.

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