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Economia

Em busca de inclusão, servidores da Casa do Trabalhador se capacitam em Libras

Inclusão de surdos na comunidade ainda é um desafio, mas alguns setores estão em busca de promover a acessibilidade para possibilitar a comunicação e ampliar o atendimento

| ACidadeON/São Carlos

Inclusão de surdos na comunidade ainda é um desafio, mas alguns setores estão em busca de promover a acessibilidade. Foto: Carol Morena

A inclusão de surdos na comunidade ainda é um desafio, mas alguns setores estão em busca de promover a acessibilidade para possibilitar a comunicação e o atendimento mais amplo. Esse é o exemplo dos servidores da Casa do Trabalhador de São Carlos (SP), que estão aprendendo Língua Brasileira de Sinais (Libras) para aperfeiçoar o atendimento.

O curso de comunicação básica em Libras começou em 26 de outubro, com carga horária de 30 horas. O intuito da oportunidade é ampliar a comunicação e o atendimento aos trabalhadores, empregados, empreendedores e a população em geral.

A formação é básica, mas já vai fazer uma grande diferença. A servidora Andressa Fernanda Leite, que também está aprendendo, vê nos ensinos uma grande oportunidade de promover a inclusão.

"Acho que é importante para nós como humanos para poder, de repente, estar em algum local que tem uma pessoa surda e poder ajudar ela, poder se comunicar, porque é muito difícil. Na maioria das vezes são surdos 100% e a gente não tem como conversar. No atendimento também vai ser importante para a gente conversar com a pessoa, entender o que ela precisa e poder da melhor forma possível se comunicar, porque é bem falha essa interação de surdo com ouvinte, então acho que vai ser importante para a gente como pessoa e como profissional", disse.

Andressa disse que já passou pela dificuldade de receber um surdo no trabalho e não conseguir atendê-lo por não conhecer a Língua Brasileira de Sinais. "Normalmente a gente tenta escrever. A gente já teve outro curso no ano passado, então já temos uma boa noção, mas como não temos alguém próximo e não é sempre que vem pessoas surdas, acabamos não praticando. Quando vem a gente lembra um pouco, mas ainda assim é difícil, e quando a gente não consegue mesmo a gente escreve, que é a melhor forma de comunicação", explicou.

Ela mencionou também que atualmente são poucas empresas que tem vagas disponíveis para surdos. "As empresas hoje não tem como incluir a pessoa surda, eles não têm intérpretes, na maioria das vezes também não tem funcionários surdos para poder interagir, poder receber a pessoa", comentou.   

Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua usada por surdos e legalmente reconhecida como meio de comunicação e expressão. Foto: Reprodução

A luta ainda é grande
Segundo Vanessa Regina de Oliveira Martins, docente e coordenadora do curso de Tradução, Libras, Língua Portuguesa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ainda há dificuldades cotidianas para os surdos e pela falta de acessibilidade que não é realizada como deveria.

"Eu acompanho a luta das pessoas surdas em relação a inclusão, a gente tem legislações que tem apoiado, tem defendido a acessibilidade das pessoas surdas, que isso tem de ser feito de forma linguística, pela língua de sinais. A gente tem a lei que reconhece a língua de sinais como língua de uso da comunidade surda e que os surdos tem esse direito de garantia de uso da língua de sinais no espaço social", explicou.

Apesar de existirem capacitações que trazem acessibilidade, a docente ressalta a importância dos serviços disponibilizarem um intérprete para auxiliar os surdos e promover um atendimento igualitário.

"O que eu vejo que é possível e que a gente ainda tem que defender é a presença de interpretes de língua de sinais nesses setores para de fato atender e ofertar uma acessibilidade e um conhecimento ainda que mini da população e dos serviços em geral sobre a pessoa surda com o básico da língua de sinais para pelo menos entender como recepcionar essa pessoa. Acho que a gente já avançou bastante em relação a inclusão das pessoas surdas, mas que a gente ainda tem demanda para serem superadas", finalizou.


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