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Economia

Grupos de vendas online movimentam mercado de usados em São Carlos

Grupo com maior participação na cidade conta 367 mil internautas. Nas "feiras do rolo", é possível encontrar de roupas usadas até imóveis

| ACidadeON/São Carlos

Grupo de vendas mais movimentado de São Carlos (SP) tem 367 mil participantes. Foto: ACidade ON - São Carlos
Pessoas que desejam comprar produtos usados a preços baixos estão cada vez mais procurando nas redes sociais um meio de fazer negócio. Os grupos de "feira do rolo", versões modernas dos mercados de pulgas, atraem milhares de participantes. Em São Carlos, um dos grupos mais movimentados contabiliza 367 mil internautas. A maioria ávida por fechar algum negócio.  

Nestes grupos podem ser encontrados smartphone, móveis, computadores, carros, motos, bicicletas, eletrodomésticos e eletroeletrônicos até imóveis para venda e locação. Profissionais fazem anúncios de serviços ou então produtos, como alimentos, pizzas, queijos, bolos e pães.

Todas essas transações movimentam um grande mercado, mas pouco analisado do ponto de vista econômico. Não há informações sobre o valor exato deste comércio, mas estimativa feita pelo Ibope Conecta para uma plataforma de compra e venda de usados, estima que há potencial de venda de R$ 262 bilhões em produtos que estão encostados em casa. O mesmo levantamento aponta que 70 milhões de brasileiros têm itens sem uso em casa e 84% querem vender esses objetos.  
A professora de economia Paula Roberta Velho avalia que o mercado "é muito grande" e tem gerado novas perspectivas de negócio.  

"É uma tendência que existia em outros países, na forma física. Agora no digital, chegou a países como o nosso com força total", analisa.  

Para a economista, o avanço tecnológico e as novas formas de comunicação têm realizado "pequena revolução" na relação de compra e venda de artigos usados, dando "uma velocidade de propagação muito grande".  

"Então nós podemos ver como essas novas tecnologias estão evoluindo os costumes. Esse mercado de usados transforma em possíveis bens que eram inalcançáveis quando novos para uma parcela da população", comenta.  

Se engana quem acredita que só existe grupos de venda em redes sociais para população de baixa renda. Há também um mercado de luxo que movimenta artigos usados nas classes mais altas da população.  

"Muitas vezes a pessoa está descartando itens que são caríssimos que podem ser encontrados a preços menores. Na classe alta isso significa que a preocupação menor seja a renda (obtida pela venda), mas uma forma inteligente de descartar aquilo que praticamente só ocupa espaço", frisa.  

De maneira geral, a maior parte dos anunciantes nestes grupos classificados estão realizando vendas pontuais de artigos usados. Porém, há quem já esteja transformando essas vendas como um meio de ocupação.  

Relatório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que, em 2015, o número de micro e pequenas empresas que comercializavam produtos usados aumentou 22,2%. Já os brechós cresceram 210% entre 2010 e 2015.  

"Já há pessoas se organizando e formando algo como brechós e está se tornando fonte de renda", afirma.

Atenção à segurança
Vale ressaltar que nem tudo são flores na hora da compra produtos usados na internet. Antes de fechar negócio, o interessado deve desconfiar com preços muito abaixo da média, ter cuidado para não adquirir produtos originários de roubo ou furto e ainda fazer o pagamento só depois de receber a mercadoria. Interceptação, ou seja, aquisição de produtos roubados ou furtados, é crime. No caso de celulares, é possível realizar a consulta de impedimento de aparelhos pelo site: www.anatel.gov.br/celularlegal.


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