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Economia

Fechamento da Ford causa temor em funcionários de montadoras da região

Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos critica saída de americanos; fábrica de motores da Volkswagen em São Carlos é a principal exportadora da cidade

| ACidadeON/São Carlos

Motores de automóveis é o principal produto da pauta de exportação de São Carlos (SP). Foto: Divulgação / Volkswagen
Depois que a Ford anunciou o fechamento das fábricas no Brasil, funcionários de outras montadoras, presentes na região de São Carlos (SP), estão inseguros quanto ao futuro do mercado de veículos. A decisão da montadora pegou muita gente de surpresa e abriu dúvidas sobre o futuro de outras fabricantes no país. Sindicato com atuação regional se manifestou sobre o caso.

Possuem plantas na região a alemã Volkswagen, em São Carlos (SP), com pouco mais de 900 trabalhadores, e a japonesa Honda, em Itirapina, com 450 funcionários. A montadora teutônica é a principal exportadora em São Carlos. Segundo o economista Paulo Cereda, a venda de carros caiu 26% no Brasil em 2020. Mesmo com a queda brusca, ele não acredita que outras montadoras devam sair como a Ford. 

"Não há sinais de que outras montadoras possam seguir a mesma tendência no Brasil. Outras montadoras, principalmente as asiáticas, têm disputado palmo a palmo o mercado brasileiro e até usando o país como ponto de para exportação", comenta.  

O economista analisou a situação das montadoras na região de São Carlos. Para Cereda, São Carlos deve apostar ainda mais na diversificação da economia, para evitar um baque por causa da saída de uma grande empresa.  

"Imagino que muita gente se pergunta sobre São Carlos. É difícil garantir algo, uma vez que a Ford tinha prometido ficar no país, quando fechou a unidade de São Bernardo do Campo e aconteceu isso. Não podemos depender de uma empresa. É uma tentação grande para prefeitos atrair empresas grandes, mas é preciso diversificar, como já temos feitos com o setor tecnológico", frisa.

Nesta terça-feira (12), o Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté divulgou uma nota de apoio aos funcionários da Ford Brasil. A associação repudiou a postura da empresa e do governo federal pela falta de diálogo e incentivo à indústria automotiva.

Para o presidente do sindicato, Vanderlei Strano, o anúncio do fechamento da Ford causa preocupação em todos os trabalhadores das empresas automotivas.

Com a interrupção da montagem em solo nacional, a Ford informou que dispensará 5 mil funcionários. A montadora estadunidense mantém unidades em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e em Horizonte (CE), onde fabrica os jipes Troller.

Até 2020, a Ford figurava como a quinta montadora que mais vendia carros no país, com 7,14% do mercado. A empresa garantiu que continuará vendendo carros no Brasil, mas importando de plantas da Argentina e Uruguai. A companhia disse ainda que todos os clientes seguirão com assistência de manutenção e garantia.


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