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Cai o total de beneficiados pelo Auxílio Emergencial em São Carlos

Redução do valor e aperto na política de adesão impactaram nos repasses, que chegaram a R$ 34 milhões em 2021; em 2020, foram R$ 268,7 milhões

| ACidadeON/São Carlos -

São Carlos teve redução no número de beneficiários no Auxílio Emergencial. Foto: Bruno Moraes / ACidade ON São Carlos
Os depósitos do auxílio emergencial para beneficiários de São Carlos em 2021 representam somente 13% do valor repassado no ano passado. Os números, do Ministério da Cidadania, mostram ainda que houve diminuição na quantidade de beneficiados no município.

Durante 2020, o programa social criado pelo governo federal para dar suporte financeiro às famílias em dificuldades diante a pandemia de Covid-19 somou R$ 268,7 milhões em repasses.

As mudanças na política de pagamentos do governo, que reduziu os repasses feitos e restringiu o acesso ao programa mudaram o panorama neste ano. Em São Carlos, o total de beneficiados caiu de 63,2 mil para 34,8 mil. Até julho, os valores de 2021 somaram R$ 34,2 milhões, menos do que a soma da primeira parcela do programa.

Entre os economistas é consenso de que um auxílio mais gordo ajuda a reduzir os efeitos da pandemia nas atividades econômicas. Levantamento do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades, sediado na USP, aponta que se o valor do auxílio emergencial fosse de R$ 200, como quis inicialmente o governo federal, a queda do PIB em 2020 teria sido ainda maior.

No ano passado o Produto Interno Bruto soma das riquezas produzidas no país teve uma perda de 4,1%. Mas, segundo o estudo, com o valor menor do auxílio essa queda poderia ter chegado a mais de 14%.

Em 2020, as famílias em situação de vulnerabilidade receberam até R$ 600 com o auxílio emergencial. Já em 2021, esse valor caiu para, no máximo, R$ 375.

Para o professor de economia do Departamento de Ciências Sociais, Joelson Carvalho, a redução do valor foi um tiro no pé da economia brasileira. Ele afirma que inicialmente se poderia acreditar que, com a redução do valor, a base de beneficiários seria ampliada. Porém, na análise do próprio professor, os números deixam claro que isso não ocorreu.

"Eles (o governo federal) reduziram o número de beneficiários em um momento de agudização da crise. Portanto, afetam o poder de consumo dos trabalhadores, o comércio. É uma grande cadeia negativa para toda a economia", comenta.

Com a redução do auxílio emergencial em plena crise econômica, outro dado preocupa. A grande parcela da população em situação de vulnerabilidade que recebe apenas R$ 150 mensais. Em São Carlos são 18.005 pessoas. Os dados são de 2021.

A região tem uma capacidade tecnológica de emprego e de renda maior que outras do país. Mas, na visão do professor de economia, a crise afeta a todos e a ausência de políticas públicas impacta ferozmente as cidades da região central do estado.

"Quando observamos os números iniciais do ano passado e os dados iniciais deste ano, verificamos que não houve uma retomada do emprego e uma ativação minimamente consistente da economia", afirma o economista, que prossegue: "É como chegássemos à conclusão que São Carlos e Araraquara têm poucas centenas de famílias pobres e sabemos que não é isso. Temos um contingente significativo de famílias que ou estão desempregadas ou estão em subempregos e sem capacidade de consumo. Estamos fechando o olho para uma realidade muito desigual das nossas cidades".

O professor afirma que é preciso olhar as escalas de poder. No âmbito federal, por exemplo, há apenas a promessa da ampliação de programas sociais, porém, nada, de fato, está definido.

"Seria muito importante para nós se tivéssemos assistindo de maneira mais proativa os prefeitos, secretários municipais, vereadores e vereadoras olhando para esses problemas. Por que se esperarmos o fim de um programa (Auxílio Emergencial), a articulação de outro na promessa de que algo vai acontecer do nível federal para o municipal talvez seja tarde demais para muitas famílias que estão com dificuldades econômicas", opina.

Nesse cenário a inflação é algo que tende a piorar, ainda mais, a situação dos que necessitam do auxílio. A inflação de setembro é a mais alta em 27 anos e taxa acumulada em 12 meses atinge 10,25%.

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