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'É meio bruto, rola porrada', brinca atleta de handebol em cadeira de rodas

1ª Etapa do Campeonato Paulista de Handebol em Cadeira de Rodas de 2019 aconteceu em São Carlos neste sábado (11). Conheça mais sobre a modalidade

| ACidadeON/São Carlos

"É meio bruto", revela atleta de handebol em cadeira de rodas
Teve início na manhã deste sábado (11) em São Carlos a 1ª etapa do Campeonato Paulista de handebol em cadeira de rodas. O esporte reuniu torcedores, familiares e até mesmo futuros atletas da modalidade no Ginásio Milton Olaio Filho.  

As regras são praticamente as mesmas do handebol convencional, mas o gol ganha uma barra para ficar na altura do goleiro. Cada jogador recebe uma pontuação que indica o nível de condicionamento e movimentação. Se o atleta for amputado do joelho para cima, por exemplo, a nota é três. Se for uma lesão na medula, que comprometa o movimento do tronco, a nota é, no máximo, 1,5. Para garantir o equilíbrio entre os times, a soma de todos os jogadores não pode passar de 12.  

"Vamos jogar hoje o handebol de quatro cadeiras. Ele é baseado nas regras do handebol de areia de praia. As adaptações são basicamente o uso de goleiro-linha, ou seja, qualquer jogador pode se tornar o goleiro ali no momento. Também jogamos com substituição livre. Essas são basicamente as adaptações. De restante, é tudo a mesma coisa", explicou o técnico Welson Luciano Coelho.  

O atacante Roberson Moreira Lula assume que o esporte é um pouco violento. "O handebol em cadeira de rodas é meio bruto, sim. Rola porrada, queda, tem risco de se machucar também. Um pouco de cada. Dá mais emoção. Era para eu estar em casa, de cama. Com risco de depressão, mas não. Quando conheci esse esporte em 2013, para mim mudou muito a minha forma de falar com as pessoas e viver", relatou.  

O projeto que transformou a maior parte dos cadeirantes em atletas começou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Além da adrenalina, o esporte traz muitos ensinamentos. "A gente tem desenvolvido várias atividades com a finalidade de proporcionar reabilitação, a capacitação funcional dessas pessoas, lazer, divertimento e mais recentemente algumas pessoas têm se destacado no esporte e a gente tem procurado oferecer a eles também essa possibilidade de participar de competições", relatou Mey de Abreu Van Munster, professora do Departamento de Educação Física da universidade.  

"Minha fisioterapeuta me convidou para assistir um treino. Eu estava com três meses de amputação após um acidente. Fui para assistir e não fiquei para assistir. Não me contive e quero viver, jogar, brincar com eles. E aí comecei, não parei até hoje", contou o atacante Primo Lima.    

Gilberto Donizete da Silva, o Tiozão

 
Superação
Gilberto Donizete da Silva é conhecido como Tiozão e atua como goleiro dos Leões da UFSCar. Ele descobriu o esporte aos 50 anos e, junto com isso, um novo prazer em viver. "Com o esporte você descobre a adrenalina, a vontade de ganhar, a competição. Sou muito competitivo, até chato. Até os caras que treinam comigo eu brigo porque não treinam. Então você descobre que vale a pena praticar esporte. Faz bem para a saúde e para a autoestima", contou.  

Já o atleta Gabriel Fernando Vital da Costa, de 17 anos, vive o frio na barriga de quem está começando no esporte, sendo a partida deste sábado o primeiro campeonato de sua vida. "Eu pretendo ser um atleta renomado da cidade. Sumaré tem muito pouco contato com o esporte paraolímpico. Eu pretendo avançar mais isso na cidade, juntamente com nossos guerreiros na superação", disse.    

O jovem atleta Gabriel Fernando Vital da Costa

Torcida
Janaína de Almeida assistiu à partida com o marido e o filho de 14 anos. "Meu marido é educador físico e conhece o trabalho que o pessoal da UFSCar faz. Aí resolveu trazer a família toda. Estou gostando", disse a mulher.  

"Achei muito diferente. Nunca tinha visto, eles jogam muito bem. Acho que se eu fosse jogar com eles, mesmo sem a cadeira de rodas, ia ser complicado de vencer", brincou o jovem Jonathan Almeida.  

Já a pedagoga Marta Alarvace explica que veio assistir à partida pensando em passar a ideia adiante. "Sou coordenadora em uma escola e temos alunos com deficiência. Acho que esse esporte pode ser muito interessante para eles como forma de desenvolvimento e integração. Adorei", comentou.  

Participe

As pessoas com deficiência interessadas em participar do handebol adaptado devem comparecer ao ginásio da UFSCar nos dias de treino para fazer a inscrição, de segunda e quinta-feira à noite e aos sábados pela manhã. Também é possível entrar em contato pelo e-mail mey@ufscar.com.br. O programa é aberto a todas as pessoas com deficiência.  



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