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São Carlos tem primeira equipe de cheelearding para deficientes do país

Time foi criado por uma parceria entre a Apae e a Universo Cheer. ParaCheers Sanca All Star vai realizar uma apresentação de abertura no Campeonato Nacional de Cheerlearding neste sábado (30)

| ACidadeON/São Carlos

São Carlos tem primeira equipe de cheelearding para deficientes do país. Foto: Thayná Cunha/ACidade ON

Mudanças, aprendizados, muita união e coreografias diferenciadas. São essas as características que compõem a primeira equipe de cheerleading adaptada para deficientes do país, a ParaCheers Sanca All Star, criada através de uma parceria entre a Associação Pais Amigos Excepcionais (Apae) de São Carlos e a Universo Cheer.  

O time criado há cerca de seis meses é composto por 15 estudantes entre 14 e 24 anos com deficiências intelectuais. A escolha dos participantes partiu do professor de Educação Física da entidade, Valdemir Marcelo Siabe.  

"Alguns alunos que colocamos tinham problemas de higiene, comportamento, ausência na escola, então chamei alguns que davam problema, outros já tinha um convívio com a ginástica artística que também praticamos", contou ele.  

Guiados pelos estudantes Dayse Perissinotto, Gian Carlo, Letícia Sinatura e Matheus Pereira, os treinos começaram em maio deste ano, no Ginásio Universo Cheer. Neste sábado (30), a equipe faz uma apresentação de abertura no Campeonato de Cheerleading em Campinas.  

"Só de pensar no dia da apresentação, eu fico no coração na mão e com ele batendo muito forte, mas eu confio muito na gente. Nós somos uma equipe muito unida, um ajuda o outro", contou Sara Maria Gomes, aluna do Apae e integrante do time.  

Treinadores da equipe ParaCheers Sanca All Star. Foto: Thayná Cunha/ACidade ON

Onde tudo começou
A ideia surgiu durante uma conversa entre os estudantes Dayse e Gian em um treino. Empenhados em trazer melhora na qualidade de vida de deficientes através do cheer, eles começaram a buscar materiais didáticos internacionais para colocar o projeto em prática, já que a modalidade não existia no Brasil.  

"A gente começou a procurar outros times, treinamentos, coisas que nos dessem uma base de como fazer isso, e acredito que essa foi uma das partes mais difíceis. Outra dificuldade que a gente teve foi encontrar os atletas e decidir qual público a gente ia trabalhar. Acredito que se não fosse a dedicação deles, o projeto não teria ido para frente", explicou Dayse.  

A partir disso, entraram e contato com o Apae, que abraçou o projeto na primeira oportunidade. "Todos os desafios que apareceram no nosso meio foram os atletas que nos ajudaram a passar por cima do que ao contrário. Treinar as crianças é uma coisa muito gratificante, só nos traz felicidade", disse a técnica.  

"Muita gente não conhece o trabalho da Apae e não sabe do que os alunos são capazes, acham que todos são muito limitados. Eu confio nos meus alunos, acho que eles têm capacidade e que isso é só uma vírgula do que eles podem fazer. Não é só por ser deficiente, porque todo mundo tem uma deficiência, sendo elas pequenas ou grandes. Eu acredito no potencial deles", desabafou Valdemir Marcelo Siabe.   

Mudanças e representatividade
O maior benefício para as crianças foi realmente o mais almejado desde o início: a mudança na vida de cada um. "No começo pensamos que seria muito difícil, mas eles surpreenderam a gente, mostraram que são capazes de fazer tudo e se dedicarem a isso. Eles amaram o projeto e melhoraram muito em todas as questões, foi algo que mudou dentro do Cheers e fora dele para eles", disse Dayse.

Mas as melhorias não ficaram somente em cada um, elas se espalharam entre os amigos, os familiares e até na própria instituição. "Não temos outro time no Brasil, eles são a referência para os outros. Nós mudamos os alunos, mudamos a família, mudamos tudo e para melhor. A diferença está na sala de aula e também dentro da casa deles ", comemorou o professor.

Agora, além de pioneiro na modalidade, o ParaCheers Sanca All Star também se tornou uma referência para outras entidades da região. "Eles vão ser exemplos para outros paracheers do Brasil. Nós temos alguns outros grupos da Apae e mostramos o que estamos fazendo para eles, todos ficaram maravilhados e querendo tentar implantar o projeto nas unidades. Eu sempre falo para eles: vocês são a seleção brasileira", concluiu Siabe.

Equipe ParaCheers Sanca All Star com treinadores e professores da Apae São Carlos. Foto: Thayná Cunha/ACidade ON


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