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Red Bull Bragantino contrata jovens e mira Sul-Americana

No Brasileiro do ano passado, ficaram com vaga no torneio os times que terminaram do 9º ao 14º lugar

| FOLHAPRESS

Com apoio de marca de energéticos, equipe fez história em 2019 (Foto: Futura Press / Folhapress)
 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Executivo do time que desde 1º de janeiro se chama Red Bull Bragantino, Tiago Scuro perdeu a paciência quando a Ponte Preta informou no ano passado que o Cruzeiro havia feito uma proposta pelo meia Claudinho. "O máximo que vocês vão nos fazer é gastar mais dinheiro", desafiou o CEO. 

A equipe de Bragança Paulista tinha a preferência para continuar com o jogador, emprestado pelos campineiros. Pagou R$ 2 milhões e exerceu a prioridade para mantê-lo no elenco. Com a frase, Scuro quis mostrar que por valor nenhum o clube seria intimidado ou desistiria do negócio. 

Claudinho foi o melhor jogador da última Série B e uma das principais peças no acesso do Red Bull Bragantino à elite do país em 2020.Até o ano passado, o clube ainda era chamado apenas de Bragantino, mas já contava com investimentos da empresa austríaca de bebidas energéticas.  

Neste ano, a marca passou a controlar o futebol da agremiação do interior paulista.No orçamento e planejamento para 2020 acertado com a multinacional, foi considerada que a meta factível para o Red Bull Bragantino nesta temporada é obter a classificação para a Copa Sul-Americana de 2021.  

No Brasileiro do ano passado, ficaram com vaga no torneio os times que terminaram do 9º ao 14º lugar.Seria o primeiro passo da evolução continental na América de uma empresa que possui clubes no mata-mata da Champions League (o alemão RB Leipzig) e da Liga Europa (o austríaco Red Bull Salzburg). 

Além da montagem da equipe, os planos do projeto são reformar o estádio Nabi Abi Chedid e construir um novo centro de treinamento em Bragança Paulista. 

Nas reuniões de Scuro com representantes da matriz ficou determinado que o perfil dos reforços para esta temporada será o mesmo adotado pelas outras equipes da empresa: nomes jovens que possam se adaptar a um estilo de jogo pré-definido: com pressão na saída de bola do adversário, toques curtos e velocidade no ataque. 

O executivo defende que lucrar com vendas futuras de jogadores não é o principal objetivo, mas sim conseguir ganhos com a valorização da marca por meio do desempenho esportivo. 

O perfil de contratações era uma questão que criava atrito com os dirigentes austríacos. A reclamação deles era que os brasileiros insistiam na contratação de veteranos que pudessem dar resultados imediatos, em vez de apostar nos jovens.Principal atacante do RB Leipzig (ALE) e integrante da seleção alemã, Timo Werner, 23, está no clube desde 2016, quando chegou do Stuttgart (ALE), e o time tem resistido às tentativas de rivais do continente para comprá-lo. 

O Salzburg vendeu o atacante revelação norueguês Erling Braut Haaland, 19, para o Borussia Dortmund (ALE) porque seu agente, Mino Raiola, fez muita força.  

E também porque é mais difícil segurar um jogador na liga austríaca do que na alemã.Para o início do Campeonato Paulista de 2020, quando pretende colocar em prática o projeto de ser a quinta força do futebol estadual, o Red Bull Bragantino já contratou o atacante Alerrandro, 19, que estava no Atlético-MG, o zagueiro Leo Realpe, 18, do Independiente del Valle (EQU), o atacante Artur, 21, o lateral Luan Cândido (ambos ex-Palmeiras), e o meia Thonny Anderson, 22, que estava no Grêmio. 

O investimento em atletas até agora para a temporada está em cerca de R$ 50 milhões.Artur se encaixa em um dos perfis mais procurados pelas equipes da Red Bull: atletas que não deram certo nos grandes times, mas com potencial para render na sua filosofia de jogo. 

A expectativa é que a folha salarial no Estadual seja parecida com a da Série B no ano passado, cerca de R$ 2 milhões mensais. Isso sem contar com o elenco B, composto apenas por jogadores com menos de 23 anos, que vai disputar a Série A2 do Paulista com o nome de Red Bull Brasil.A multinacional criou essa equipe em Campinas, no ano de 2007. Teve relativo sucesso no Paulista (chegou às quartas de final no ano passado), mas fracassou nos torneios nacionais, o que irritou a matriz. 

Alguns dirigentes chegaram a reivindicar o fechamento do projeto, mas outra solução apareceu. Por cerca de R$ 50 milhões, a companhia comprou o Bragantino, que já estava na Série B do Brasileiro e a um passo da elite. 

Além de conseguir o acesso e o título com antecipação, a Red Bull ainda mudou seu principal projeto para uma cidade em que pode ter torcida favorável.  

Isso não acontecia em Campinas, por causa da concorrência de Ponte Preta e Guarani."Qual o propósito de estar na Série B e chegar à Série A e não gerar paixão nas pessoas ou ter uma cidade em torno do time?", questiona Tiago Scuro.

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