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Política

Faro Fino: O "troca-troca" continua na política são-carlense

Coluna do A Cidade ON conta o que acontece pelos bastidores da política de São Carlos

| ACidadeON/São Carlos


 
Este parece ser um ano longo para a política de São Carlos. Basta puxar pela memória os diversos fatos que marcaram a administração pública da cidade apenas em 2018, a começar pela intervenção do Município no transporte público, lá em janeiro. Uma peça protagonizada pelo ex-chefe de gabinete da procuradoria da Prefeitura, Ademir Souza e Silva, o qual demonstrou tanta maestria no assunto que chegou a ocupar o cargo de secretário de transporte e trânsito, no lugar do gabaritado Coca Ferraz. Aliás, Coca perdeu um pouco o gás nessa época, ficou literalmente apenas na memória das pessoas. Afinal, foi parar na direção da Fundação Pró-Memória.  

Do sucesso ao fracasso  

Ademir se erguia mais alto do que os muros da garagem da Suzantur, como um gigante que dominaria a terra. Ainda me lembro de toda a pompa na hora de entregar o decreto de intervenção na porta da empresa, como se fosse um astro do rock. Mas tudo bem. Todos acreditaram (inclusive ele) que essa ação poderia dar bons resultados. Doce ilusão: em 24 horas não havia mais ônibus nas ruas e a população se revoltou, se atrasou para o trabalho, perdeu emprego, abarrotou-se dentro de conduções superlotadas e cansou.  

O então secretário Ademir foi diminuindo até passar por debaixo da porta da secretaria e sumir mundo afora. Coca saiu dos livros de história para a realidade. Suzantur voltou, e continuamos na espera de soluções e licitações. Ademir reapareceu para a CPI do transporte, que avaliou o sumiço de cerca de R$ 50 mil dos cofres públicos. No fim: pizza.  

Licitação  

E por falar em licitação, cadê? A do transporte continua parada em algum ponto dentro dos labirintos burocráticos da administração pública. A da limpeza da cidade está lá na fila de espera do "SUS jurídico", embargada pelo MP. Se bem que o mato tem sumido gradativamente da cidade. Mistério! Tem a licitação pouco comentada sobre a concessão a rodoviária de São Carlos, que também não anda. Vai ver estamos precisando de intervenção em tudo; '#sqn'.  

Dança das cadeiras

Se no transporte público a dança das cadeiras foi grande, no geral é maior ainda. Há alguns meses, Guilherme Marrara, um ativista da causa animal e especialista no assunto, deixou a Divisão de Proteção Animal para dar lugar ao organizador de cavalgadas Rikoff Aidar. Logo ele reconheceu que não seria a melhor opção e cedeu o lugar ao antigo responsável pelo Parque Ecológico. Parece uma decisão acertada.  

Especialista por Entendido  

Em outros setores, como na saúde, também houve trocas. O antigo secretário de saúde Caco Colenci deu lugar ao ativista, por assim dizer, Marcos Palermo, um entendido de saúde pública, mas não especialista. Antes no cargo de diretor da gestão hospitalar, Palermo saiu e entrou outro, também sem qualquer formação na área. Era o assessor de um vereador. Vai ver escutou bastante coisa e conseguiu se graduar no assunto. Mais polêmica. Agora este também assumiu a inexperiência no setor e deixou a vaga livre para outro entendido.  

E na Câmara, tudo igual?  

Se o assunto é vereador, João Muller subiu na tribuna da Câmara e anunciou que deixaria o parlamento para se dedicar à vida no executivo: seria secretário. Segundo ele, o legislativo não teria o poder de ação necessário para mudar as coisas. João se apressou, porque continua no mesmo cargo e nem fala mais no assunto. Ainda dentro da Câmara outro cargo pode vagar: Júlio Cesar deve se candidatar nas eleições deste ano; pelo menos, é o que dizem. 

Conhecimento Empírico  

O cargo de diretor em uma das áreas da pasta de Ciência e Tecnologia também esteve livre. Diga-se de passagem, esta é uma das áreas de maior importância para a Capital da Tecnologia. Quem entrou foi o organizador de cavalgadas mencionado um pouco acima. Será que vai ficar?  

Temos tantos doutores na cidade, especialista inclusive em gestão pública, para que utilizar tantas pessoas sem formação alguma na área? Precisamos de gente que sabe o que faz e não que acredita saber.  

Talvez São Carlos sofra do mal da fênix, que vive morrendo e ressurgindo das cinzas. É tanto troca-troca, que vários projetos nem saem do papel, quanto muito saem do campo das ideias; nem dá tempo. Aliás, a fênix é descrita como um animal mitológico mágico e imponente, então não acho que seja um exemplo justo. Talvez, então, seja melhor pensarmos na síndrome da galinha, que acha que pode voar, mas não pode. E a dúvida sempre fica: quem veio primeiro: o ovo?

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