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Vereador de São Carlos parabeniza PM por morte de sequestrador de ônibus no RJ

Ação criminosa em que 37 passageiros foram feitos reféns gerou debates no legislativo da cidade

| ACidadeON/São Carlos

Vereador Moisés Lazarine (DEM). Foto: ACidade ON São Carlos

A morte do homem que manteve 37 pessoas reféns durante quase quatro horas na ponte Rio-Niterói, na manhã desta terça-feira (20), foi motivo de discursos na sessão da Câmara Municipal de São Carlos.  

O vereador Moisés Lazarine (DEM) defendeu a decisão tomada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro de matar o sequestrador. "Não é com alegria, confesso, que a gente fala sobre o tema que repercutiu na mídia hoje [terça-feira]. Ele estava prestes a cometer uma grande chacina, uma situação que poderia, infelizmente, ter causado uma grande tragédia nacional. Eu venho na tarde de hoje lamentar, porque a gente não deseja a morte de ninguém, seja uma pessoa do bem ou do mal. Mas entre a pessoa de bem e a pessoa que quer praticar o mal, a gente prefere que o mau se dê mal", disse.  

"Eu trago esse assunto para parabenizar a Polícia Militar de todo o mundo, em especial a do Brasil e, no tema tratado, a toda a Polícia Militar do Rio de Janeiro e ao governador", concluiu Lazarine.  

A fala do político do DEM foi rebatida pelo vereador Azuaite Martins de França (PPS), que, fazendo uso da tribuna, defendeu a vida. "Meu partido se destaca historicamente pela defesa do humanismo e, como tal, pela defesa da vida. Então não posso concordar com ninguém que possa subir a essa tribuna para fazer a defesa da morte, do assassinato. A vida é única, sem ela não existe nada", afirmou França.   

Entenda o caso

SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar do Rio de Janeiro matou na manhã desta terça-feira (20) um homem que manteve 37 pessoas reféns durante quase quatro horas na ponte Rio-Niterói. Nenhum refém foi ferido.  

Segundo a polícia, o homem foi identificado como Willian Augusto da Silva, 20 mais cedo, o sobrenome relatado fora "Nascimento". A polícia também divulgou, erroneamente, que Silva tinha passagens na polícia. Ele não tinha antecedentes criminais conhecidos.  

As motivações do sequestro tampouco são claras. O porta-voz da PM, coronel Mauro Fliess, confirmou no fim da manhã que atiradores de elite executaram a operação que culminou na morte do sequestrador. Silva foi atingido no momento em que saiu do veículo.  

Ao ser baleado, caiu do ônibus e foi imobilizado. Levado por uma ambulância ao hospital Souza Aguiar, sofreu parada cardiorrespiratória durante o atendimento e morreu. Segundo o governador Wilson Witzel (PSC), a ordem de atirar contra o sequestrador partiu "da técnica da Polícia Militar."  

A polícia afirmou que a pistola usada por Silva no sequestro era de brinquedo. Ele também portava uma faca, um taser (arma que dá choques elétricos) e um galão de gasolina que ameaçou usar para atear fogo no veículo.  

Ele também chegou a lançar um coquetel molotov contra os policiais. O sequestro começou por volta das 5h30, quando o homem obrigou o motorista do ônibus que faz a linha 2520, estacionasse o veículo atravessado na ponte.  

O veículo, da Viação Galo Branco, ia do Jardim Alcântara (São Gonçalo, região metropolitana do Rio) para o Estácio (região central da cidade) e estava cheio no início do rush matutino. Com a ponte fechada para o trânsito e cercada pela polícia, pouco depois das 6h, começou a negociação encabeçada por policiais rodoviários e do Batalhão de Choque.  

Ao longo das três horas seguintes, o suspeito libertou seis reféns: quatro homens e duas mulheres. Ao ser resgatada, uma das vítimas desmaiou no asfalto. Apesar do choque emocional, todos os passageiros libertados passam bem, afirma a polícia.  

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, ao menos 31 pessoas (incluindo o motorista) estavam no ônibus no momento em que o sequestrador foi imobilizado após ser baleado. Após horas de cerco, por volta de 9h, o atirador de elite da PM, que estava em cima de um caminhão, disparou e fez um sinal de positivo. O homem caiu. Os policiais, então, comemoraram e rezaram um Pai-Nosso.  

O governador Wilson Witzel chegou ao local da ocorrência logo após a execução do suspeito, de helicóptero, e celebrou o desfecho. Ele determinou a promoção dos policiais envolvidos na ação, cujos nomes foram omitidos para evitar retaliações de criminosos.  

Marinha e Bombeiros também deram apoio à operação policial. "Eu fiquei o tempo todo monitorando, e a Polícia Militar usando seus atiradores escolheu a melhor oportunidade", afirmou.  

"O ideal era que todos saíssem vivos da operação, mas preferimos salvar os reféns. Determinei que a Secretária de Vitimização cuide dos reféns e também da família do sequestrador", completou o governador aos jornalistas.  

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) também afirmou que "não tem que ter pena" do sequestrador, antes da polícia atirar, e celebrou depois que nenhum inocente foi morto.  

Ele também lembrou, em conversa com jornalistas diante do Palácio da Alvorada, o caso do ônibus 174, também no Rio, que acabou com o sequestrador e uma passageira mortos. "No ônibus 174 não usaram sniper e o que aconteceu? A passageira morreu", disse. "Não tem que ter pena [do sequestrador]", completou Bolsonaro. Mauro Fliess, porta-voz da PM, disse que há indícios de que a ação foi premeditada. "Ele porta instrumento para fazer coquetel molotov e imobilizar as vítimas. Estamos trabalhando para termos um final satisfatório", afirmou.  

Um grande congestionamento se formou no acesso da via. TRAGÉDIA DO ÔNIBUS 174 Outro sequestro de ônibus no Rio gerou grande repercussão. Foi o assalto com reféns do ônibus 174, na tarde de 12 de junho de 2000.  

Um assaltante e uma refém acabaram baleados e mortos, em caso exibido ao vivo na televisão. Às 14h daquela segunda-feira, Sandro Barbosa do Nascimento tentou assaltar um ônibus da hoje extinta linha 174 no Jardim Botânico, na zona sul da cidade.  

Ele manteve os passageiros reféns por mais de cinco horas. Ele aceitou se render quando já era noite, após muitos sinais de nervosismo e violência. Sandro saiu do ônibus com uma arma apontada para Geísa Firmo Gonçalves.  

A ação de policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Especiais) terminou com a refém baleada e morta. O assaltante chegou a ser colocado no camburão, onde foi asfixiado por PMs e também morreu. Em 2011, outro sequestro na avenida Presidente Vargas, centro do Rio, terminou com quatro pessoas feridas, dentre elas um policial.  

Dois suspeitos foram presos, três armas e uma granada foram apreendidas. Outros 11 passageiros foram libertados sem ferimentos graves. No total, foram 20 reféns e no momento da abordagem dos PMs, um dos criminosos dirigia o veículo.


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