Aguarde...

Política

Especialista fala sobre os desafios do próximo governo em São Carlos

Pandemia se destaca como o maior ponto de mudanças e de conflitos que a próxima gestão municipal enfrentará

| ACidadeON/São Carlos

 
Em novembro deste ano ocorrem as eleições municipais onde cada cidade decidirá por um novo governo que administrará suas questões públicas internas. Apesar do sentimento descrédito na política que muitas pessoas alimentam, este é um momento que também traz esperança de melhora na vida de uma população. O Portal ACidade ON conversou um um especialista na área para entender quais serão os desafios da próxima gestão em São Carlos.   

Vista aérea de São Carlos. Foto: arquivo/Divulgação

Pandemia

O professor Dr. Joelson Gonçalves de Carvalho, é docente do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar e afirma que os desafios que a administração pública enfrentará se destacam, principalmente, pelos reflexos e pela própria existência da atual pandemia do novo coronavírus. 

"Temos aí uma questão ímpar, que a é a questão da pandemia pela qual estamos passando. Os problema derivados da pandemia de ordem nacional se materializam no território municipal. A prefeitura detém uma capacidade limitada de geração de emprego, não consegue influenciar em preços macroeconômicos. Nesse sentido, o desemprego é um problema que a prefeitura enfrenta com menor capacidade de resposta do que o governo federal, as questões da saúde e da educação municipal também", explica. 

Para ele, a maneira mais eficiente de enfrentar esse problema está na consolidação de uma equipe de governo sintonizada e eficiente, que possa, alinhada ao interesse popular, realizar um gestão assertiva, estabelecendo diálogo e lidando da melhor forma possível com os diversos interesses ligados à administração pública.  

Prefeitura Municipal de São Carlos

 
"Do ponto de vista organizacional, um desafio será escolher uma equipe de governo que tenha um grau de afinação tão grande que permita enfrentar de maneira mais organizada as consequências da pandemia. Não é um caso especifico de São Carlos, mas sabemos que a partir de determinadas coligações, que sustentam determinadas campanhas e levam determinados prefeitos a vitriolais, nós temos uma divisão de pastas e de cargos que tendem a respeitar os pactos estabelecidos no processo eleitoral. Não é incomum observarmos uma certa desarticulação. Quanto maior a coligação, maior deve ser a desarticulação entre pastas e setores numa mesma gestão municipal. " 

Joelson continua dizendo que "o momento que se inicia o ano que vem para a próxima gestão, já se inicoa com uma necessidade de estabelecer atividades e calendários que de conta de trabalhar com da educação, da saúde, com a questão do emprego e desemprego e, portanto, o aumento de vulnerabilidade social no município. A pandemia desorganizou calendários escolares, volta às aulas, desorganizou setores de atividades econômicas, e isso terá impacto na renda do município, no orçamento da prefeitura. A situação par aas próximas eleições é extremamente atípica. É preciso sintonia.
Estabelecer bons nomes, não será suficiente, é necessário diálogo Independente da situação financeira do município, nós teremos redução de receita e uma necessidade maior de aumento de despesa, especialmente em políticas sociais", pontuou.

Inivisbilidade 

Outro ponto que o docente destaca é "invisibilidade" dos problemas sociais em São Carlos, mascarados, muitas vezes, por boas colocações em ranking ou títulos, como o de Capital Nacional da Tecnologia.. Apesar de positivas, essas características podem passar a falsa impressão de que não há pontos críticos a serem levados em conta. 

"São Carlos, em termos relativos, é uma cidade que sempre estará nos primeiros lugares de muitos rankings que se estabelecem por aí - qualidade de vida, melhor lugar para morar, crescimento econômico, número de doutores por habitante. Nós não devemos, sob pena de mascararmos os problemas internos, nos iludir com os rankings que colocam São Carlos sempre em ótima situação. 

Temos ainda problema que precisam ser dimensionados e enfrentados. Não são apenas problemas sazonais, como é o caso das enchentes, são problemas de ordem de segurança pública, de atendimento à nossa população no que se refere à saúde, além disso, temos aí pelo menos 80 mil famílias que mereceriam melhora na atenção do poder público no atendimento aos serviços básicos, como saúde , educação, infraestrutura, saneamento básico.  Se mascararmos São Carlos a partir do título de Capital da Tecnologia, acabamos nos iludindo com a média, que mostra tudo, menos o essencial. Não significa que não tenhamos pobreza, indigência, problemas de segurança. Pois temos", acrescentou.  

Saída  

Tomando por base tudo o que foi dito acima, Joelson diz que a saída está em ampliar o diálogo com o povo e a participação popular na gestão. Segundo ele, não raras as vezes, a ineficiência de um governo e a corrupção são apontadas como as falhas mais graves que "travam" as políticas e impedem o avanço de medidas que favoreçam a sociedade. 

Entretanto, a participação de alguns grupos de interesse na política podem representar uma ameça maior. Na medida em que os gestores, políticos, tem que adequar suas ações a fim de favorecer ou de não contrariar determinados grupos, que não representam a maior parte da população, as políticas se tornam precárias. 

Um exemplo dado pelo professor é na hipotética construção de piscinão que pudesse resolver os problemas de enchentes em São Carlos. Se fosse necessário desapropriar, comprar uma área privada, mas o proprietário desta área fosse algum financiador de campanha ou estivesse diretamente ligado à interesses de parcela do governo, isso dificultaria a implantação de uma obra que beneficiaria todos.

Não raras as vezes a ineficiente de um governo é apontada como um mecanismo de atravancamento de política pública, por outro lado a carrupção também ´pe colocada como a principal razão par aas politicas públicas serem ineficientes, pararem, não darem os resultados esperados.

"Eu não tenho duvidas de que é uma tarefa árdua administrar qualquer municio. E quanto mais a gestão for democrática, mais árdua é a tarefa de conciliar interesses que são legítimos. Pensando em termos em termos abstratos, eu acredito que o ideal é uma gestão pública que se faça dialogo com a população. Nesse sentido, não é se fazer "para", é se fazer "com".
E isso se faz estruturando conselhos, andando no município, conversando com as população mais afetadas pela ausência de determinados equipamentos públicos. Pode parecer utópico, mas com aumento da participação popular na construção e na avaliação de políticas públicas, essas políticas tendem a serem implementadas de maneira mais eficiente", ressaltou. 
 
Joelson ainda salienta que o município deveria utilizar das universidades locais para melhorar suas políticas. "O governo de São Carlos tem o privilégio de contar com duas universidades públicas de elevada qualidade, deveria ouvir mais essa universidades. Além disso, ouvir mais a população. Acredito que isso [participação popular] transcende essa falsa dicotomia entre direita e esquerda. Pois uma vez que o prefeito vai no Cidade Aracy, no Gonzaga ou no Dahma, ouve, discute e planeja, a possibilidade de acerto é muito maior".  

O especialista termina dizendo que "a capital da tecnologia tem contradições e essas contradições se expressam na riqueza vivendo com a pobreza, só que essa pobreza invisibilizada". 

Mais do ACidade ON