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Política

Alckmin fala até com inimigos de Doria para concorrer em SP

O ex-governador tem feito sondagens também com profissionais do marketing político para viabilizar a candidatura

| FOLHAPRESS

Ex-governador tenta meios de voltar para o Palácio dos Bandeirantes. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Longe dos holofotes desde que perdeu a eleição presidencial de 2018, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) intensificou a movimentação com vistas a uma nova candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

Para isso, ele tem se reunido com representantes de um amplo arco político, que inclui alguns desafetos do atual governador, João Doria (PSDB).

Doria pretende apoiar seu vice, Rodrigo Garcia (DEM), para a sucessão, na hipótese provável de se candidatar a presidente. A dupla é hoje o principal obstáculo aos planos do ex-governador de voltar ao comando do estado.

Alckmin tem mantido conversas, entre outros, com seu ex-vice, Márcio França (PSB), com caciques do PSD, como Gilberto Kassab e o ex-vereador paulistano Andrea Matarazzo, e até com bolsonaristas, como o deputado estadual Frederico D'Ávila (PSL), que foi seu assessor para agronegócio.

Todos, em algum grau, são opositores de Doria, ou pelo menos têm relação estremecida com o atual governador, como Kassab e Matarazzo.

Alckmin também tem feito sondagens entre profissionais de marketing político. Já se reuniu com dois publicitários com experiência em campanhas eleitorais para conversar sobre cenários para 2022.

Ele tem dito que seu primeiro desafio será suplantar a máquina estadual representada por Doria e Garcia (que deve se filiar ao PSDB). Para isso, conta com o estilo conciliador, as relações políticas com prefeitos do partido e a popularidade na militância.

Embora siga dizendo que é fundador do PSDB e que pretende seguir no partido, não descarta filiar-se a outra legenda para a disputa ao governo, especialmente se o adversário for Garcia. As opções postas são PSD, PSB, PSL e Podemos. 
 
Empecilhos
Para impedir o retorno de Alckmin ao governo do estado, os aliados de Doria contam com uma regra seguida há 20 anos pelo PSDB paulista, que dificultaria sua participação em prévias.

Embora o estatuto tucano garanta a realização de consulta aos filiados para cargos majoritários, o partido em geral abre uma exceção: isso não se aplica quando um dos interessados está no cargo e quer disputar a reeleição. Nesse caso, torna-se uma espécie de candidato natural da legenda.

Será o caso de Garcia, caso confirme a troca do DEM pelo PSDB e herde o governo de Doria em abril, quando ele teria de renunciar para disputar o Palácio do Planalto.

"A gente tem feito dessa forma pelo menos desde 2002. Quem está no cargo é natural que busque a reeleição", diz o presidente do PSDB de São Paulo, Marco Vinholi, aliado de Doria. Segundo ele, tradicionalmente o diretório estadual deixa isso claro em uma resolução eleitoral.

Se Garcia permanecer no DEM, a visão majoritária entre os tucanos paulistas é de que seria difícil evitar que Alckmin conseguisse se candidatar pela legenda, mesmo com oposição interna de Doria.

Qualquer que seja o cenário, segundo Vinholi, haverá diálogo e respeito com o ex-governador. "Geraldo será ouvido e valorizado. Vamos dialogar e buscar o melhor para a democracia partidária", afirma.

Nacionalmente, o discurso dos aliados de Doria é o oposto. Defendem a prévia para presidente, com o argumento de que não há candidato do partido tentando a reeleição.

Aliados de Alckmin afirmam que ele não enfrentaria Doria pela candidatura ao Bandeirantes, caso o atual governador opte pela reeleição.

Mas contra Garcia, que seria um recém-chegado sem história na legenda, o cenário é diferente. Alckmin deverá argumentar que mais importante que qualquer tradição é a garantia dada pelo estatuto de realização de prévias.

"Meu amigo Rodrigo Garcia nem do partido é. Fica com o DEM, larga o PSDB", diz o ex-presidente do diretório estadual tucano Pedro Tobias, aliado de Alckmin. Segundo ele, não há uma regra proibindo prévias contra o atual ocupante do cargo, mas um "acordo de cavalheiros" --que pode ser desfeito, para não haver risco de Alckmin deixar a sigla.

"Hoje tem três ou quatro partidos atrás do Geraldo. Se ele não for candidato pelo PSDB vai ser por outro", diz. Procurado pela reportagem, Alckmin não quis se manifestar.

No cenário preferido por Doria, o ex-governador seria candidato a um cargo legislativo. Mas nem isso seria garantia de resolução do problema.

Isso porque a regra que vale para o governo do estado se aplica também para a única vaga disponível ao Senado no ano que vem. Hoje ela é ocupada por José Serra, que pretende disputar novo mandato.

Segundo a assessoria de Serra, ele é o senador que mais aprovou projetos na Casa, o que o credencia para mais oito anos no cargo.

Serra também usa do argumento da preferência à reeleição de um ocupante do cargo.

Ou seja, mesmo a alternativa para o Senado parece bloqueada para Alckmin, que teria de se contentar com a candidatura a deputado federal.

Isso não passa pela sua cabeça, segundo aliados. O tucano diz que uma mudança para Brasília não o interessa, e que ele já deu sua contribuição legislativa quando foi deputado constituinte, em 1988.

Após ter tomado as duas doses da vacina contra a Covid, Alckmin deixa claro em suas conversas: ou disputa o governo estadual em 2022 ou não será candidato a nada.


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