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Política

Em culto, Bolsonaro questiona vacinas contra Covid e desinforma ao dizer que elas são experimentais

Presidente novamente defendeu a hidroxicloroquina e falou, sem provas, em supernotificação de casos de Covid

| FOLHAPRESS

Youtube bloqueia notícias a favor da Cloroquina.

ANÁPOLIS, GO, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a questionar, nesta quarta-feira (9), vacinas contra a Covid-19 e difundiu desinformação ao afirmar, incorretamente, que os imunizantes estão em fase experimental.

"[Remédios do chamado tratamento precoce] não têm comprovação científica. E eu pergunto: a vacina tem comprovação científica ou está em estado experimental ainda? Está [em estado] experimental", disse.

A fala do presidente é falsa porque as vacinas contra a Covid-19 não estão em estado experimental. No Brasil, diferentes imunizantes receberam o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), tendo passado por análises de segurança, qualidade e eficácia.

Mesmo as vacinas que receberam luz verde para aplicação emergencial passaram por esse tipo de avaliação.

Para uma vacina ser aprovada no Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) analisa, entre outras informações, dados de como ela é produzida, como foram feitos os estudos que chegaram à conclusão de segurança e eficácia, como ocorre o controle de qualidade e como será o monitoramento após a liberação para a população.

O produto entra na campanha de imunização do país apenas após o aval do órgão regulador.

O registro de um imunizante ocorre quando há estudos completos sobre a vacina. Já o uso emergencial abre espaço para vacinas que já tenham dados de segurança e eficácia, mas que ainda podem ter estudos a serem concluídos.

Com o aval emergencial, o uso fica limitado preferencialmente a campanhas públicas e ao período de pandemia. Já o registro dura mais tempo e permite também que as vacinas possam ser comercializadas na rede privada.

Bolsonaro fez seu pronunciamento em uma igreja evangélica em Anápolis (GO).

Além de desinformar sobre o atual status das vacinas contra a Covid, ele mais uma vez afirmou que as mortes por Covid no Brasil estão superdimensionadas. Bolsonaro fez ainda uma defesa enfática da hidroxicloroquina e de outros medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento do vírus.

O presidente tem insistido na tese de que há supernotificação nos registros de casos e mortes da doença citando relatórios do TCU (Tribunal de Contas da União). Ele chegou a dizer na última segunda-feira (7) que um documento do órgão teria questionado o número de mortos no país em 2020, mas acabou desmentido pela corte.

"Se retirarmos as possíveis fraudes, teremos em 2020, sim, o país, o Brasil, como aquele com menor número de mortos por milhão de habitantes por causa da Covid", disse o presidente no culto nesta quarta.

"Que milagre é esse? O tratamento precoce. Quem aqui tomou cloroquina levanta o braço por favor."

Em outro momento, Bolsonaro disse que, com o tratamento precoce, será possível buscar uma maneira para diminuir o número de óbitos pela Covid no país.

"Acredito que este fato, levando-se em conta os acórdãos do TCU, levando-se em conta o número de mortos, números oficiais, nós podemos sim buscar o ponto de inflexão e uma maneira de diminuir drasticamente o número de mortes no Brasil pelo tratamento precoce", disse.

O presidente abordou mais uma vez o tema da origem do vírus e sugeriu que ele pode ter sido criado em laboratório —tese rechaçada pelo governo chinês.

"Ainda, eu não tenho provas, mas esse vírus nasceu de um animal ou nasceu num laboratório? Eu tenho na minha cabeça de onde ele veio e para quê. Mas ele está aí, entre nós", disse.

Uma apuração da OMS (Organização Mundial da Saúde) destacou que o mais provável é que o Sars-Cov-2 tenha surgido naturalmente, a partir da passagem de um hospedeiro animal para o ser humano.

Mas um relatório recente da inteligência dos Estados Unidos reacendeu suspeitas de que ele pode ter vazado de um laboratório na cidade chinesa de Wuhan, onde a doença foi identificada primeiro.

A CPI da Covid no Senado tem investigado a demora do governo em negociar imunizantes contra a Covid e a retórica antivacina de Bolsonaro.

Outro foco de apuração da comissão é o incentivo do governo federal ao tratamento precoce, que consiste no uso de substâncias sem comprovação científica para o tratamento da Covid.

Durante a cerimônia religiosa, Bolsonaro investiu contra o trio de senadores que hoje comanda os trabalhos da CPI: o presidente Omar Aziz (PSD-AM), o vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL).

"Que CPI é essa? De Renan Calheiros, de Omar Aziz? Daquela pessoa alegre do Amapá?", disse Bolsonaro.

Sem citar nomes, ele disse ainda que dá opiniões sobre o vírus a partir de conversas com pessoas que "se preocupam e pesquisam sobre o assunto".

"Não veio da minha cabeça o que eu falo sobre essa doença, veio de conversas com pessoas que realmente se preocupam e pesquisam sobre o assunto também."


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