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Eleições

TSE enfrenta lentidão em apuração e problemas na emissão do e-título

Esta é a primeira eleição municipal em que os dados saem direto das seções eleitorais para serem totalizados na corte em Brasília

| FOLHAPRESS

O ministro Luís Roberto Barroso. (Foto: Agência Brasil/Arquivo)
 

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O primeiro turno das eleições municipais de 2020 foi marcado por problemas registrados na ferramenta do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) lançada com o objetivo de facilitar a vida do eleitor e lentidão da divulgação da apuração dos resultados. 

Segundo o tribunal, o atraso para a divulgação dos resultados começou a ser resolvido pelos técnicos no início da noite deste domingo (15). É a primeira eleição municipal em que os dados vêm direto das seções eleitorais para serem totalizados no TSE. 

De acordo com o tribunal, eles foram remetidos normalmente pelos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e recepcionados pelo banco de totalização, que estaria somando o conteúdo de forma mais lenta que o previsto. 

Além disso, o e-título, aplicativo que substitui o título de eleitor, localiza as seções e permite justificar a ausência, apresentou instabilidade durante o domingo, e eleitores não conseguiram acesso. 

O tribunal também sofreu uma tentativa de ataque em sua rede que, segundo o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, foi totalmente neutralizada, com a ajuda de empresas de telefonia. 

Segundo o tribunal, esse episódio não tem relação com a atraso na divulgação dos resultados.Barroso passou o dia dando explicações sobre os problemas enfrentados.  

Pela manhã, ele chegou a atribuir o problema do acesso do aplicativo a eleitores "que deixaram para baixar em cima da hora"."O brasileiro deixou para baixar o aplicativo hoje, então foram milhões de acessos ao mesmo tempo. Pedimos que todos fizessem o download antes, mas peço que insistam", afirmou o presidente do TSE em visita ao projeto Eleições do Futuro, em Valparaíso (GO).Já durante a tarde, Barroso disse que as medidas tomadas pelo órgão para prevenir a invasão da rede contribuíram para as dificuldades registradas. 

Barroso justificou que, por conta da invasão da rede do STJ (Superior Tribunal de Justiça) na semana passada, o TSE resolveu desligar um de seus dois servidores da rede.A medida, que era para reforçar a segurança do sistema do tribunal, acabou sobrecarregando o segundo servidor do órgão. 

Segundo o ministro, a origem da investida teria sido provavelmente de fora do país e "com um grande volume de tentativas", mas não entrou em maiores detalhes."Obviamente, houve um subdimensionamento ou problema técnico, sobretudo causado pelo desligamento de um dos servidores, uma coisa que não queria que tivesse acontecido, mas ocorreu. Tivemos uma dificuldade e vamos consertar já para o segundo turno", disse. 

Barroso também acrescentou não ter atribuído a responsabilidade pela instabilidade do sistema aos eleitores e que estava em contato com a empresa que produziu o aplicativo e com o Google para resolver o problema."Responsabilidade minha eu assumo. Portanto, o sistema tinha que estar preparado para receber todos ao mesmo tempo. Mas mencionamos que nas últimas 24 horas houve 3 milhões de downloads do aplicativo." 

Antes de reforçar a segurança, o TSE relatou que sofreu um ataque aos dados pessoais de servidores, que chegaram a ser divulgados.A Polícia Federal informou que está investigando o caso e que já se sabe que os dados são antigos e que o acesso ocorreu em data anterior ao dia 23 de outubro. 

Sobre a tentativa de invasão deste domingo, Barroso disse que provavelmente foi feita fora do país. Os invasores, segundo o ministro, agiram "com um grande volume de tentativas" para tentar derrubar o sistema.Os problemas registrados durante o dia alimentaram boatos sobre a segurança do processo eleitoral nas redes sociais. 

A diretora-adjunta da Rede Internacional de Checadores de Fato, Cristina Tardáguila, que contribuiu como observadora do sistema de checagem do TSE, mostrou preocupação com a falha do aplicativo do TSE na luta contra a desinformação."O fato de o app não ter performado de forma adequada possivelmente alimentará as teorias da conspiração que pregam a insegurança do processo eleitoral como um todo. É fundamental que o e-título esteja redondo no segundo turno", disse. 

Em São Paulo, zonas eleitorais tiveram fila e reclamação por causa da mudança de seções de eleitores. Eles conferiram o número no aplicativo e-título e no site do TSE, mas quando chegavam no local, viram que a seção havia sido cancelada e encontraram dificuldade para descobrir o novo número. 

Um exemplo foi o colégio Santo Agostinho, na Aclimação, região central da capital paulista, que recebeu os eleitores que votavam na Escola Estadual Caetano Campos, na Consolação, tradicional ponto desativado neste ano."Ninguém sabe para onde foi a seção e não tem aviso de que ela foi excluída. O mesário não tem informação, o aplicativo não atualizou", reclamou a dentista Priscila Conti, 28, no Colégio Salesiano, em Santana, na zona norte. "Tem que trazer a caneta, mas aglomerar [na fila para procurar a seção] pode." 

A capital paulista tem cerca de 8,9 milhões de eleitores aptos a votar, o maior quantitativo do país. Neste ano houve mudança em 127 locais de votação no estado, sendo 20 na capital e 17 na região metropolitana. 

As mudanças foram feitas por razões "operacionais" e não têm relação com a pandemia, segundo o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo).

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