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Eleições

São Carlos terá três mulheres entre 21 vereadores na Câmara Municipal

Pela primeira vez nos últimos 10 anos, o poder legislativo contará com três vereadoras; para especialistas, representatividade ainda é baixa

| ACidadeON/São Carlos

São Carlos elege três mulheres para a Câmara Municipal. Foto: Reprodução

Pela primeira vez nos últimos 10 anos, o poder legislativo de São Carlos (SP) terá três mulheres eleitas para o próximo mandato. Duas delas vão estrear as cadeiras da Câmara Municipal .

No município, 157 mulheres se candidataram e três foram escolhidas pelos eleitores, sendo elas: Cidinha do Oncológico (PP), com 1.585 votos; Raquel Auxiliadora (PT) com 1.292 votos e Professora Neusa (Cidadania), com 1.187 votos.

Cidinha já segue para seu quarto mandato, já que entrou na política em 2008, pelo PV. Em 2011 foi transferida para o PHS, e agora foi eleita pelo PP, além de ter sido a mulher mais votada. Laíde da UIPA (PMDB), sua colega dos últimos anos na Câmara, não conseguiu se eleger desta vez. Já as professoras Raquel Auxiliadora, mais bem votada entre os candidatos do PT, e Neusa, terceira mais votada entre as mulheres, são novatas na vereança.

Em comparação com cidades da região, o número é semelhante. Araraquara (SP) e Rio Claro (SP) somam quatros mulheres eleitas, uma delas, inclusive, sendo a mais votada entre os candidatos.  

Já em Itirapina (SP), a servidora pública estadual Dona Graça (PSDB) foi eleita para prefeita dos próximos quatro anos com 5061% dos votos, sendo 2.929 votos válidos.

Dourado (SP) também teve boa representatividade. Dos nove vereadores eleitos, quatro são mulheres: Claudia Protetora dos Animais (PTB), com 474 votos; Dra. Tânia (Patriota), com 254 votos; Dilene da Loja (PSDB), com 175 votos e Rita do Kike (PL), com 167. No poder executivo, o prefeito eleito trouxe também a vice Angela Sciarretta (DEM).  

Foto: Mike Nelson/EPA
Ainda falta representatividade
Neste ano, mais mulheres disputaram cargos nas câmaras municipais e prefeituras nas eleições. Elas representaram um terço dos candidatos ao cargo de vereador, sendo quase 174.000 candidatas em todo país.

Em muitos lugares, o cenário se repete: mais candidatas, mas nem tantas eleitas. De acordo com a coordenadora do programa de pós graduação em Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Maria do Socorro Souza Braga, ainda é baixa a representatividade das mulheres no país.

"Como as mulheres são maioria no eleitorado, ainda é uma sub-representação. Isso é um fato nacional, existem várias medidas agora para ampliar essa representatividade das mulheres, essas medidas começam desde 1995 para cá, e eu penso que com essas novas medidas é possível que a gente tenha nas próximas eleições a ampliação desse número de mulheres", disse.

Neste ano, em São Carlos, dos 186.863 eleitores, 52,1% do eleitorado é composto por mulheres. Considerando estes números, a professora comentou que os partidos políticos precisam pensar em mais incentivos para atrair as mulheres para que esta representatividade aumente.

"São problemas que para mim são relacionados com as próprias organizações partidárias, elas são normalmente controladas por homens, e eles estão mais preocupados em vencer as eleições diretamente. As mulheres que chegam e eles conseguem atrair para seus respectivos partidos, já chegam com capital político eleitoral forte, eles visualizam e percebem que elas têm realmente chance de vencer, elas serão aceitas. Mas a maioria dos partidos não está fazendo um trabalho interno para formar e dar condições para as mulheres de fato competirem em pé de igualdade, seja com homens que estão há mais tempo concorrendo ou seja com mulheres que já concorrem, que já tem também esse histórico", comentou.

Entre as candidatas ao poder legislativo do município, cinco mulheres tiveram até 20 votos, sendo que duas tiverem 1 e 2 votos. Outras dez ficaram abaixo dos 50 votos. Essa situação se estende também a nível nacional, onde ainda existem "candidaturas laranjas", em que um candidato entra nas eleições somente para preencher as chapas com pelo menos 30% das candidatas mulheres, cota estabelecida por lei que entrou em vigor em 2010.

"Tivemos 30% do direcionamento dos recursos de campanha tendo que ser injetados em campanhas dessas mulheres, mas ainda sim, mesmo com essa ingestão de recursos, nós sabemos que infelizmente houve casos no país como um todo das famosas candidaturas laranjas, aquelas que estão presentes, mas que no final das contas acabam não tendo realmente apoio, não tendo muitos votos, e isso também é preocupante, explicou.

"Nós precisamos obviamente que esses partidos possam incentivar a participação feminina que é substancial para que a gente possa melhorar, não só localmente, mas também nacionalmente, a maneira que nós ocupamos essa posição de representação", finalizou.

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