Até chegar à xícara, o café percorre um longo caminho que interfere diretamente no preço final. Em outubro de 2022, o valor da saca de café arábica (tipo 6 bebida dura) era R$ 1.233,20; em outubro deste ano, por sua vez, é de R$ 802,84, o que representa uma queda de quase 35%.
De acordo com o pesquisador da área de café do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz da Universidade de São Paulo), RenatoGarciaRibeiro, o preço da saca de café tem oscilado nas últimas semanas em função de fatores relacionados à oferta e demanda. “Nós viemos de uma safra com volume de colhida bom apesar de ser um ano com bienalidade (oscilação da produção em anos consecutivos) negativa. Essa disponibilidade fez com que os preços do café no Brasil caíssem no período mais recente”, afirmou o pesquisador.
LEIA TAMBÉM
“Selo Vacas Felizes” reforça a importância do bem-estar animal
Em novo levantamento, Conab reduz em 1,5% previsão de safra de grãos
Além dos estoques da Bolsa de Nova York estarem em patamares mais baixos, as demais regiões produtoras de café, como Vietnã e Colômbia, sinalizam uma menor produção, o que interfere no valor da saca do café. “No Brasil, por sua vez, a chuva frequente nas áreas produtoras de café acaba, de certa forma, pressionando as cotações, porque já é possível visualizar a próxima colheita, que será realizada em 2024”, destacou o pesquisador.
O pesquisador ainda afirma que estamos no começo da safra do café e isso pode direcionar o preço do café nos próximos dias e meses. “Nós estamos no começo da safra, já que temos a florada (quando há o desenvolvimento dos frutos) e a formação dos chumbinhos (processo em que as flores murcham e, se bem polinizadas, dão origem a um grão pequeno e verde). É a partir disso que é possível estabelecer um panorama do que será colhido na próxima safra”, disse o pesquisador.
Com o preço do café mais baixo, a vida do produtor rural também é impactada, já que os custos de produção para a safra 22/23 foram elevados. “De certa forma, na última safra, o produtor teve os custos de produção altos. Ter os preços mais baixos nas cotações impacta nas margens da rentabilidade do produtor sob a perspectiva de investimento na lavoura”, ressaltou o pesquisador.
*Sob supervisão de Patrícia Neves
LEIA MAIS
Caso Luana Andrade: o que é e quais os sintomas do lipedema?