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Call of Duty: Black Ops 7 é uma grande decepção em todos os modos

Depois de duas décadas cobrindo grandes shooters, testei campanha, multiplayer e zombies e nunca vi um Call of Duty tão perdido em identidade, execução e ambição

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Receber uma cópia antecipada de Call of Duty: Black Ops 7 para PC deveria ter sido motivo de animação. 

Como jornalista de games há mais de vinte anos, já vi os melhores momentos da franquia, como em Black Ops 1, Black Ops 2, Cold War e também vi seus tropeços. Mas nunca imaginei que veria um capítulo tão desconexo e irregular quanto Black Ops 7.

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O jogo foi lançado oficialmente pela Activision no último dia 14 de novembro, tanto para PC como consoles. 

Desde o menu inicial, notei algo estranho: a sensação de que o jogo queria ser maior do que sua própria estrutura aguentava. 

A promessa de um retorno às raízes da espionagem, somada a um novo motor gráfico e modos “reinventados”, sugeria algo ousado. Porém, bastou iniciar a campanha para perceber que a ambição não se traduziu em coesão.

O desempenho no PC, por sua vez, foi decente, porém com algumas quedas e stutter em cutscenes e áreas abertas. São detalhes que, isoladamente, não arruinariam uma experiência mas, infelizmente, eles são apenas o começo.

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Campanha

A campanha de Black Ops 7 prometia ser uma “guerra fria 2.0”, centrada em operações clandestinas com foco psicológico. Tudo soava como o retorno do tom conspiratório clássico da série. Mas o que encontrei foi um roteiro atropelado, sem ritmo, e que parecia mudar de direção a cada missão.

O problema não é apenas a narrativa, é a execução. 

Missões que deveriam transmitir sigilo e tensão acabam virando tiroteios intermináveis em arenas repetitivas. A IA dos inimigos oscila entre o apático e o absurdamente agressivo, não há equilíbrio. 

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Em uma missão de infiltração, por exemplo, fui detectado por um inimigo que nem sequer tinha linha de visão. Segundos depois, toda a base sabia minha posição exata como se eu tivesse disparado um flare.

Outro ponto que me incomodou profundamente foi o excesso de cenas “semi-jogáveis”, aquelas sequências em que você só anda, olha ou aperta um botão ocasional. 

Em Black Ops 7, elas parecem ocupar quase metade da campanha. Ao invés de criar atmosfera, só quebram o ritmo e reduzem o impacto das poucas sequências de ação bem executadas.

Para alguém que vivenciou o brilho narrativo de Black Ops 1 e até o experimentalismo de Black Ops Cold War, este capítulo parece uma cópia pálida de ideias antigas mas sem alma, sem timing, sem identidade. 

É, sinceramente, a pior campanha da saga que já joguei.

Multiplayer

Se a campanha decepciona, o multiplayer preocupa. 

Costumo ser paciente com modos competitivos, porque sei que atualizações constantes moldam a experiência. Mas o estado inicial de Black Ops 7 é tão inconsistente que fica difícil enxergar a base para melhorias reais.

O primeiro choque veio com os mapas: pequenos, visualmente saturados e cheios de elementos que confundem leitura, especialmente em tiroteios à média distância. 

Perdi a conta de quantas vezes morri sem entender de onde vinham os tiros simplesmente porque a paleta de cores, reflexos e partículas criava ruído visual.

As armas também parecem mal balanceadas. Rifles táticos são ineficazes, SMGs dominam quase todos os encontros e shotguns variam entre inúteis e absurdamente overpower dependendo do mapa. 

Durante o período em que testei o jogo, percebi que vários jogadores tinham a mesma reclamação: “não sinto personalidade nenhuma nas armas”. E é verdade. 

É tudo genérico, desde o recoil até o feedback sonoro.

Para completar, o novo sistema de perks, supostamente mais estratégico, só adiciona complexidade sem profundidade. Fiquei com a clara impressão de que a Treyarch tentou “modernizar” o multiplayer, mas sem entender o que o tornou grande no passado. O resultado é um modo sem identidade, sem fluidez e sem a assinatura explosiva que os fãs esperam.

Zombies

Tradicionalmente, o modo Zombies é o espaço onde Call of Duty permite experimentação, humor, loucura e criatividade. Mas em Black Ops 7, ele se perde completamente.

Primeiro: o mapa principal é grande demais e sem personalidade. 

Ao invés de abraçar um tema coeso, ele parece um aglomerado de cenários que poderiam estar em qualquer outro jogo. 

Não há atmosfera, não há tensão, apenas um mundo aberto genérico com zumbis espalhados aleatoriamente.

Segundo: o ritmo, que sempre foi um dos pilares do modo, simplesmente não funciona aqui. 

Os intervalos entre hordas são longos, a dificuldade não escala de maneira lógica e o loot é excessivamente dependente de RNG. Em várias partidas, senti que estava andando mais do que enfrentando hordas, o que elimina completamente o charme caótico do Zombies clássico.

Por fim, as armas especiais, sempre um dos pontos altos do modo, parecem inacabadas. Seus efeitos visuais são pobres, o impacto é baixo e nenhuma delas transmite aquela sensação de poder absurdo que marcou a história da série. 

Para mim, este é o pior Zombies já criado. E digo isso sem exagero.

O Black Ops que não deveria ter existido 

Após jogar os três modos no PC, saí de Call of Duty: Black Ops 7 com uma frustração que poucas vezes senti na franquia. 

É um jogo que tenta resgatar raízes enquanto tenta inovar e falha nos dois.

A campanha carece de identidade, o multiplayer carece de equilíbrio e o modo Zombies carece de alma. 

Em duas décadas cobrindo e analisando videogames, aprendi que nenhum título nasce perfeito. Mas também aprendi a reconhecer quando a base está frágil. E aqui, infelizmente, ela está.

Se você é fã de Call of Duty, dificilmente encontrará aqui o que amou nos melhores capítulos da série. E se você é novo na franquia, este é o pior ponto de entrada possível.

Black Ops 7 não é apenas um tropeço, é um alerta. E espero sinceramente que o próximo passo da série seja dado com mais cuidado, mais clareza e mais respeito às suas próprias raízes.

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