O cenário de eSports está cada vez mais competitivo e desafiador. Nesse contexto, a Team Liquid continua despontando como uma das grandes equipes brasileiras. Recentemente, a equipe venceu o mundial de Valorant e fez uma boa campanha na South America League (SAL), principal torneio sul-americano, de Rainbow Six Siege.
Nesse contexto, Rafael Queiroz, General Manager da Team Liquid no Brasil, comentou um pouco da equipe, futuro do eSports e planos para 2026.
EP Games: A Team Liquid vem investindo fortemente para disputar torneios internacionais. Vocês acabaram de vencer o Mundial de Valorant, por exemplo. Como está essa estratégia de fortalecimento? Fazendo uma analogia com o futebol, parece que vocês atuam como Flamengo e Palmeiras — investindo pesado em estrutura e elenco — enquanto outros times ainda estão se organizando. Essa leitura faz sentido?
Rafael Queiroz: Faz, sim. É importante lembrar que a Team Liquid completa 25 anos este ano. É uma organização que sempre esteve na vanguarda dos eSports, desde os primórdios da cena competitiva. No Brasil, estamos há oito anos — completamos esse ciclo agora em dezembro — e usamos toda essa expertise global para replicar boas práticas localmente.
As organizações brasileiras que competem em alto nível evoluíram muito nos últimos anos, especialmente as chamadas Tier 1. A Liquid acaba sendo uma referência por conta da operação global, então nossa ideia é puxar o mercado para cima. A gente não olha só para dentro; pensa muito em como pode contribuir para o crescimento do cenário como um todo.
Embora os eSports já movimentem cifras enormes, o modelo de negócio ainda está em constante evolução. Há muito espaço para adaptação e crescimento, e estar à frente dessa discussão é fundamental para colocar em prática aquilo que acreditamos ser positivo para o mercado.

EP Games: A Liquid trabalha muito forte a parte de negócios, não apenas a competição em si. Não é só prêmio de torneio, mas loja, produtos, colaborações. Recentemente vocês lançaram novos itens na loja oficial. Isso também faz parte da estratégia de expansão?
Rafael Queiroz: Com certeza. Não é só sobre gerar receita — embora isso ajude a reinvestir e crescer —, mas também sobre fortalecer a marca e a relação com o fã. No merchandising, por exemplo, não trabalhamos apenas com produtos da Liquid. Fazemos colaborações com grandes marcas da cultura pop.
Já tivemos coleções com Demon Slayer, Death Note, Naruto — que, inclusive, será relançado em breve —, além de parcerias com a Disney, via Marvel e Star Wars, e mais recentemente com a Blizzard. Criamos até uma coleção especial para celebrar o Race to World First, com produtos vendidos exclusivamente na CCXP.
Tudo isso precisa caminhar junto com o fanservice: oferecer uma experiência bacana para o fã e, ao mesmo tempo, um produto que gere receita. Isso vale também para o B2B. Temos, por exemplo, a parceria com a Visa, que oferece benefícios diretos ao público, como descontos e brindes. Essa combinação é estratégica para atingirmos nossos objetivos de forma sustentável.
EP Games: Pensando em estratégia, o que vocês já podem adiantar sobre os planos para 2026? Fortalecer equipes, entrar em novos torneios, novos jogos?
Rafael Queiroz: A entrada em novos jogos é sempre considerada, mas nem sempre dá para prever. Às vezes surge um título novo que explode competitivamente em poucos meses. Para a Liquid, é importante atuar em jogos globais, onde possamos competir em alto nível internacional.
Se houver times brasileiros com potencial competitivo nesse cenário, existe toda a possibilidade de trazê-los para dentro da organização. Isso ajuda a diversificar títulos, fanbases e oportunidades.
Para 2026, teremos lançamentos de produtos, novas collabs e o reforço dos times que já atuam no Brasil. Ainda não temos novos jogos para anunciar, mas estamos trabalhando para manter e fortalecer nossas line-ups atuais. Também estamos negociando presença em eventos, possivelmente expandindo além dos grandes eventos de São Paulo para outros polos do país. Ainda estamos na fase de planejamento, mas já há coisas bem interessantes no pipeline.
EP Games: Existe alguma contratação no radar que você possa comentar?
Rafael Queiroz: Neste momento, não. As line-ups brasileiras estão todas em plena competição. O time de Valorant acabou de ganhar o Mundial, então não faz sentido nenhum mexer. O CrossFire está disputando o Mundial agora, o Rainbow Six está nas finais sul-americanas… Esse é um momento muito mais de apoio total aos times do que de pensar em mudanças.
EP Games: Vocês também têm investido em estratégias regionais e torneios próprios para a comunidade. Como está esse trabalho de base?
Rafael Queiroz: Esse é um pilar cada vez mais importante para a gente. Um bom exemplo é o Resenha das Minas, que começou como uma iniciativa do streamer FRTTT, focada em criar um ambiente seguro e competitivo para mulheres no Valorant. Hoje, transformamos isso em um projeto muito mais estruturado e profissional, com várias ativações ao longo do ano.
Além disso, temos a Copa Cavalo, que também começou no Valorant e ampliou para um cenário misto, e realizamos finais de torneios comunitários em grandes eventos, como na BGS, com Rainbow Six, em parceria com a Ubisoft. A ideia é fazer pelo menos mais duas edições no próximo ano.
Acreditamos muito que quem vive essas experiências pode se tornar, no futuro, um jogador da Liquid. Investir na base faz todo sentido para nós.
EP Games: Para encerrar, tem algum ponto estratégico que você gostaria de destacar?
Rafael Queiroz: Acho que o principal é reforçar que nosso foco é sempre melhorar o que já fazemos bem. Temos um pilar competitivo muito forte e queremos continuar brigando por títulos, estar em todos — ou até mais — eventos no próximo ano.
Mas, acima de tudo, nosso objetivo final é oferecer uma experiência incrível para o fã: torcendo, participando de eventos ou adquirindo produtos. Esse é o centro de tudo o que fazemos, e é isso que pretendemos intensificar ainda mais em 2026.
Para mais informações sobre a Team Liquid, acesse o site oficial.