Dois projetos inscritos do Educador em Ação 2023 buscam auxiliar no desenvolvimento psicomotor, cognitivo e intelectual das crianças. Um trabalha a leitura e outro as atividades circenses, demonstrando como são eficazes no processo de formação.
A professora Denise Aparecida de Paulo Ribeiro Leppos, do CEMEI Deputado Vicente Botta, buscou revistar diferentes versões do tradicional conto do “Chapeuzinho Vermelho”. A escolha não foi aleatória. Segundo ela, partiu da curiosidade de uma das crianças, que recontou a história em sala de aula após ouvi-la de um familiar. Os outros alunos se interessaram.
Entre os textos que foram lidos, está “O Chapeuzinho Vermelho”, de Bia Villela, que apresenta os personagens em formas geométricas e cores vivas. Também traz à tona “O chapeuzinho” e não “A chapeuzinho”. Para Denise, essa marca de feminino e masculino foi bem instigante. Uma das crianças observou que se tratava de um menino e não uma menina.
“Inicialmente, elas não haviam percebido, uma vez que já haviam cristalizado a história tradicional. Além de terem achado muito interessante a possibilidade de criar personagens a partir das formas geométricas”.
Também foram apresentados alguns textos curtos do livro “Chapeuzinhos Coloridos”, de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. De acordo com a professora, o conto que as crianças mais gostaram foi “Chapeuzinho Cor de Abóbora”, em que o lobo come todos os personagens e explode após ingerir a cereja da torta de abóbora com chantilly.
Segundo Denise, as crianças ficaram curiosas para experimentar a iguaria. Para matar a vontade, cozinharam um bolo de abóbora, também decorado com chantilly e cereja. A atividade foi importante, pois possibilitou que trabalhasse conceitos matemáticos e linguagens.
A última versão debatida foi “Chapeuzinho Vermelho e o Leão Faminto”, de Alex T. Smith e tradução de Gilda de Aquino. A história se passa na savana africana e traz um personagem diferente dos habituais: o lobo mau é substituída pelo Leão Faminto, o que demonstra um cuidado em dialogar com a realidade africana e em não questionar a índole do animal. “Essa pequena mudança de óptica abre um mar de possibilidades de reflexões às crianças. Além disso, a Chapeuzinho é uma menina preta com o cabelo todo trançado”.
Denise explica que, ao perguntar à turma o que havia chamado atenção, uma aluna disse que a Chapeuzinho era como ela. “A partir disso, é possível perceber a importância de se ler textos que tragam a representatividade das crianças, em histórias nas quais não são subjugadas ou estão em situação de submissão”.

Livro
Desde o início do ano letivo, a leitura de diferentes tipos de textos esteve presente na rotina da turma de Denise, que tem 23 crianças entre quatro e cinco anos. Para a professora, o hábito deve fazer parte da vida da criança desde seu nascimento, para que seja incorporada na rotina. “Aprenderam a ouvir e a prestar atenção na leitura para poder discutir a respeito do que foi lido. Aprenderam a respeitar o próximo, a ouvir as histórias que suas famílias contavam”.
O envolvimento das crianças possibilitou que criassem sua própria versão, intitulada como “Chapeuzinho Azul, o Lobo Bonzinho e o Leão Malvado”, que foi iniciada na escola e finalizada com a participação das famílias. O trabalho será publicado. Está em fase de orçamento em uma editora. “Assim que os exemplares estiverem prontos, faremos um coquetel de lançamento”.

O circo chegou
Explorar o lado lúdico também incentiva as crianças a se movimentar, o que melhora a qualidade de vida. Se for possível levá-las para as aulas de Educação Física, então, vira um espetáculo.
No CEMEI José de Campos Pereira, as crianças vivenciaram o projeto “Respeitável público, nosso circo chegou!”, com atividades relacionadas à arte circense.
Segundo a professora Camila Milan, de Educação Física, o objetivo do projeto foi estimular as capacidades físicas e as habilidades básicas, bem como introduzir a dança e a ginástica, usando a temática do circo como pano de fundo para tornar as atividades mais alegres e divertidas.

Metodologia
No primeiro momento, a professora apresentou vídeos relacionados ao circo, para que os alunos conhecessem e observassem os artistas. Em seguida, foi realizada uma roda de conversa sobre os vídeos, permeada por alguns questionamentos: Quem já foi ao circo? O que tem no circo? Quais artistas circenses vocês conhecem? O que eles fazem?
Camila também contou a história “O Circo Chegou”, de Maria da Glória Bedicks e Marco Bortoleto, que apresenta artistas circenses reais do Projeto Circo na Escola, desenvolvido pela Faculdade de Educação Física da Unicamp.
De acordo com Camila, nas aulas seguintes, as crianças se tornaram artistas diferentes e se encantaram com os desafios de cada um deles, e com a diversidade de identidades e experiências. Para fazerem o malabarista, por exemplo, exercitaram a manipulação de materiais. Já o contorcionista ganhou vida com exercícios de flexibilidade.
Para coroar o trabalho, as crianças assistiram, na escola, ao espetáculo da Trupe No Clima do Riso, grupo de São Carlos, além de participarem de nova roda de conversas, que retomou os questionamentos feitos no início. “Foi possível perceber que as crianças ampliaram seus conhecimentos sobre o circo, lembrando dos diversos artistas e do que cada um faz”, afirma a professora. “Isso é um grande diferencial do circo, pois sua multiplicidade expressiva permite a inclusão e identificação de todos”.