Não é comum um estádio de futebol pegar fogo, mas já aconteceu em Campinas. E não estamos falando de fogo no sentido figurado, mas sim no sentido literal da palavra. No dia 16 de julho de 2011, os torcedores do Guarani incendiaram o Moisés Lucarelli durante o dérbi válido pela Série B do Campeonato Brasileiro.
Por sorte, o fogo não tomou grandes proporções e ninguém teve ferimentos graves. Os danos foram materiais, já que o banheiro do estádio foi destruído. O fato entrou na lista de acontecimentos obscuros do clássico campineiro, que já registrou inúmeras confusões entre os torcedores.
O clima do dérbi do dia 16 de julho era tenso. Na chegada da delegação do Guarani ao estádio, a polícia precisou intervir para que o ônibus não fosse apedrejado. A temperatura alta foi levada para dentro do Moisés Lucarelli e ficou aflorada quando o locutor chamou os torcedores do time bugrino de “galinhada”.
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“Quem é pontepretano bate palma, e quem não é cacareja e bota ovo”, foi uma das frases ditas pelo locutor do estádio, registradas pelo árbitro Antônio Rogério Batista do Prado na súmula da partida, o que rendeu ao apresentador um gancho de 180 dias de suspensão.
A partir daí, o estádio virou um palco de guerra. Os torcedores se descontrolaram e colocaram fogo no banheiro. A polícia conseguiu impedir, no entanto, conflitos entre torcedores rivais e até mesmo que o gramado fosse invadido. Os bombeiros foram acionados para apagar o fogo.
“Após o ocorrido, a torcida do Guarani, que estava localizada atrás de uma das metas, ficou revoltada, atirando vários objetos para o campo de jogo. Em seguida, a Polícia Militar interveio, porém, mesmo assim os torcedores do Guarani colocaram fogo nos banheiros, papéis e madeiras que ali estavam”, diz a súmula do clássico.
Os jogadores também colaboraram para que a confusão não se estendesse. Apesar do clima tenso nas arquibancadas, no campo o ambiente era leve. A Ponte Preta venceu o Guarani por 2 a 0, com gols de Ricardinho e Ricardo Jesus, em uma partida sem muitos cartões e entradas bruscas.
“Foi uma chance única, que não esperava ter. Era um sonho sendo realizado e necessitava de uma preparação mental diferenciada. Conversei bastante com os jogadores, antes e durante a partida, dividi com eles a responsabilidade de um jogo limpo. Dei várias orientações para evitar qualquer tipo de confusão. No fim, eles responderam bem e acabou sendo um jogo limpo. Mas fora de campo, não foi algo fácil. A imprensa queria saber para qual time eu torcia. Os torcedores do Guarani falavam que eu era Ponte. Os da Ponte,que eu era Guarani. E assim foi, ficou marcado”, disse o árbitro.
No clássico, a Ponte Preta foi escalada com: Júlio César; Guilherme, Leandro Silva, Ferron e Uendel; Xaves, Mancuso, João Paulo Silva e Renatinho (Márcio Diogo); Ricardinho (Soares) e Ricardo Jesus (Gigena). Técnico: Gilson Kleina.
Já o Guarani teve: Emerson; Dadá, Gabriel, Aílson e João Paulo; Lucas, Lusmar, Mika e Jefferson Luís (Felipe); Denílson (Fabinho) e Fernandão (Geílson). Técnico: Giba.