Disputar um Dérbi Campineiro é para poucos, mas há jogadores que tiveram esse prazer por várias vezes e por muitos anos. Um dos maiores ídolos da Ponte Preta, Bruninho foi o atleta que mais esteve em campo pela Macaca. Foram 44 clássicos disputados. Do lado do verde e branco da força, Silva vestiu a camisa do Guarani em 30 oportunidades diante do maior rival. A dupla já presenciou tudo que um dérbi tem de melhor e também de pior.
O amor de Bruninho pela Ponte Preta vem de berço. Todos os seis irmãos homens passaram pelo clube, sendo que três ficaram no futebol amador e três viraram profissionais. Ele chegou ao clube aos 17 anos, levado por um de seus irmãos, o ex-goleiro Serafim.
A estreia de Bruninho com a camisa da Ponte Preta foi em 1942, na vitória sobre o XV de Piracicaba por 2 a 0. O jogador, que terminou a carreira jogando na lateral, atuou também como zagueiro, atacante, além de fazer duas partidas como goleiro, o que aumentou o seu status de ídolo do clube.
LEIA TAMBÉM
Juntos, Guarani e Ponte já enfrentaram Seleção Brasileira de Pelé e Garrincha
Valsa de Debutante? Música foi tocada no Brinco de Ouro em 2001; veja vídeo
Bruninho é o segundo jogador com mais jogos pela Ponte Preta, apenas atrás de Dicá. Ele defendeu a Macaca em 577 oportunidades, sendo 44 clássicos, e marcou 73 gols. O último dérbi disputado foi no dia 25 de outubro de 1959, quando a equipe alvinegra perdeu para o Guarani por 2 a 1, no Moisés Lucarelli.
Já a despedida foi com vitória sobre o Comercial por 3 a 0, com direito a gol, também em 1959. Além disso, Bruninho dava aula de mecânica na escola industrial Bento Quirino em Campinas e era representante dos atletas no Sindicato, onde ganhou o apelido de delegado. Ele faleceu no dia 31 de março de 2004, vítima de Mal de Alzheimer.
Em sua carta de despedida, Bruninho afirmou: “Tenho orgulho de ter defendido a Ponte Preta”. Ele também agradeceu os rivais, incluindo o Guarani por ter feito parte de sua história no futebol.
Diferente de Bruninho, José Benedito Silva, o Silva, fez do Guarani a sua paixão no decorrer do tempo. Com 16 anos, ele estreou no futebol profissional no Bocaina Futebol Clube, time amador de Bocaina, cidade localizada no Estado de São Paulo. Após brilhar na vitória por 3 a 0 sobre o Noroeste, foi contratado pelo XV de Jaú.
Trazido pelo então olheiro Laurindo Pedroso, chegou ao Guarani em 1935. Ficou no Bugre por 13 anos, tendo disputado 30 jogos diante da Ponte Preta nesse período. Foram 9 vitórias, 12 derrotas e 9 empates. Pelo time alviverde, ainda foi campeão campineiro de 1935 e campeão do interior em 1944.
O meio de campo do Guarani, na época, era de causar inveja, formado por Fricote, Pavuna, além do próprio Silva, que pendurou as chuteiras aos 38 anos. O volante amador era um grande crítico do futebol moderno, dos salários astronômicos e da individualidade. Batia na tecla que o futebol era para ser jogado em equipe.