O primeiro trimestre de 2023 tem sido difícil para as startups brasileiras, conforme aponta um relatório Inside Venture Capital, da Distrito, empresa especializada em inovação. Segundo o estudo, que monitora a movimentação dos aportes no Brasil, os recursos disponíveis para essas empresas reduziram em 86%, comparado ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o relatório, as startups captaram US$ 247 milhões nas rodas de investimentos. Uma queda significativa em relação ao US$ 1,7 bilhão em recursos conquistados no mesmo período do ano passado.
Segundo informações, foram realizadas 91 rodadas de investimentos no país. No mesmo período do ano passado, esse total tinha sido três vezes maior, quando totalizaram 306 captações.
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Investidores apostam nas startups em fase de validação
Entre os setores, as fintechs ainda se destacam e atraíram quase metade dos recursos investidos. Logo em seguida, o setor de Supply Chain foi impulsionado por um aporte de US$ 50 milhões do supermercado digital Daki, em fevereiro deste ano.
Quando se observa o interesse dos investidores em relação aos estágios de maturação das startups, a fase seed (validação) foi a mais procurada, ou seja, fase em que o produto ou serviço da startup é validado no mercado. Empresas neste estágio teve uma redução de 74,2% nos investimentos, sendo a menor queda em comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
Para as startups late-stage, que já estão em um estágio mais avançado, os investimentos praticamente chegaram a zero. As rodadas de série A, destinada às startup que já têm um modelo de negócio construído, com clientes e receita, demonstrando potencial para crescer, teve um desempenho negativo de 61%.
Os aportes de série B, que são para startups mais consolidadas e os investimentos são para expandirem seu alcance no mercado, reduziram 51%, segundo o monitor da Distrito.
As operações de M&A (que é a sigla para Mergers & Acquisitions, que significa “Fusões e Aquisições”) também foram mapeadas no período, sendo 17 aquisições e 15 fusões, com destaque para o setor de martech e healthtech. “Essa tendência já aparecia no fim de 2022 e continuou em expansão neste trimestre. São números que acabam mostrando a resiliência das startups em um momento de instabilidade de mercado que muitas delas não haviam vivenciado”, afirma Gustavo Gierun, CEO do Distrito.
Causas da escassez de capital
A crise no Silicon Valley Bank e a taxa de juros acima de 13% são alguns dos fatores que contribuíram para a escassez de capital, conforme explica Gierun: “Os números deste trimestre foram afetados tanto pelo contexto macroeconômico global, quanto por episódios como a crise do Silicon Valley Bank e o medo de uma crise bancária em uma grandeza semelhante ao que vivemos em 2008”.
Ele ainda ressalta que os números volumosos vistos em 2020 e em 2021 não devem reaparecer tão cedo, por outro lado acredita que o cenário de escassez de capital não permanecerá por muito tempo.
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