Em dezembro, o Google apresentou seu mais recente avanço em computação quântica, o chip Willow, um novo marco na busca pelo supercomputador quântico mais rápido do mundo.
Mas foi a declaração do engenheiro Hartmut Neven, vice-presidente de engenharia do Google e fundador do laboratório de Quantum Artificial Intelligence, que provocou um verdadeiro debate entre os cientistas, segundo reportagem publicada na Forbes.
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A pergunta parece mais ficção científica, mas, ao menos para Neven, o desempenho do Willow pode ser uma pista de que a computação quântica ocorre em múltiplos universos.
Segundo a Forbes, em janeiro deste ano, Neven comentou que, ao testar o Willow, o desempenho do chip trouxe indícios de que a computação quântica não ocorre apenas em um universo, mas em muitos. Ele afirmou que o chip foi capaz de resolver uma tarefa extremamente complexa em menos de cinco minutos, o que seria impensável para um computador tradicional.
David Deutsch, físico da Universidade de Oxford e referência na teoria do multiverso, se mostrou favorável à afirmação de Neven. Deutsch argumenta que a mecânica quântica, ao lidar com estados de superposição e interações entre sistemas quânticos, pode ser a chave para provar que universos paralelos existem, de fato. Segundo a publicação, para ele, a computação quântica poderia ser uma porta para essa descoberta.
Outros cientistas, porém, têm visões diferentes
Ethan Siegel, astrofísico e escritor, foi mais crítico da declaração de Neven. Segundo ele, a noção de múltiplos universos não deve ser confundida com a mecânica quântica. Siegel explicou que a mecânica quântica já funciona adequadamente sem precisar recorrer à hipótese de universos paralelos, sugerindo que, ao misturar essas ideias, Neven cometeu um erro.
Já Michio Kaku, renomado físico teórico, reconheceu a legitimidade do estudo dos multiversos dentro da física, mas alertou que, embora seja uma área válida, ainda não existe confirmação experimental de que esses universos paralelos realmente existam.
Como o chip quântico Willow pode mudar a ciência?
Embora a discussão sobre universos paralelos tenha atraído a atenção de muitos, o Willow é muito mais do que isso. O chip também traz uma série de outras possibilidades para a ciência e para a sociedade.
Segundo a Forbes, projetado e fabricado com uma precisão única em Santa Bárbara, Estados Unidos, o chip foi criado para lidar com a complexidade da computação quântica, que é uma área da ciência que utiliza os princípios da física quântica para processar informações de maneira muito mais rápida e eficiente do que os computadores tradicionais e exige que seus componentes sejam perfeitamente integrados e bem projetados.
O Google vê o Willow como a chave para um supercomputador quântico que poderá resolver problemas complexos, como as mudanças climáticas, simulações avançadas de medicamentos, e até mesmo oferecer novas formas de explorar o espaço.
Com 10 septilhões de capacidade de processamento, segundo o Google, o Willow está pronto para enfrentar desafios gigantescos que envolvem, por exemplo, a análise do genoma humano e o avanço da medicina personalizada.
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