A Unifei (Universidade Federal de Itajubá), no Sul de Minas, a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e a Ufpa (Universidade Federal do Pará) estão desenvolvendo um projeto para a criação de motores Fórmula com uso dos combustíveis mais limpos de maior potencial de produção no Brasil. A iniciativa científica reúne, ainda, duas indústrias multinacionais e visa melhorias no setor de transportes do Brasil.
O projeto intitulado “Motor bi-fuel de alta eficiência a etanol e biometano para aplicação em veículos comerciais leves: testes experimentais, hibridização, dual-fuel com H2 verde e análise da pegada de carbono”, tem objetivo de atender à demanda do setor de transportes no país com um motor bi-fuel de alta performance e que, no futuro, seja expandido para veículos leves. A pesquisa envolve 15 integrantes, entre estudantes e profissionais das universidades, além da FPT Industrial/Iveco e Mahle.
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Para um dos coordenadores da pesquisa, o professor Christian Coronado, da Unifei, o projeto busca o equilíbrio sob diversos aspectos. “O projeto atenderá uma demanda do transporte brasileiro, considerando o uso de etanol e biometano, representando o equilíbrio ideal sob aspectos econômico, logístico, técnico e ambiental, além de promover o fortalecimento da rede de pesquisa entre as instituições científicas e de inovação tecnológica (ICTs) com as empresas”, destaca.
Segundo a multinacional Iveco, dentro dos próximos três anos, um motor FPT F1C Bi-Fuel cedido pela empresa será testado pelas instituições de ensino em modo Dual-Fuel com o uso do etanol ou biometano, além de hidrogênio verde (H2). Ainda, pensando na inovação, os pesquisadores vão realizar testes comparativos em veículos híbridos.
A pesquisa consiste, também, no desenvolvimento de modelos matemáticos para caracterizar e prever o comportamento do motor FPT F1C com o etanol e o biometano. De acordo com os pesquisadores, isso deve auxiliar na definição de componentes e hardware e contribuir para melhor homogeneidade da mistura ar-combustível. Depois dessa fase, o motor será testado no centro tecnológico da Mahle, localizado em Jundiaí, no interior de São Paulo.
De acordo com Everton Lopes, da Mahle Metal Leve S.A., há alto potencial de oferta do biometano no Brasil, o que colabora para que o país alcance suas metas na redução de emissões de gases do efeito estufa.
“Considerando que atualmente uma grande parte da matriz energética brasileira do transporte é composta por diesel fóssil, desenvolver soluções alternativas deve ser uma prioridade. O desenvolvimento do motor bi-fuel é um importante progresso rumo a descarbonização. A parceria da Mahle com a FPT Industrial, associada às competências das universidades parceiras, será um fator de sucesso, garantindo a aplicação da tecnologia no mercado no futuro próximo”, projeta Lopes.
Já Alexandre Xavier, diretor de engenharia da FTP Industrial, acredita que a empresa, em menos de 20 anos, poderá zerar as emissões de carbono. “Com etanol, biometano, além de estudos da utilização de hidrogênio verde, exploraremos todo o nosso potencial de matriz energética regional com baixa pegada de carbono, permitindo uma vantagem competitiva rumo a meta do Iveco Group para zerar as emissões de carbono até 2040”, afirma.
UNIFEI
O “Laboratório de ensaios em motores de combustão interna com novos biocombustíveis (HVO, H2 e GNR)” onde a pesquisa está sendo desenvolvida foi inaugurado em setembro de 2022 na Unifei, em Itajubá, no Sul de Minas.
O projeto tem recursos da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), responsável por coordenar a Linha V (Biocombustíveis, Segurança Veicular e Propulsão Alternativa a Combustão) do Programa Rota 2030.
O Programa Rota 2030, regulado pela Lei nº 13.755/2018, foi criado pelo governo federal com o objetivo de elaborar uma política industrial de longo prazo para o setor automotivo e de autopeças, estimulando o investimento e o fortalecimento das empresas brasileiras do setor.
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