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Jornalistas Dmitri Muratov e Maria Ressa recebem prêmio Nobel da Paz

Jornalistas Dmitri Muratov e Maria Ressa recebem prêmio Nobel da Paz

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O jornalista russo Dmitri Muratov alertou sobre a escalada de violência no mundo e pediu “um minuto de silêncio” em respeito aos repórteres mortos por fazerem seus trabalhos. A jornalista filipina Maria Ressa culpou grupos de tecnologia americanos pela “lama tóxica” propagada nas redes sociais e seus impactos danosos à sociedade. Foi com alertas sobre ameaças às democracias e pedidos de uma renovação do compromisso com valores democráticos que os dois vencedores do Prêmio Nobel da Paz de 2021 se dirigiram ao mundo nesta sexta-feira, 10, em seus discursos de aceitação da premiação em Oslo.

Ressa e Muratov, cujos nomes foram divulgados pelo Comitê do Nobel em outubro por suas lutas “a favor da liberdade de imprensa”, usaram seus discursos para advertir de que o mundo caminha para um aumento da violência e da miséria se não houver uma renovação do compromisso com a democracia e os valores a ela vinculados: verdade, paz e direitos humanos.

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“Fiquemos de pé e honremos com um minuto de silêncio os nossos colegas jornalistas (…) que deram a vida por essa profissão”, disse Muratov, de 60 anos, editor-chefe do Novaya Gazeta, considerado o principal jornal de oposição na Rússia. E acrescentou: “Quero que os jornalistas morram de velhice”.

O editor-chefe fez um apelo contra a escalada de violência no mundo, condenando a “retórica militarista” dominante na mídia russa controlada pelo Kremlin – em um momento em que a Rússia concentra tropas na fronteira com a Ucrânia, levantando preocupações de uma invasão. “Os poderosos promovem ativamente a ideia de guerra”, disse ele. “O marketing agressivo da guerra afeta as pessoas e elas começam a pensar que a guerra é aceitável”.

O jornalista russo também afirmou que as ideias da democracia liberal estão sob ameaça pela decepção do povo com as elites políticas de seus países. “O mundo perdeu o amor pela democracia (…), ficou decepcionado com as elites no poder. O mundo começou a virar para a ditadura”.

Ressa, de 58 anos, a primeira Nobel da Paz das Filipinas e executiva-chefe da Rappler – uma organização de notícias on-line reconhecida principalmente por suas investigações sobre a guerra às drogas promovida pelo presidente Rodrigo Duterte – criticou veementemente as empresas de mídias sociais, apontando seu papel na crise democrática sentida ao redor do mundo.

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“Essas empresas americanas que controlam nosso ecossistema de informação global são tendenciosas contra os fatos, tendenciosas contra os jornalistas (…) Elas estão – por design – nos dividindo e nos radicalizando.”, afirmou Ressa. E acrescentou: “Sem os fatos [porém], não podemos ter a verdade. Sem a verdade, não podemos ter a confiança. Sem confiança, não temos (…) democracia, e se torna impossível enfrentar os problemas existenciais do nosso planeta: o clima, o coronavírus, a luta pela verdade”.

Ressa ainda criticou as redes sociais pela difusão de desinformação e ódio. “Nossa maior necessidade hoje é transformar esse ódio e violência, a lama tóxica que está percorrendo nosso ecossistema de informações, priorizada por empresas americanas de internet que ganham mais dinheiro espalhando esse ódio e desencadeando o que há de pior em nós”, disse.

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‘Informar não deve custar a vida’

Até 1º de dezembro, 1.636 jornalistas morreram nos últimos 20 anos no mundo, 46 em 2021, segundo os dados de Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Além disso, o número de jornalistas detidos também bateu recorde, com 293 profissionais presos, segundo denunciou na quinta-feira o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), com sede nos Estados Unidos.

“Informar não deve continuar custando a vida”, insistiu o secretário-geral de RSF, Christophe Deloire, durante a apresentação do relatório esta semana.

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Ambos os jornalistas premiados nesta sexta-feira enfrentaram perseguições de seus governos. Seis jornalistas e colaboradores do Novaya Gazeta foram assassinados sob sua supervisão na Rússia, incluindo Anna Politkovskaya, cujo assassinato em 2006 no elevador de seu prédio nunca foi solucionado – Muratov dedicou o prêmio aos colegas. Ressa, há muito tempo uma crítica conhecida do líder autoritário de seu país, foi alvo de sete processos criminais, incluindo por difamação cibernética e evasão fiscal, movidos pelo governo filipino. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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