O governo de Bangladesh decidiu impor um toque de recolher e mobilizou forças a fim de conter a onda de protestos que ganhou ainda mais força nesta sexta-feira (19). O confronto entre a polícia e manifestantes já resultou em mais de 100 mortes no país.
O que está acontecendo em Bangladesh?
Deste o início do mês, Bangladesh enfrenta uma mobilização com protestos de estudantes que se opõem ao sistema de cotas que reserva mais da metade dos cargos públicos no país a alguns setores da sociedade, como filhos dos veteranos da guerra de libertação de 1971 contra o Paquistão.
Segundo os opositores, o sistema beneficia jovens próximos a Sheikh Hasina, primeira-ministra, de 76 anos, que governa o país desde 2009. Até o momento, o movimento já resultou em passeatas, invasão em uma prisão e bloqueio de estradas e ferrovias.
“O governo decidiu impor um toque de recolher e enviar o Exército para ajudar as autoridades civis”, informou à AFP Nayeemul Islam Khan, secretário de imprensa da primeira-ministra.
A decisão foi tomada depois que a polícia da capital, Daca, proibiu reuniões públicas a fim de sufocar os protestos. “Proibimos todas as manifestações, passeatas e reuniões públicas em Daca hoje”, disse o chefe de polícia Habibur Rahman à AFP.
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De acordo com uma lista consultada pela AFP no hospital universitário da cidade, 52 pessoas morreram ontem apenas em Daca. Além disso, funcionários da unidade de saúde afirmaram que mais de dois terços dos óbitos registrados ao longo da semana teriam sido causados por fogo policial.
Por sua vez, a polícia da capital informou que os opositores têm incendiado, vandalizado e realizado “atividades destrutivas” em delegacias e escritórios do governo, incluindo a sede da estatal Bangladesh Television na capital. O canal continua fora do ar depois que centenas de estudantes invadiram e incendiaram um prédio.
“Cerca de 100 policiais ficaram feridos nos confrontos de ontem. Cerca de 50 cabines policiais foram incendiadas”, informou a Polícia Metropolitana de Daca em comunicado.
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