No último dia 6, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) protocolou um pedido de CPI (Comissão parlamentar de inquérito) a fim de investigar ONGs e entidades que promovem trabalho social com dependentes químicos e pessoas carentes na Cracolândia. O principal alvo da proposta é o padre Júlia Lancellotti, que coordena a Pastoral do Povo de Rua da Igreja Católica em São Paulo.
Após a repercussão negativa nas redes sociais, quatro vereadores anunciaram a retirada de apoio à abertura da CPI, sendo eles Thammy Miranda (PL), Xexéu Tripoli (PSDB), Sidney Cruz (Solidariedade) e Sidney Cruz (Solidariedade). Eles afirmam que foram “enganados” por Nunes, uma vez que o requerimento não fazia menção direta à Lancellotti. Eles avaliam que o vereador deliberadamente direcionou a CPI para atacar o padre.
No requerimento, Nunes argumenta que a “finalidade de investigar as Organizações Não Governamentais que fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento aos grupos de usuários que frequentam a região da Cracolândia”.
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“Nós fomos enganados e apunhalados pelas costas. O documento de CPI que assinamos nunca citou o padre Júlio e usou de uma situação séria para angariar apoio. 90% dos vereadores que assinaram esse pedido não sabiam desse direcionamento político do vereador [Rubinho] nessa CPI”, justificou Thammy Miranda ao site g1.
Após a solicitação de abertura da CPI , a Arquidiocese de São Paulo, órgão máximo da Igreja Católica Romana no estado, emitiu uma nota de repúdio, onde se diz perplexa com um pedido de investigação contra um membro da igreja que dedica à vida a caridade e apoio às pessoas pobres.
“Acompanhamos com perplexidade as recentes notícias veiculadas pela imprensa sobre a possível abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que coloca em dúvida a conduta do Padre Júlio Lancellotti no serviço pastoral à população em situação de rua”, diz o texto. “Na qualidade de Vigário Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, Padre Júlio exerce o importante trabalho de coordenação, articulação e animação dos vários serviços pastorais voltados ao atendimento, acolhida e cuidado das pessoas em situação de rua na cidade. Reiteramos a importância de que, em nome da Igreja, continuem a ser realizadas as obras de misericórdia junto aos mais pobres e sofredores da sociedade”.
O g1 teve acesso ao documento que, ao todo, conta com 24 assinaturas. Entretanto, o nome do vereador Xexéu Tripoli (PSDB) aparece duas vezes no pedido e outros dois signatários não foram identificados. Veja abaixo os vereadores que assinaram a ação:
Rubinho Nunes (União Brasil)
Adilson Amadeu (União Brasil)
Sandra Tadeu (União Brasil) – retirou apoio
Thammy Miranda (PL) – retirou apoio
Fernando Holiday (PL)
Isac Felix (PL)
Xexéu Tripoli (PSDB) – retirou apoio
Fábio Riva (PSDB)
João Jorge (PSDB)
Gilson Barreto (PSDB)
Beto do Social (PSDB)
Rute Costa (PSDB)
Bombeiro Major Palumbo (Progressistas)
Sidney Cruz (Solidariedade) – retirou apoio
Rodrigo Goulart (PSD)
Atílio Francisco (Republicanos)
Jorge Wilson Filho (Republicanos)
Sansão Pereira (Republicanos)
Dr. Nunes Peixeiro (MDB)
Marlon Luz (MDB)
Dr. Milton Ferreira (Podemos)
Rodrigo Goulart (PSD)
Não identificado
Não identificado
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