Quando falamos de rentabilidade dos investimentos, é muito comum os investidores iniciantes levarem em conta apenas a rentabilidade bruta. Por exemplo, o título público Tesouro Selic, no momento que eu escrevo esse texto, está com uma rentabilidade de 13,75% ao ano.
“Uau! Isso é demais! Mais de 1% ao mês com risco quase zero!”. Muita calma nessa hora. Além do fato de alguns investimentos estarem sujeitos às taxas do Imposto de Renda (como é o caso do Tesouro Selic), tem algo ainda mais importante a ser levado em consideração.
Um governo eleva as taxas de juros não por acaso. Quando faz isso, normalmente ele está usando os juros como uma estratégia de sua política monetária, para tentar controlar um grande vilão da economia: a inflação.
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O ESTRAGO DA INFLAÇÃO
A inflação é muito danosa para a economia. Deixa turva a nossa visão sobre preço e valor, e dificulta o planejamento financeiro das empresas e das pessoas.
Dê uma olhada nesse quadro abaixo. Ele mostra o estrago que a inflação costuma fazer ao longo dos anos. Nesse quadro, por questões didáticas, foi considerada uma inflação sempre linear (valor fixo ao longo dos anos, o que quase nunca acontece).
Falando isso tudo de um jeito mais prático, imagine hoje o que você consegue comprar com R$ 1.000. Na primeira coluna, com inflação fixa de 2% ao ano, depois de terem se passado 10 anos, você precisaria de R$ 1.219 para comprar a mesma coisa que hoje você compra com R$ 1.000.
Quanto mais o tempo passa, e quanto maior for o percentual anual da inflação, maior é o estrago no seu poder de compra. Veja a última coluna, que estima uma inflação fixa de 10% ao ano.
Nesse cenário, depois de 10 anos, você precisa de R$ 2.594 para comprar a mesma coisa que hoje você paga R$ 1.000. E na medida que os anos vão passando, por conta do efeito dos juros sobre os juros, a desvalorização do dinheiro vai ficando cada vez maior.
Imagine nesse mesmo cenário da última coluna, você planejando a sua aposentadoria para que ela aconteça daqui a 40 anos. Chegando lá, você precisaria ter acumulado R$ 45.259 para conseguir comprar a mesma coisa que hoje você compra por R$ 1.000. Que estrago, hein?
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PROTEGENDO O PODER DE COMPRA DO SEU DINHEIRO
Como você pode perceber, a inflação realmente atrapalha muito o nosso planejamento financeiro de médio e principalmente de longo prazo. Por isso é tão importante investirmos o nosso dinheiro, de tal forma, que os rendimentos fiquem sempre iguais ou acima da inflação.
Assim, no pior dos casos, conseguimos proteger nosso poder de compra. E mesmo assim, quando eu falo “proteger”, estou dizendo isso de forma aproximada. Porque a inflação do governo é medida através de uma premissa, de uma cesta de produtos que ele supõe que você consome.
Na verdade, cada um de nós tem o seu próprio índice de inflação, que é baseado nos produtos que você e sua família consomem regularmente. Mas como é bastante complicado fazer essa medição mês a mês, e mais ainda estimar a sua inflação pessoal ano a ano, então terminamos usando os índices de inflação do governo para facilitar os cálculos e estimativas.
Voltando ao exemplo de investimento do primeiro parágrafo: enquanto eu escrevo esse texto, o investimento Tesouro Selic está rendendo 13.75% ao ano. E a inflação medida pelo IPCA está em 10,07% ao ano.
Apenas para fins didáticos, se subtrairmos um valor do outro, teremos um rendimento anual (quase) real de 3,68%. Digo “quase”, porque ainda há que se descontar as taxas semestrais cobradas pelo programa Tesouro Direto (se aplicáveis, já que há condições de isenção) e também o Imposto de Renda que incide sobre os lucros do período.
De qualquer modo, é um investimento que, hoje, consegue vencer a inflação e ainda prover para você um rendimento real ao ano. Ele preserva o seu poder de compra ao longo do tempo e faz seu dinheiro crescer.
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É PRECISO ACOMPANHAR A ECONOMIA
Saiba que nem sempre é assim. Há poucos anos tivemos momentos em que a inflação do mês esteve maior que a taxa de juros do país. Nesses períodos, o que temos é uma rentabilidade negativa, ou seja, estamos perdendo o poder de compra do dinheiro poupado.
Por esse motivo, é importante ter na carteira outros tipos de investimento, de tal forma que a gente consiga continuar protegendo e fazendo nosso dinheiro crescer. Uma opção é investir no título público Tesouro IPCA+, que sempre irá render um pouco acima da inflação medida pelo índice IPCA.
Enquanto escrevo esse texto, por exemplo, o Tesouro IPCA+ 2026, está rendendo a inflação + 5,79% ao ano. Lembrando que esta rentabilidade só é garantida se você levar o título até o dia do vencimento, no ano 2026. Portanto, vale entender e diversificar o seu dinheiro, de acordo com as características de cada tipo de investimento que você vier a fazer.
Quando você estiver bem protegido nestes e outros investimentos de renda fixa, você pode começar na renda variável, como nas ações e fundos imobiliários, sempre aos poucos e com muita prudência.
Tenha em mente que a economia é dinâmica. Está em constante mutação. Por isso é importante você entender como esse mecanismo de juros e inflação funciona, para você ter condições de acompanhar o dia a dia da economia nacional e mundial. Assim você terá condições de tomar melhores decisões para proteger e aumentar o seu patrimônio.
Um jeito bacana de você fazer isso é acompanhar os conteúdos em vídeo do canal Dinheiro Com Você, que publica vídeos semanais sobre investimentos, geração de renda e macro economia.
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