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AraraquaravidaemquatrolinhasAfinal, qual é o verdadeiro trabalho de um treinador?

Afinal, qual é o verdadeiro trabalho de um treinador?

A sistematização do jogo corintiano indica a capacidade de Sylvinho em transformar sua equipe em um todo coerente

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O Corinthians de Sylvinho entre em campo pressionado hoje (24), contra o Internacional, em partida válida pelo Brasileirão. (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

 

Após a derrota para o São Paulo, por 1 a 0, a frustração invadiu o coração do torcedor corintiano, que pede a saída de Sylvinho do comando técnico da equipe, ignorando que esse é o melhor momento do clube desde o título brasileiro de 2017. 

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O incômodo, fruto da expectativa criada sobre um elenco reforçado por Renato Augusto, Giuliano, Willian e Roger Guedes, não justificaria a demissão. Contudo, isso também não significa que não existem lacunas no trabalho do treinador.

Organizado no 4-1-4-1, a dinâmica coletiva do Corinthians, em fase ofensiva, passa pelo princípio da ocupação racional dos espaços. Através dela, o time conseguiu ser melhor do que o Palmeiras, em um jogo orientado para o contra-ataque, da mesma forma que buscou o empate contra o RB Bragantino, nos minutos finais, estando presente no campo de ataque durante todo o confronto. Em ambos os casos, foi superior em desempenho.

Entretanto, em contextos que inibem as vantagens geradas por essa organização, o time não apresentou alternativas capazes de recriar situações favoráveis dentro das partidas, como resposta às adversidades impostas pelos adversários — o que pode, inclusive, ser sintoma de um trabalho ainda em desenvolvimento.

Nesse sentido, a sistematização do jogo corintiano indica a capacidade de Sylvinho em transformar sua equipe em um todo coerente. Porém, faltam variações que não façam do Corinthians um time estruturado, mas monotemático.

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Por outro lado, um dos treinadores mais aclamados do futebol brasileiro é Renato Gaúcho. Identificado com o jogo “intuitivo”, o que significaria outorgar à criatividade dos jogadores a elaboração do momento ofensivo, há quem compreenda que seus times expressam o melhor caminho para resgatar o sonhado futebol bonito. Uma tese contestável, considerando a realidade vivida contra Cuiabá e Athletico Paranaense.

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Em entrevista ao “El País”, César Luis Menotti, treinador argentino campeão mundial em 1978, atual diretor de seleções do seu país e patrono de uma dinastia que propõe um futebol ofensivo e criativo na Argentina (como bom rosarino que é), diz que o treinador de futebol é como um professor, no ofício de ensinar sobre o jogo aos jogadores, o que seria condição para que os atletas tenham maior liberdade de ação dentro do campo. Segundo Menotti, essa autonomia depende diretamente do conhecimento (enquanto aptidão interpretativa) apreendido pelos jogadores e sempre estará ligada ao funcionamento coletivo da equipe. Portanto, não há uma contradição entre a liberdade criativa e a normatização tática. Na realidade, são dimensões complementares e que se potencializam mutuamente. Só se é livre em um jogo coletivo, com um sentido comum compartilhado.

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Desse modo, quando vemos jogadores como William Arão e Diego arrancando com a bola desde a defesa, sem qualquer opção de passe para progredir no ataque, solitários contra a pressão do Athletico Paranaense, ou no momento em que enxergamos os meio-campistas do Flamengo aglomerados com a bola no centro do campo, sem saber o que fazer com ela para desorganizar o sistema defensivo do Cuiabá, podemos concluir que se trata de uma autonomia esvaziada.

Se ao Corinthians de Sylvinho, apesar da organização sistemática da equipe, falta inventar soluções durante o jogo jogado, no Flamengo de Renato Gaúcho não vemos uma inteligência coletiva que seja capaz de potencializar a liberdade criativa dos seus jogadores. Ambos precisam contribuir para que seus jogadores sejam melhores para responder às demandas do jogo.

Afinal, esse é o trabalho de um treinador.

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