O Brasil registrou o primeiro caso de infecção por Trichophyton indotineae, um superfungo resistente aos tratamentos médicos. O registro foi feito em Piracicaba, após um homem de 40 anos procurar atendimento médico. O paciente teve uma micose persistente após viajar por vários países da Europa.
Diante da dificuldade para tratar a infecção, os médicos acionaram um laboratório especializado em São Paulo, que confirmou o diagnóstico. O caso ocorreu em outubro do ano passado, mas só foi divulgado agora.


Como aconteceu infecção pelo superfungo?
O paciente diagnosticado com o superfungo é um brasileiro que reside em Londres, no Reino Unido.
De acordo com uma publicação nos Anais Brasileiros de Dermatologia de fevereiro deste ano, as lesões surgiram em janeiro de 2024, após o paciente ter viajado para Áustria, Eslováquia, Hungria, Polônia, Escócia e Turquia no final de 2023.
A primeira consulta médica ocorreu em março de 2024, em Piracicaba, enquanto o paciente visitava a família. Na ocasião, ele foi medicado e voltou para o Reino Unido. No entanto, dois meses depois, ao retornar ao Brasil, ainda apresentava as mesmas lesões. Apesar dos novos tratamentos inicialmente surtirem efeito, os sintomas voltavam após a suspensão da medicação.
Diante da falta de eficácia dos tratamentos convencionais, surgiu a suspeita de que as lesões fossem causadas por um superfungo, hipótese que foi confirmada por exames laboratoriais.
Sem risco de morte, mas com impacto na qualidade de vida
Embora o superfungo não ofereça risco de morte, ele pode causar transtornos significativos, pois a cura é mais difícil. A dermatologista Renata Diniz explica que o fungo sofreu uma mutação que aumentou sua resistência aos tratamentos convencionais.
“Esse fungo, na verdade, se originou a partir de um fungo já existente, mas sofreu uma mutação que o tornou mais resistente aos antifúngicos mais utilizados. Embora não seja grave a ponto de invadir o corpo e causar alta mortalidade, ele impacta a qualidade de vida devido à resistência ao tratamento. As lesões causadas são restritas à pele”,
explica a médica.
Formas de transmissão do superfungo
Renata também destacou como ocorre a transmissão do fungo.
“A transmissão acontece principalmente por contato direto, como o uso compartilhado de toalhas e calçados, ou contato pele a pele. Superfícies contaminadas e ambientes fechados, úmidos e escuros também favorecem a proliferação e disseminação do fungo”,
detalha.
Após o diagnóstico, a médica alertou outros profissionais de saúde em Piracicaba, mas, desde então, não atendeu mais nenhum caso suspeito da infecção.
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