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Cirurgia de separação das gêmeas siamesas completa dois anos

Procedimento inédito no Brasil foi executado em cinco etapas, em um prazo de oito meses, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto; veja as meninas agora

| ACidadeON/Ribeirao

Foto do Facebook de Débora Freitas, mãe das meninas
 

Há exatamente dois anos, no dia 27 de outubro de 2018, era iniciada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto a quinta e última cirurgia de separação das gêmeas siamesas Maria Ysabelle e Maria Ysadora, que nasceram unidas pelo topo da cabeça. 

Um novo marco na história da medicina nacional também foi conquistado 20 horas depois, quando os bons resultados do procedimento começaram a ser confirmados pela equipe de multiprofissionais. Isso porque as meninas foram as primeiras a serem operadas com esta técnica no Brasil. 
 
Nas redes sociais, o pai da dupla, Diego Faria, compartilhou uma foto tirada minutos antes da etapa final ser concretizada e recebeu nos comentários: "dia abençoado".  

A rotina das irmãs, com visitas às praias do Ceará, onde moram, e até a festa intimista que ganharam como comemoração do 4º aniversário, também é postada com frequência pela mãe delas, Débora Freitas.  

"Me lembro como se fosse hoje, eu vendo as minhas pequeninas na mesma cama, mas separadas pela primeira vez. O tempo voa", ela escreveu, agradecida.  

ACidade ON tentou entrar em contato com o médico Eduardo Jucá, responsável pela transferência das ex-siamesas de Aquiraz (CE) para o interior paulista, mas o neurologista estava em atendimento e não pode conversar a reportagem. 

É ele que acompanha o desenvolvido das meninas de perto e mantém os profissionais de Ribeirão Preto atualizados sobre o caso. 

A cirurgia  

A família desembarcou no aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, em abril de 2018 e foi recepcionada por Hélio Machado, chefe do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica do HC e médico responsável pela equipe que atuou no caso. 

Foram oito meses de estudos, cirurgias inéditas no Brasil e celebrações até que a separação total das cabeças foi realizada no mês de outubro, com a presença de aproximadamente 30 profissionais de diversas áreas e assistência do professor americano James T. Goodrich.  

O neurocirurgião, falecido neste ano vítima da covid-19, foi peça-chave no planejamento dos procedimentos e teve em seu currículo a separação bem-sucedida de diversos gêmeos siameses a intenção do veterano era reunir todos os seus casos de sucesso, inclusive Maria Ysabelle e Maria Ysadora, em uma conferencia comemorativa nos Estados Unidos.   

A pandemia do novo coronavírus, no entanto, fez dele uma grande perda para a neurociência mundial.  

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A saga das siamesas

16 de fevereiro - As gêmeas siamesas Maria Ysabelle e Maria Ysadora são internadas no HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão para iniciar uma maratona inédita no País de cinco cirurgias para separação das cabeças

17 de fevereiro - A primeira cirurgia dura sete horas, com a participação de 30 profissionais. Médicos trabalham exclusivamente na separação das veias e artérias dos cérebros das meninas

19 de maio - As siamesas passam pela segunda cirurgia para separar as veias e artérias dos cérebros. O procedimento leva 8 horas e reúne 25 profissionais

4 de agosto - A terceira cirurgia dá continuidade ao processo de separação das veias e artérias dos cérebros, com duração de 8 horas e participação de 30 profissionais

24 de agosto - A quarta cirurgia implanta expansores para ampliar a área do tecido do couro cabeludo das siamesas. Procedimento dura cerca de 5 horas, com a participação de 20 profissionais

27 de outubro - Siamesas passam pela quinta e última cirurgia, em que será concluída a desconexão dos vasos entrelaçados dos dois cérebros, as cabeças serão separadas e os crânios serão recobertos com pele

Fontes: Hospital das Clínicas e ACidade ON 


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