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Brasil sempre quis um Oscar; Será que chegou a hora?

Em surdina, mas nem tanto, a imprensa e o governo agouram o documentário Democracia em vertigem, já premiado em várias mostras mundo afora

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Jornalista e escritor Julio Chiavenato (Foto: Weber Sian / ACidade ON)

Ribeirão, 2020

Plano Diretor? Não. Programa de Governo? Não. Melhoria na Saúde? Não. Melhor Educação? Não. Terceirizações? Ôôôô! Privatizações? OBA! Eleições? Chiii!
 

Fato e versão

Menina, 8 anos, dengue. Parada cardíaca. Hemorragia. Morte. Família conta os fatos, do início ao desfecho fatal. Autoridade, protocolar, constrói a versão. Fim. 


O futuro é nosso

Diário do Reino do Brazil, 19 de janeiro de 2030: "Dipôs do dezaparessimemto do último selvagem a Amazônia International está passificada pelas tropas do general Custer. O prínsipe herdeiro, Carlos 02, comemorou com seu irmão, o rei Flávio 01, engolindo um amburger com coca-cola, enquanto o primiê Eduardo 03 tomava conta da chocolataria da famílha e os ministro adubavam o laranjal. Agora, comentô o prínsipe, o garimpo pode futucar o chão atrás de nióbio. O rei Flávio desabafou: quero ver se eces va-ga-bun-dos que sobraro vai ter saco pra dizer que o mercúrio envenena os rio. Os povo aplaudiram e os pastor espera um aumento dos dicimo."
 

Vertiginoso

Os brasileiros sempre quiseram um Oscar. Agora, que pode ganhar, a torcida é contra. Em surdina, mas nem tanto, a imprensa e o governo agouram o documentário "Democracia em vertigem", já premiado em várias mostras mundo afora. 


Think right

Não caia nas explicações fáceis para as fake news. O que temos não é apenas "falso", é a mentira entranhada, a mendacidade no cotidiano. Nietzsche dizia que "não há fatos, apenas versões". Dele até nós muita empulhação passou debaixo da ponte. 

Fake news é o nome mais bonitinho para a pós-verdade (lembram-se?), inventada por um bando de safados para enganar a opinião pública. A pós-verdade não teve compromisso com a realidade: apelava às emoções para "passar" uma ideia (ou ideologia) partidária, contrariando o interesse social. Usava a mentira e fraudava a política. Por isso precisou justificar-se. Antes, os políticos mentirosos defenderam-se reforçando a própria mentira com dados falsos e manipulação argumentativa. A partir de certo ponto eles inventaram a pós-verdade adulterando o enunciado de Nietzsche e forjando a aparência do verdadeiro (a versão dos fatos) - é a base atual da propaganda e da "comunicação" dos políticos. 
  

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Hoje, as fake news já são o modus operandi da comunicação do poder. É a mentira institucionalizada que se espraia pela sociedade e deve ser tratada como uma patologia social, pois contamina a todos e encobre a mendacidade em que estamos envolvidos: chamar essa tragédia de fake news é aceitar a dissimulação sem dar resposta à altura. Ao contrário do que se pensa, as fake news não contrariam o politicamente correto, mas se reforçam com o cinismo e a hipocrisia em que vivemos ao apresentar-se como "rebelde", inventando outro politicamente correto - que age para reciclar a mentira. Exemplos: somos cristãos, mas não damos a outra face; o desembargador que proíbe manifestações que ele julga ferir os sentimentos religiosos é semiletrado e ignorante da legislação em que se apoia; a ministra que acena com abstinência sexual vê Jesus na goiabeira - e no topo do poder, o presidente é vassalo de um bufão gringo. 

Mas isso não é o cerne da questão, é a consequência de uma sociedade em que os poderosos exploram o povo e ninguém se julga explorador nem explorado. Resumindo: a alienação é total e até quem percebe hesita em açoitar a pulhice. Assim, em vez de lutar contra a asfixia da inteligência, rendemo-nos a tolerar o "outro lado" - o lado que mente e, se não for contido, logo estará prendendo e arrebentando: nisto eles não mentem, é o que exaltam do passado e prometem para o futuro.
 

Nietzschiana

"É preciso ter o caos dentro de si
para gerar uma estrela dançante".
Mas se você só pensa em "isso daí"
seu futuro será "imprecionante".
 

Sequência lógica

"Primeiro vem as risadas, depois as mentiras; por último o tiroteio." (Stephen King) 
 

*As opiniões do colunista nem sempre refletem o posicionamento do ACidade ON

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