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CotidianoDecana da Unesp Araraquara é indicada ao prêmio Ester Sabino

Decana da Unesp Araraquara é indicada ao prêmio Ester Sabino

Aos 90 anos, a professora Maria Helena de Moura Neves é uma das linguistas mais importantes do país e segue em atividade

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A linguista Maria Helena de Moura Neves, da Unesp Araraquara, está concorrendo ao prêmio Ester Sabino (Foto: Divulgação)
A linguista Maria Helena de Moura Neves, da Unesp Araraquara, está concorrendo ao prêmio Ester Sabino (Foto: Divulgação)

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“Por que um dia alguém resolveu fazer uma gramática?” Essa foi a pergunta que estimulou a carreira acadêmica de Maria Helena de Moura Neves. Decana da área de Linguística da Unesp no câmpus de Araraquara, a professora de 90 anos tem formação autodidata e uma série de livros que se tornaram referência na área. Até a próxima terça-feira (08), a pesquisadora é uma das três personalidades que concorrem à primeira edição do prêmio Ester Sabino. 

A premiação é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, para valorizar pesquisadoras que contribuem para o desenvolvimento científico no Estado. O prêmio presta homenagem a Ester Sabino, imunologista brasileira responsável pelo sequenciamento do genoma do novo coronavírus. 

O prêmio recebeu a indicação de candidatas e, após a análise do mérito das indicações por uma comissão, a professora da Unesp foi indicada na categoria Pesquisadora Sênior. A próxima etapa da premiação, entretanto, se dá por meio de voto popular, que pode ser feito por este link

A indicação para o prêmio coroa a extensa atuação e inesgotável dedicação de Maria Helena à Linguística. A pesquisadora é autora de dezenas de livros na área, como “A gramática do português revelada em textos”, pela Editora Unesp, vencedor do prêmio da Associação Brasileira das Editoras Universitárias, em 2019, e de obras que se tornaram referência entre linguistas, como “Gramática de usos do português”, lançado em 2011 pela mesma editora. “Gramáticas de usos são muito comuns na Língua Inglesa, por exemplo, mas não existiam para a Língua Portuguesa. Nem mesmo em Portugal. A única publicada é essa minha”, declarou a pesquisadora. 

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TRAJETÓRIA 

Como se pode notar, Maria Helena tem interesse especial pela gramática funcional, a forma como as pessoas se apropriam e constroem a maleabilidade da língua, muitas vezes subvertendo as suas normas. “A gramática é o software que permite que a gente produza linguagem”, sintetizou. 

Filha de um casal de professores, Maria Helena lembra que desde a infância sempre frequentou a biblioteca da família, um ambiente que lhe despertou desde muito cedo o interesse pelos livros. Seguindo os passos dos pais, foi professora do primário e depois do colegial mesmo sem ter ainda um diploma do ensino superior. “Com 18 anos pisei pela primeira vez o chão de uma sala de aula, e isso é o que faço até agora, sem nunca ter deixado de estar institucionalmente ligada a uma escola”, afirmou. 

Sua primeira graduação foi no curso de Letras (Português-Grego), na Unesp, em 1970. Desde então sua trajetória acadêmica foi meteórica. Seu início como professora contratada na Unesp foi na disciplina de Grego Clássico e Literatura, em 1972, enquanto terminava sua segunda graduação em Letras (Português-Alemão). Em 1978, concluiu o doutorado com a tese intitulada “A emergência da disciplina gramatical entre os gregos”, que reuniu dois dos seus maiores interesses, a linguística e a Língua, Literatura e Cultura Grega. Em 1984, obteve o título de livre-docente pela Unesp. 

ATIVIDADES 

Hoje aposentada, Maria Helena segue lúcida e ativa na docência, atuando voluntariamente como professora permanente da Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa, lecionando, orientando e realizando pesquisa, bem como na Pós-graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Como se não bastasse a docência, aos 90 anos, a decana participa de lives no YouTube, acaba de entregar um capítulo de livro a pedido de colegas Universidade de Oxford e está com um livro novo pronto para ser publicado em que discute como se constrói as negativas em linguagem e de que forma ela se reflete nos discursos. “Eu ainda sigo escrevendo pelo menos dez horas por dia”, revelou. 

A indicação para o prêmio, entre tantas cientistas do Estado, foi uma surpresa. “Eu esperava que neste momento que estamos vivendo, a comissão fosse escolher pessoas relacionadas à Saúde. Fico muito feliz que escolheram alguém da Linguística. Muita gente pensa que gramática é só regra, regra, regra. Mas é ciência também”, celebrou.

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