Após oito anos de separação, um casal de haitianos que vive em Campinas se reencontrou com os quatro filhos e avó dos jovens, que ainda moravam no país da América Central. No dia 20 de janeiro, o casal Jean Renel Homere e Wisline Calixte Homere, além de Benjamin, o filho mais novo que nasceu no Brasil, finalmente conseguiu abraçar a família.
Jean veio a Campinas para trabalhar como pedreiro. Um ano depois conseguiu trazer a esposa, Wisline, que deixou os quatro filhos com a avó no Haiti. Um tempo depois, nasceu Benjamin, o filho mais novo do casal. Mesmo conseguindo um emprego logo quando chegaram ao país e com mais um filho pequeno, Jean e Wisline não cessaram a luta para trazer os outros filhos e a avó deles para o Brasil.
Os pais das crianças explicaram que eles enfrentaram muitas dificuldades durante esses oito anos, principalmente com a falta de comunicação com os jovens, e relata que a preocupação assolava constantemente o sono do casal. “Você não tem internet, é muita dificuldade, às vezes eu não conseguia dormir”, disse o pedreiro.
“As crianças estavam lá, e às vezes você tá comendo e elas não. A gente mandava o dinheiro, mas não dava para sustentar eles lá, porque a vida lá é muito cara”, também informou a mãe dos jovens.
LEIA MAIS
Van de MC Daniel é cercada e show é cancelado em Sumaré; veja os vídeos
Estudante tem perfuração no tórax em trote universitário e é levado para hospital, em Campinas
FIO DE ESPERANÇA
Em meio a luta, Wisline conheceu a jornalista Clarice Tanaka, que planejou e ajudou a montar arrecadações para trazer as cinco pessoas para o país. A jornalista teve a ideia de fazer uma feijoada solidária para juntar o dinheiro que faltava para as passagens, e foi um sucesso, ascendeu um fio de esperança.
“Aconteceram coisas que a gente não esperava, como a suspensão do fretamento de voos do Haiti para o Brasil. Ai no início desse ano, tivemos a informação que um voo estava sendo fretado, de Porto Príncipe a Manaus e foi aí a chance que nós vimos de trazer as cinco pessoa para cá”, informou Clarice.
Aline Tanaka Kracizy, publicitária, também ajudou na causa, e disse que outros problemas aconteceram antes do dia do embarque. “Até um dia antes do embarque eles não estavam com a autorização para entrar no Brasil, tinha caído a liminar. Então tivemos que correr com advogado, correr com teste de Covid, para poder embarcar”, explicou a publicitária.
No entanto, mesmo com tantos obstáculos, depois de oito anos, em janeiro, a família de Jean e Wisline vieram para o Brasil. A rede de apoio informou que também conseguiu levantar mais arrecadações para trazer os jovens e a avó de Manaus para Campinas. E no dia 20 do mês passado a família finalmente se reencontrou.
REENCONTRO E FUTURO
Após o reecontro, a família realizou uma confraternização ontem (5) para agradecer a todos que doaram a ajudaram a causa. Wisline, a mãe dos cinco jovens, agora reunidos, só quer olhar para o futuro. “Saúde, paz e muito amor para a família, né, vamos para frente”.
“A questão dos refugiados é de todos nós, né? São centenas, milhares de crianças hoje ainda longe dos pais em função da imigração forçada”, finalizou a jornalista.
LEIA TAMBÉM
Governo reforça presença da Força Nacional e da PF em Roraima