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Número de transplantes renais no Estado cai 36% durante pandemia

Em 2020 foram realizados 5.387 transplantes do órgão; com falta de vazão de pacientes, nefrologista Henrique Carrascossi alerta para superlotação de clínicas de hemodiálise

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Número de transplantes renais no Estado cai 36% durante pandemia. Foto: Reprodução

O Estado de São Paulo registrou uma queda de 36% no transplante de rins durante o período da pandemia. Segundo especialistas, a causa dessa situação foi a suspensão de cirurgias eletivas já agendadas em decorrência das mudanças da saúde brasileira. 

De acordo com a Central de Transplantes do Estado de São Paulo, em todo o ano de 2020 foram realizados 5.387 transplantes do órgão, enquanto em 2019, foram 8.440 procedimentos no total. Uma queda de aproximadamente 36%. 

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Segundo o nefrologista Henrique Carrascossi, a diminuição reflete em um problema para a saúde pública: a falta de vazão dos pacientes que necessitam de um novo rim acaba por aumentar a fila da hemodiálise e diálise peritonial, medidas que substituem a função do órgão no organismo. 

“O número de pessoas que precisam de tratamento foi mantido, mas passamos a ter uma saída menor para os transplantes. Isso superlota o sistema de saúde da terapia renal substitutiva em clínicas, que já estão todas superlotadas. Consequentemente, a lista aumenta, a espera aumenta e, infelizmente, as complicações dos procedimentos de hemodiálise aumentam também”, diz. 

Causas da queda
O nefrologista explica que a queda dos números tem relação com o cancelamento de transplantes em que o órgão é doado por uma pessoa compatível ainda em vida. Isso acontece porque não há necessidade de realizar a cirurgia imediata, como nos casos em que o órgão é de doador falecido e precisa ser transplantado em até 36 horas. 

Além disso, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, os hospitais passaram a seguir protocolos de triagem clínica dos potenciais doadores, realizando testes para Covid-19 antes de qualquer procedimento, prezando pela segurança dos profissionais de saúde e pacientes receptores. 

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Conforme diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), pessoas com diagnóstico da doença com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadores de órgãos. 

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“Temos também uma preocupação com o paciente que recebe o órgão. Depois de um transplante, é comum que ele fique de dois a três meses com o sistema imunológico comprometido e, dessa forma, mais propenso a ter complicações graves se for contaminado pelo novo coronavírus”, diz. 

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Como ser um doador
Atualmente, no Estado de São Paulo, há 14.858 pacientes aguardando um transplante de rim, 338 de fígado, 149 de coração, 96 de pulmão, 7 de pâncreas e 3.304 de córneas. 

A doação é fundamental para ajudar a salvar vidas. Deve ser consentida e quem quiser ser doador não precisa mais incluir a informação no RG ou na CNH. Basta comunicar a família sobre esse desejo. 

No caso dos falecidos, a autorização para doação deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco. A Central de Transplantes reforça a orientação de que haja diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser ou não doador de órgãos, pois isso facilita a tomada de decisão.

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