20 de abril de 2024
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Indígenas Krenak e Kaiowá serão reparados por violações da ditadura

Comissão de Anistia fará primeiras reparações coletivas referentes ao regime militar, implantado há 60 anos no Brasil

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Decisão foi votada unanimemente (Foto: Cimi)

A Comissão de Anistia concedeu, em sessão desta terça-feira (2), os primeiros pedidos de reparação coletiva da história do Brasil. Após análise dos requerimentos apresentados pelos povos indígenas Krenak (do norte de Minas Gerais) e Guarani Kaiowá (do Mato Grosso do Sul), no qual constavam acusações ao Estado brasileiro de violar diversos direitos humanos durante a ditadura militar. A decisão foi aprovada em unanimidade pelo colegiado.

A concessão de reparação coletiva se tornou possível por causa de uma mudança no regimento, aprovada pela Comissão, que é um órgão colegiado do governo federal vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, em março do ano passado. Até então, as indenizações por crimes e violações do Estado brasileiro no período ditatorial eram feitas apenas individualmente.

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Reparação coletiva aos indígenas

Enea Stutz de Almeida, presidente da Comissão, argumentou na sessão como os especialistas destacaram a importância de não individualizar a reparação dos indígenas. “O que faz sentido para as comunidades é a reparação coletiva”, disse.

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A reparação coletiva não prevê ressarcimento econômico. O dispositivo concede anistia política e recomenda que outros órgãos públicos assegurem direitos a esses grupos violados. A medida também tem um caráter simbólico de pedido de desculpas.

No caso dos povos indígenas, por exemplo, apontaram a necessidade de atenção especial a questões sanitárias e de saúde nas comunidades. Outra demanda apresentada foi para que ocorresse a demarcação dos territórios. O colegiado ficou de apresentar uma recomendação ao governo Lula para que as terras Krenak e Kaiowá sejam demarcadas.

Os indígenas das duas comunidades foram perseguidos pelo regime militar e foram forçados a deixar os seus territórios, entre 1946 e 1988. A ditatura construiu um reformatório no território Krenak, que, segundo especialistas do Ministério dos Direitos Humanos, se tornou um centro de detenção arbitrária para realizar o controle social desses indígenas. Também houve privações do exercício dos ritos religiosos desses povos.

O relator do caso Krenak, Leonardo Kauer Zinn, afirmou que o requerimento apresentado pelos indígenas reuniu farta quantidade de provas que atestam que “houve forte intervenção governamental e empresarial nas terras indígenas, que resultou em mortes, violação à integridade física dos indígenas e profundas desintegração dos modos de vida, colocando em risco a sua existência enquanto povo”.

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“Os direitos indígenas foram desrespeitados, tanto em relação às suas terras quanto às suas liberdades. Os governos militares foram caracterizados pelos desrespeito às instituições indígenas e pela sistemática expulsão de seus territórios tradicionais”, disse Zinn.

O pedido de reparação ao povo Krenak ficou parado na Comissão de Anistia durante os governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) assumiu o Palácio do Planalto, o caso foi pautado, mas foi indeferido, em 2022. Ele retornou à Comissão por meio de um recurso.

A Comissão ainda formalizou pedidos de desculpas às duas comunidades indígenas pelos crimes cometidos por autoridades do Estado brasileiro. “Eu quero, em nome do Brasil e do Estado brasileiro, pedir desculpas ao senhor. Que o senhor leve esse pedido de desculpas a todo o povo guarani Kaiowá. Em nome da Comissão de Anistia do Estado brasileiro, nós concordamos com todos os termos da proposta que o senhor e o povo trouxeram para a gente”, disse Enea ao líder do povo Kaiowá, Tito.

*Com informações de Agência Estado

**Sob supervisão de Marcos Andrade

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Janaína Boaventura
Estagiária no Tudo EP e a A Cidade ON, é graduanda em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Adentrou no Grupo EP em 2024 e atua nos conteúdos digitais, enfaticamente com a parte textual.
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