18 de abril de 2024
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Serpente azul vibrante é batizada de Rita Lee em homenagem à cantora

Víbora-de-lábios-brancos, colocada aos cuidados do Instituto Butantan, chama atenção de pesquisadores pela cor vibrante

rita lee, apresentação, cobra
Veneno do réptil pode causar hemorragia e necrose do tecido (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

Um exemplar da víbora-dos-lábios-brancos, espécie de cobra rara vinda da Indonésia, foi resgatado do tráfico de animais silvestres e colocado aos cuidados do Instituto Butantan. O animal foi apelidado de Rita Lee, em homenagem à estrela do rock e sua trajetória enquanto ativista pelo meio ambiente, principalmente, com os animais.

A espécie está no Museu Biológico, no Parque da Ciência do Butantan, e pode ser visitada. A serpente é um macho que mede 65 centímetros e pesa 60 gramas. Ela tem cor azul, olhos vermelhos e cauda preênsil de coloração vibrante. Veja a foto:

Foto: Governo de SP

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Homenagem à Rita Lee

O macho de víbora azul chegou ao Museu Biológico do Butantan em 14 de junho de 2023, pouco mais de um mês depois da morte da cantora Rita Lee.

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“Essa serpente é a nossa ‘ovelha azul’, por que ela é muito diferente, assim como a Rita, que foi inovadora nas ideias, na música e na conservação do meio ambiente através de seus livros”, diz a diretora do Museu Biológico do Butantan, Erika Hingst-Zaher.

De acordo com a diretora, homenagear a cantora na cobra também foi uma forma de incentivar as meninas a se interessarem por ciência.

Em sua carreira, a ligação de Rita Lee com as cobras rendeu momentos icônicos. Em 1947, por exemplo, a cantora resgatou duas jiboias de um show do rockeiro Alice Cooper, em São Paulo. Ela também já se vestiu de naja para cantar um de seus maiores hits, Erva Venenosa.

Resgate

A cobra, cujo nome cientifico é Trimeresurus insularis, foi resgatada na Bahia com outros 59 animais pela Polícia Rodoviária Federal. Ela estava sendo transportada de forma ilegal em um ônibus que vinha São Paulo. Alguns dos animais transportados foram para o Butantan, como a víbora azul.

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A equipe do instituto montou um espaço com galhos de árvores e vegetação semelhantes ao habitat natural da espécie para ajudá-la na adaptação. Eles pretendiam receber um casal de víboras azuis. Entretanto, a fêmea, que havia chegado em situação mais precária, morreu dois dias depois.

“A serpente (macho) ficou uns dias sem querer se alimentar e praticamente não se locomovia até se sentir segura. Mas agora já está se alimentando normalmente”, conta a pesquisadora científica e coordenadora de manutenção animal do museu, Silvia Cardoso.

As víboras azuis preferem ficar em topo de árvores, onde se camuflam, e quase nunca descem até o chão. “Fizemos a ambientação de um recinto com galhos de diferentes espessuras, cipós, rochas, abrigos e aquecimento, para ela escolher os locais de sua preferência para repouso, locomoção e alimentação”, explica a bióloga.

Na natureza, essas cobras se alimentam de pássaros, pequenos mamíferos, anfíbios e lagartos. A cauda preênsil serve para se pendurar em galhos e agarrar as presas.

A maior parte da espécie tem cor verde, e as escamas azuis são, na verdade, incomuns. Esse padrão é encontrado em algumas ilhas da Indonésia por conta do polimorfismo, quando espécies sofrem mudanças em suas características para se adaptar a determinado ambiente.

O veneno da víbora azul

O Trimeresurus insularis tem um veneno que ataca as hemácias do sangue, causando hemorragia. Essas células são responsáveis por transportar oxigênio dos pulmões para todas as partes do corpo. O veneno também pode necrosar os tecidos e, assim, corroer a pele.

O veneno tem atuação local e parece com o das jararacas, já que não afeta o sistema nervoso.

Por ser uma espécie exótica, soros contra o veneno da víbora azul não estão disponíveis no Brasil. O Butantan, no entanto, tem ampolas por manter um exemplar da espécie no museu.

“É uma grande irresponsabilidade trazer estas serpentes dessa forma, sem qualquer cuidado com o animal e com risco de ocorrer acidentes sem o devido antiveneno disponível”, diz Silvia Cardoso.

*Com informações de Agência Estado

**Sob supervisão de Marcos Andrade

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Janaína Boaventura
Estagiária no Tudo EP e a A Cidade ON, é graduanda em Estudos Literários pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Adentrou no Grupo EP em 2024 e atua nos conteúdos digitais, enfaticamente com a parte textual.
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