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O reitor da Basílica de São Bento, padre Rodolfo Faria, usou a tribuna popular da Câmara de Araraquara nesta terça-feira (26) para defender a criação do feriado municipal “Dia de São Bento, padroeiro de Araraquara,” para ser celebrado no dia 11 de julho.
Em seu discurso, o representante da comunidade católica fez um resgate histórico da importância de São Bento para a criação da cidade de Araraquara há 206 anos, quando o fundador Pedro José Neto criou a primeira capela no mesmo terreno que hoje está a Basílica.
“Nosso papel é defender a história, a cultura e o patrimônio. Nossa Basílica é um patrimônio de Araraquara. No passado não fizeram, mas hoje são os senhores que têm a missão de fazer. Assim como Platão escreveu no Mito da Caverna, é urgente deixar as sombras no passado, e se eles não tiveram coragem, que agora tenhamos”, introduziu padre Rodolfo Faria.
“Estamos de passagem, no entanto, não podemos passar sem deixar sinais que perpetuem no tempo e na história. Os senhores estão tendo a oportunidade de escrever vossos nomes na história da nossa cidade”, completou o reitor da Basílica de São Bento.
O representante da comunidade católica também ressaltou os diferentes municípios que atualmente celebram o dia de seus padroeiros. “Tenho uma lista de cidades: Américo Brasiliense, São Carlos, Santa Lúcia, Rincão, Motuca, Boa Esperança do Sul, Matão, Gavião Peixoto, Ibaté, Nova Europa, Ibitinga, Tabatinga, Ribeirão Bonito, Ribeirão Preto, São Paulo, Porto Ferreira, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Campinas, Catanduva, Bauru, São José do Rio Preto e Taquaritinga. Todas essas cidades estão erradas? Venho fazer esse apelo aos senhores vereadores e vereadoras para que vocês entendam a importância desse feriado”.
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Padre Rodolfo Faria também comentou a possibilidade de moradores deixarem a cidade devido à criação de um novo feriado. Esse é um dos argumentos utilizados por representantes dos setores econômicos para se manifestarem de forma contrária à iniciativa.
“Se uma minoria faz esse êxodo para outras cidades pelo feriado, falta também olhar um pouco para o nosso potencial turístico e econômico. A proposta não é apenas a criação de um feriado religioso, mas reconhecer a história da cidade de Araraquara. Não é favorecer apenas os católicos, ou a Basílica, mas reconhecer a história de Araraquara”, disse.
Além do representante da Basílica de São Bento, outros oito vereadores se manifestaram sobre a temática. Fabi Virgílio (PT), disse não ser contrária à iniciativa, porém, revelou preocupação com a possível substituição da data pelo feriado de 20 de novembro, em que é celebrado em Araraquara o “Dia da Consciência Negra e dos Orixás”.
“Sou favorável ao projeto, mas se ele tiver que revogar essa lei que foi uma luta grande, onde o movimento negro fez um levante em Araraquara e ela foi uma das primeiras cidades a instituir esse dia como feriado não consigo votar”, ressaltou.
A vereadora Filipa Brunelli (PT) revelou a mesma preocupação. Em sua avaliação, diferentes parlamentares que não assinaram a proposta não fizeram por contrariedade, mas pela necessidade de retirar uma data estabelecida do calendário atual de feriados.
“Em Araraquara, o 20 de novembro é feriado por ser Dia dos Orixás. Ele foi tornado um dia de debate religioso, é a única cidade que tem isso como prerrogativa, uma vitória do movimento preto, do movimento candomblecista e de umbanda de Araraquara”, defendeu.
A possibilidade de criação do feriado de “São Bento, padroeiro de Araraquara” segue em discussão na Câmara Municipal. Nesta terça-feira (26), o projeto de lei julgou objeto de deliberação e agora segue para análise de constitucionalidade nas comissões permanentes.
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