A Câmara de Campinas arquivou com 21 votos favoráveis, seis contrários e três abstenções a apuração contra o vereador Nelson Hossri (PSD) por quebra de decoro parlamentar. A votação ocorreu nesta segunda-feira (13) (veja abaixo o painel de votação).
Era necessária a aprovação da maioria simples (mais de 50% dos presentes). O plenário aprovou o parecer emitido no dia 10 pela CP (Comissão Processante), que decidiu interromper a apuração por “não haver argumentos suficientes”.
A denúncia que motivou o processo dizia que Hossri “expôs a Casa, não atuou com sobriedade” e “cometeu tentativa de agressão e ameaças” na sessão de 8 de novembro, quando a vereadora Paolla Miguel (PT) foi alvo de injúria racial.
Instituída a partir de um sorteio e agora dissolvida devido ao fim da apuração, a Comissão Processante era composta pelo presidente Paulo Haddad (Cidadania), a relatora Paolla Miguel (PT), e o integrante Paulo Gaspar (Novo).
Haddad e Gaspar entenderam que não havia argumentos suficientes para seguir investigando a postura de Hossri. Já Paolla Miguel defendia a continuidade por entender que houve tentativa de agressão contra o Gustavo Petta (PCdoB).
O QUE DISSE HOSSRI
Logo após a votação, o vereador Nelson Hossri subiu à tribuna usando o tempo de liderança do partido e se manifestou sobre o resultado. Ele voltou a negar ter cometido qualquer ato que configurasse quebra de decoro parlamentar na Casa.
“Não houve injúria, não houve racismo, não houve quebra de decoro, não houve agressão e então não tem porque ter cassação e continuar a Comissão Processante. Houve sim uma grande injustiça e politicagem”, argumentou ele.
O vereador também voltou a atacar e disse que é contra o aborto, a corrupção e defende a família, pautas que a “esquerda abomina”. Além disso, citou que o relatório no qual se defendeu do processo provou que ele não era culpado.
“Obrigado à Comissão Processante. Agradeço especialmente ao vereador Paulo Haddad e ao vereador Paulo Gaspar pela imparcialidade. Atenderam e acolheram a defesa e entenderam que houve falta de materialidade”, agradeceu.
A defesa elaborada e entregue nas últimas semanas questionou o contexto que culminou na instauração da comissão. “A CP não passou pela corregedoria, foi imediatamente colocada em votação e, em seguida, aprovada”, argumenta.
Além disso, criticou também o fato de Paolla Miguel, citada como vítima na denúncia feita por um grupo de ativistas da cidade, participar da apuração. “Isso coloca em xeque a credibilidade de um dos membros da comissão”, defendeu.
Hossri também reforça a versão sustentada desde o dia da confusão no plenário e alega que o grito de “Petta lixo” proferido por algum dos manifestantes contra o vereador Gustavo Petta (PCdoB) foi confundido com a ofensa “preta lixo”.
O QUE DIZIA A DENÚNCIA
A denúncia defende que Hossri “expôs a Casa, não atuou com sobriedade” e “cometeu tentativa de agressão e ameaças” durante a sessão do dia 8 de novembro, quando Paolla Miguel (PT) foi alvo de injúria racial.
De acordo com o texto, o vereador “convocou grupos de apoiadores” que realizaram um ato antivacina na Câmara e incitou os manifestantes a ofenderem os colegas. Em um dos ataques, uma mulher xingou Paolla de “preta lixo”.
O documento se baseia ainda no artigo 6º do Código de Ética do Legislativo de Campinas, defende que houve postura “incompatível com o decoro parlamentar” e lembra que Hossri chegou a tirar a máscara durante discurso.
A solicitação foi assinada por três eleitores ligados a movimentos sociais e partidos de esquerda e cita ainda ameaças de agressão física contra o vereador Gustavo Petta (PCdoB) e de agressão verbal contra dois assessores da Casa.
O primeiro desentendimento aconteceu quando Petta desceu da tribuna, questionou a postura de Hossri. Neste momento, segundo o pedido de CP, ele foi “agredido verbalmente, ameaçado e empurrado” pelo vereador do PSD.
A confusão entre os dois foi registrada em vídeo durante a transmissão ao vivo da sessão. “Uma agressão física maior só não aconteceu porque Hossri foi contido”, alega o texto, que cita outros parlamentares que estavam próximos.
A outra ameaça aconteceu em um espaço interno da Câmara durante a suspensão da sessão por conta da confusão e do tumulto no plenário e nas galerias. Neste caso, Hossri teria ameaçado de agressão dois assessores de Petta.