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Cotidiano

Eliseu Hernandez: Psicologia em finanças pessoais

Objetivo é tentar entender como nossas emoções influenciam nossa tomada de decisões com relação ao dinheiro, seja na hora de ganhar, poupar ou investir

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Eliseu Hernandez D'Oliveira, assessor de investimento da BlueTrade (Foto: Weber Sian / ACidade ON

Existe uma área de estudos dentro da economia que chama finanças comportamentais. O objetivo é tentar entender como nossas emoções, temperamento e comportamento influenciam nossa tomada de decisões com relação ao dinheiro, seja na hora de ganhar, poupar ou investir. A psicologia por trás da ação de poupar explica em que você gasta seu dinheiro e por que isso acontece. Nós, como seres humanos, somos suscetíveis a decisões impulsivas ou irracionais e estarmos cientes e conscientes de nossos hábitos de consumo é o primeiro passo para reduzir compras desnecessárias.

Essa área de estudo surgiu ao questionarmos a hipótese de racionalidade perfeita que aparece no estudo tradicional de finanças. Essa hipótese diz que nós sempre tomamos as melhores decisões dada toda a informação disponível. Claramente algo não verdadeiro que simplifica a análise, porém permite mesmo assim chegarmos em conclusões importantes. Então, tentamos responder o que acontece com as conclusões quando a hipótese de racionalidade é quebrada.

Na hora de poupar, nosso comportamento racional seria de sempre economizar parte da renda. Quando os juros sobem, economizar mais e quando os juros caem, economizar menos. Entretanto nem sempre temos esse comportamento.

Independentemente de sua posição financeira atual, sua personalidade desempenha um papel importante para determinar se você é bom em economizar dinheiro. Acredita-se que alguém que é altamente honesto consigo mesmo tem mais chances de controlar melhor sua vida financeira pois é mais organizado e possui uma maior capacidade de regular as decisões por impulso. Compreender como sua personalidade está afetando seus hábitos de poupança ajudará a criar consciência pessoal, permitindo que você reconheça quando está prestes a tomar uma decisão que pode não se alinhar com seus objetivos originais.

Acredita-se que as influências dos pais e as experiências de vida têm um impacto no comportamento de um indivíduo quando se trata de economizar dinheiro. Quando criança, você é inconscientemente influenciado pelos hábitos de consumo dos pais. Quanto mais gastadores são os pais, maior a tendência dos filhos se tornarem gastadores também. O inverso também é verdadeiro. É claro que não é algo determinado. Porém na média, quando todas as outras variáveis estão sob controle, essa influência dos pais é importante.

É claro que é possível mudar os hábitos. Só tome cuidado com o sistema de recompensa em que nos "presenteamos" com algo depois de um determinado esforço. Para ficar mais claro, pense em nutrição e emagrecimento. Muitas pessoas depois de ir 5 dias na academia na semana e ter ficado firme na dieta, costumam avacalhar no final de semana pois merecem. Isso também acontece na hora de poupar. Depois de trabalharmos, no esforçamos, merecemos recompensas. Essas recompensas costumam sair caras quando somadas.

Finanças comportamentais não oferecem a fórmula do sucesso. Embora seja importante estar ciente dos fatores que o impedem de economizar, ter o poder e as ferramentas adequadas para alterar essas ações são igualmente essenciais. Analise sua relação com o dinheiro e determine como pode ser melhorada.

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