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Pacientes relatam falta de medicamento e leite de alto custo

Farmácia de Alto Custo do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto está sem receber medicamento desde maio e leite desde junho

| ACidadeON/Ribeirao

Foto ilustrativa (Foto: Pixabay)

 

Dois pacientes que utilizam a Farmácia de Alto Custo do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto relatam falta de medicamento e leite.

Uma das denúncias é de Rafael Luciano Vieira, de 26 anos. Desde os 9 anos ele toma o medicamento Desmopressina para auxiliar na retenção de líquidos após um câncer. "Esse câncer que tive atrás do olho afetou meu corpo de várias maneiras. Uma delas é que meu corpo não segura água nem mesmo enquanto estou dormindo".

Rafael afirma que mensalmente retira três caixas do medicamento na farmácia de alto custo do Hospital das Clínicas - cada caixa custa R$ 450. Mas há dois meses, o remédio desapareceu das prateleiras da instituição.  

"Falaram que estava sem e que teria que entrar em contato por telefone para ver se chegava. Ligo todos os dias, mas até agora ele não chegou. Já aconteceu de ficar sem, mas costuma voltar rápido. Desa vez está demorando demais." 

O jovem conseguiu comprar uma caixa de Desmopressina, mas teme que o remédio acabe antes de receber o do Estado. "Estou tomando ele só de noite para conseguir dormir, mas atrapalha muito a minha rotina ficar sem o medicamento", lamenta.

De acordo com a ex-presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Nina Musolino, esse remédio substitui a vasopressina, um hormônio antidiurético. "Quando ficamos bastante tempo sem tomar água, ele consegue segurar a urina e suportar a falta de líquidos. Quem perde a produção desse hormônio não tem esse mecanismo de proteção então pode se desidratar".

Leite de aminoácido também em falta

A assistente administrativa Flávia Siqueira também relata a falta do leite de Neocate na farmácia de alto custo do Hospital das Clíncas de Ribeirão Preto. O filho dela de dez meses, que é alérgico a proteína do leite, precisa consumir um leite de aminoácido, que custa R$ 180 a lata.   

"Descobrimos [a alergia] quando ele tinha três meses e quando ele precisou entrar na fórmula, tivemos que usar esse tipo de leite".

Ana Flávia explica que na empresa em que trabalhava, recebia esse tipo de leite. Mas agora que mudou de emprego, entrou com o pedido para retirar o produto na farmácia da Unidade de Emergência do HC. "Dei entrada no pedido no dia 6 de junho e até agora ele não chegou. Ganhei duas latas de uma amiga, mas elas não vão durar nem dez dias", conta.

Outro lado

Sobre o Desmopressina, a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo informou em nota que o medicamento já foi adquirido e o fornecedor descumpriu o prazo de entrega, em meados de junho. A empresa está sujeita a multa e segue sendo cobrada para agilizar o fornecimento.

A Coordenaria informou que Rafael será comunicado quando tiver disponibilidade do produto.

"Para atender os pacientes cadastrados no programa de Medicamentos Especializados em todo o Estado, a pasta estadual realiza planejamento periódico dos estoques [...] mas, alguns fatores alheios ao planejamento da pasta, podem ocasionar desabastecimentos temporários, como aumento inesperado de demanda (acima da margem de segurança prevista), atraso por parte do fornecedor, logística de distribuição do Ministério da Saúde, pregões 'vazios' (quando nenhuma empresa oferta o medicamento) ou 'fracassados' (quando as empresas estabelecem preços acima da média de mercado, o que inviabiliza legalmente a aquisição)", informou por nota.

Já sobre o Neocate, foi informado que a fórmula especial Neocate não faz parte da lista de produtos do SUS, definida pelo Ministério da Saúde e válida para todo o Brasil. No entanto, o Estado de São Paulo fornece as fórmulas por iniciativa própria. "O pedido referente ao caso citado pela reportagem foi protocolado em junho e foi iniciado o trâmite de aquisição. A previsão é que a empresa entregue o produto nas próximas semanas e a família será informada sobre a disponibilidade", conclui a nota.

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