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Causa da morte de jornalista é alvo de estudo da USP de Ribeirão

Pesquisa aponta que a covid-19 tem como característica a trombose, uma das causas da morte de Rodrigo Rodrigues, apresentador do SporTV e da TV Globo

| ACidadeON/Ribeirao

Rodrigo Rodrigues morreu aos 45 anos (Foto: Divulgação / Redes Sociais)
 
A causa da morte do jornalista Rodrigo Rodrigues, de 45 anos, é objeto de estudo de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto.   

A pesquisa, repercutida pelo ACidade ON neste mês, indica que a covid-19 tem como característica a formação da trombose, uma das causas que vitimou o apresentador do programa Troca de Passes, do SporTV, e da TV Globo.  
 
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Rodrigues, que relatou ter testado positivo para o novo coronavírus após ter contato com um amigo infectado, precisou passar por uma cirurgia no último domingo (26), para aliviar a pressão intracraniana por conta de uma trombose venosa cerebral. Ele não resistiu e morreu nesta terça (28).  

O estudo

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) registraram a formação de coágulos em pequenos vasos localizados embaixo da língua de pacientes internados com quadro grave de covid-19 , que precisaram ser submetidos à ventilação mecânica já no início da hospitalização. É a primeira documentação de imagem de trombose microvascular em pacientes vivos com a forma grave da doença.  

Os resultados, divulgados na plataforma medRxiv, corroboram a teoria de que distúrbios de coagulação sanguínea resultantes de uma intensa resposta inflamatória ao novo coronavírus estão relacionados aos sintomas mais graves da doença, como a insuficiência respiratória e a fibrose pulmonar. Havia indícios dessa relação a partir de autópsias feitas em pessoas que morreram em decorrência da covid-19, que revelaram a existência de microtrombos coágulos muito pequenos nos vasos mais finos que irrigavam o pulmão.  

Segundo os pesquisadores, havia dúvidas ainda se tais distúrbios de coagulação eram consequência do longo período de internação em unidade de terapia intensiva (UTI) ou eram resultado da resposta inflamatória causada pelo vírus. No entanto, o estudo revelou a formação dos microtrombos já no primeiro dia de internação, o que reforça que a trombose microvascular é uma característica da covid-19.  

No estudo, foram analisadas a imagem da microcirculação embaixo da língua de 13 pacientes no primeiro dia após a internação. A região sublingual foi escolhida porque é uma parte de mucosa possível de ser acessada de modo não invasivo. Os pesquisadores observaram evidências de trombose microvascular em 11 casos, ou seja, 85% dos pacientes.  

No artigo, publicado ainda em versão preprint (não revisado por pares), os estudiosos dizem que a relevância clínica da trombose microvascular na covid-19 exige mais pesquisas.  

O estudo teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). (Com Agência Brasil) 

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