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Secretária diz que morte de aluno é fruto de anos de negligência

A secretária da Educação de Ribeirão Preto, Luciana Rodrigues, prestou depoimento em CPI, nesta quinta (14); antes, ela buscou liminar na Justiça

| ACidadeON/Ribeirao

A Secretária da Educação Luciana Rodrigues, prestou depoimento em CPI da Câmara após solicitar habeas corpus (Foto: Allan. S.Ribeiro/Câmara Ribeirão)
 
Amparada por uma liminar de habeas corpus, a secretária de Educação de Ribeirão Preto, Luciana Rodrigues, prestou depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura a morte de um aluno dentro de uma escola da rede municipal, na tarde desta quinta-feira (14). A secretária afirmou que a morte do estudante Lucas Costa de Souza, em novembro de 2018, é resultado de anos de negligência com a educação.  

Apesar de ter conseguido o habeas corpus concedido pela 1ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, a secretária da Educação respondeu a maioria dos questionamentos dos vereadores. Luciana rebateu as afirmações da diretora do Cemei (Centro Municipal de Educação Infantil) Eduardo Romualdo de Souza, Telma Sant'Anna, onde morreu o aluno.   

Em depoimento realizado na semana passada, a diretora afirmou que caso não houvesse a falta de agentes de organização escolar, os chamados inspetores, a morte do estudante poderia ter sido evitada. Já nesta quinta, Luciana afirmou que o que poderia evitar a morte do aluno seria o fato dele estar em sala de aula, o que não ocorreu, por falta de professores.   

Segundo a secretária, no dia 30 de novembro de 2018, dia da morte de Lucas, a diretora havia permitido que professores tivessem aulas abonadas. "Uma vez que esse dia [30 de novembro] foram liberados professores com abonadas. E as abonadas é uma prerrogativa do diretor. Se não tivesse as abonadas, esse aluno estaria dentro da sala de aula, como os outros", declarou Luciana.  

 

Apesar do tom na resposta, a secretária da Educação minimizou as responsabilidades da direção da unidade de ensino e, também, da secretaria de Educação. Luciana disse que a área tem sofrido por ingerência ao longo dos anos. "A negligência de anos fez que tivéssemos uma fatalidade dessas. A gente nunca imaginou ver aquilo", completa.  

A chefe da pasta lembrou que investimentos em Infraestrutura nas escolas municipais de Ribeirão Preto eram baixos em anos anteriores -  cerca de R$ 600 mil, em 2015, e R$ 700 mil, em 2016, para todas as 109 escolas da rede. De acordo com ela, isso fez com que a secretaria criasse um questionário para avaliar a situação de cada unidade de ensino.  

Na avaliação, com notas de 0 a 25, as escolas com mais problemas estruturais teriam as maiores notas, com isso, seria formado um ranking, e as unidades que estivessem no topo, passariam a receber investimentos imediatos para sua manutenção. No entanto, a Cemei Eduardo Romualdo de Souza, onde foi identificado problemas nas instalações elétricas, tirou apenas nota 6 e, por isso, não estava entre as prioridades.  

"Entendo que as unidades escolares têm a responsabilidade de ter esse olhar, porque convivem ali diariamente", disse Luciana. "Se você vê o fio exposto, você vai e resolve o problema", completou. "Talvez, ela possa não ter observado tudo. Com certeza, nenhum gestor tem que a intenção de colocar seu aluno em risco".   



Sente culpa?
 
Durante o depoimento para a CPI, a secretária da Educação foi questionada se sentia culpada pela morte do estudante, e ela afirmou que não. "Eu me sinto responsável pela educação de Ribeirão Preto", afirmou Luciana. 

Sobre o pedido de habeas corpus para que ela pudesse ficar em silêncio, ela disse que seria para garantir o "direito de responder" as perguntas, mas negou que mentiu ou escondeu alguma informação no depoimento. "Em momento algum, se eu tivesse algo a esconder, eu não estaria aqui", completou.

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