ACidadeON Ribeirão Preto

Ribeirão Preto
mín. 20ºC máx. 36ºC

Economia

Brechó virtual é exemplo de economia criativa em Ribeirão Preto

Inaugurada há um mês, loja vende roupas a preço acessível e entrega em domicílio

| ACidadeON/Ribeirao

VITRINE VIRTUAL: Fotos das peças são publicadas nas redes sociais (foto: Rafael Cautella / Especial)
 

Quem pensa que brechó é coisa do passado, está muito enganado. A tecnologia já chegou até estas lojas - conhecidas por venderem roupas, calçados e acessórios usados - e está revolucionando a relação entre vendedor e cliente.  

Hoje você não precisa mais sair de casa para comprar uma calça ou um sapato. O objeto de desejo pode estar a poucos cliques de você, na internet. As redes sociais estão aí para comprovar, principalmente com o surgimento de lojas que atendem exclusivamente online.  

Foi pensando muito além das vendas, do lucro, que duas amigas de Ribeirão Preto decidiram montar o Barateando a Vida, um brechó virtual com um conceito bastante inovador: ensinar mulheres a gastar bem seu dinheiro.  

A loja virtual, inaugurada no início do mês no Facebook e Instagram, promete não apenas trabalhar com moda reutilizada, mas também passar lições de educação financeira para suas clientes.  

"Somos consumidoras de brechós há bastante tempo e percebemos a necessidade de abordar estes assuntos [moda reutilizada e finanças] para ajudar mulheres consumistas e ensinar que é possível se vestir bem gastando pouco. Mostrar que a Moda Reutilizada pode, sim, ser inserida em suas vidas", explica a estudante Bruna Teixeira, de 26 anos, uma das idealizadoras do projeto.  

As duas amigas passaram todo o mês de abril trabalhando no planejamento da loja, com muitas reuniões para definir cada detalhe.  

"No início achávamos que não faria tanto sucesso, mas depois do lançamento da página tivemos um retorno muito positivo. A pessoas começaram nos enviar mensagens e reservar peças, pediam para postar numerações maiores, até porque as primeiras peças eram todas dos nossos guarda-roupas", releva Crislayne Gurgel, de 23 anos, sócia do Barateando a Vida.  

Vitrine virtual e entrega em domicílio 

Como não existe espaço físico, as peças ofertadas no brechó virtual são fotografadas com um cenário padrão, incluindo a montagem de looks exclusivos que já aparecem com a indicação do tamanho das roupas e o preço de cada item. Quando ocorre a venda, a publicação é editada, acompanhada por um comentário da própria loja que confirma a venda.  

"O que me levou a comprar roupa pela internet foi a praticidade. Como as peças são postadas em redes sociais, é mais fácil ter acesso às novidades. Entrei em contato pelo WhatsApp, combinamos a entrega e me trouxeram as peças", diz Izabeli Pereira, de 27 anos, que trabalha como analista de comunicação.  

As entregas são feitas geralmente aos finais de semana. "Combinamos com cada cliente, pois existe a opção de realizarmos a entrega pessoalmente, a cliente pode retirar ou enviamos pelo correio. A maioria das entregas é feita aos sábados e até mesmo aos domingos. Com a internet, não existe barreira, podemos vender para todo o Brasil", comenta Bruna.   

Garimpo e economia criativa  

Mais do que ganhar dinheiro, as duas amigas estão dando uma verdadeira aula de economia criativa, na qual a sociedade é diretamente envolvida e gera reflexos positivos. "Hoje compramos em bazares que são realizados por toda cidade e damos prioridades para os lugares mais simples, aqueles que muitas vezes as pessoas não entram por acharem que é sujo ou até mesmo por não acreditar que existam coisas boas ali. Assim também ajudamos a Dona Maria que sustenta a sua família com as vendas das roupas que são feitas na sua garagem", enfatiza Cris. Antes de ser colocada à venda, cada peça é lavada e passada.  

Amigas se uniram e lançaram o brechó virtual Barateando a Vida (foto: Rafael Cautella / Especial)
 

Compras online  

Quem já comprou pela internet certamente já teve receio de ter o cartão de crédito clonado ou de estar navegando em site falso, suspeito. Um estudo feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que mais da metade dos consumidores brasileiros com acesso à internet (59 %) já realizou compras online.  

As amigas estão animadas com o crescimento das compras online no país. Bruna conta que "logo na primeira semana vendemos 70% do nosso estoque e estamos cada vez mais entusiasmadas, buscando melhorar a cada publicação. Sempre que entregamos as peças, perguntamos como podemos melhorar".  

No brechó virtual o pagamento pode ser feito por depósito, cartão de débito e de crédito (para compras acima de R$ 30) ou em dinheiro. "Já comprei em muitas lojas virtuais, fiz o pagamento e me enviaram em seguida os produtos. Nunca tive nenhum problema. Hoje em dia esse mercado tem ficado cada vez mais sério", opina Izabeli.  

"Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida das mulheres, ensinando que elas podem usar boas roupas e que não precisam se endividar para isso. Também acreditamos que salvaremos alguns casamentos, já que muitos casais brigam por conta do consumismo excessivo da mulher. Relacionamentos mudam quando se adere esse estilo de vida, mulheres gastando pouco e maridos mais felizes", finaliza Cris. 

Loja faz delivery de roupas

Mesmo marcas já consagradas no mercado de moda, que possuem lojas físicas, estão investindo cada vez mais no comércio online de roupas. As empresas já perceberam a forte influência das redes sociais no consumo das pessoas.

"Hoje nossas vendas online funcionam da seguinte maneira. Nós postamos fotos das peças no Facebook e no Instagram e depois fazemos a entrega em qualquer cidade do Brasil, mas quando é em Ribeirão Preto temos um motoboy que realiza o serviço. O pagamento por ser feito por depósito bancário ou online (Pag Seguro) e assim que for confirmado, fazemos a entrega", explica Suellen de Carvalho Kim, gerente de marketing da Jella Modas, que possui seis lojas na cidade.

Apesar dos 30 anos de existência, faz aproximadamente seis meses que a loja implantou este serviço de entregas em domicílio e há um mês a Jella lançou seu próprio site de comércio online.

"As vendas aumentaram com este investimento no online, mas seria injusto comparar com as vendas das outras seis lojas físicas. Estamos nos adequando aos novos tempos e não que isso seja uma necessidade, mas sim uma nova realidade", comenta a gerente.

Mais do que uma simples vitrine virtual, o atendimento online abriu novos canais de comunicação entre a empresa e o cliente. "Recebemos muitas perguntas pelo Facebook, Instagram, Whatsapp e temos que responder todo mundo, pois alguns retornos acabam se transformando em vendas", diz Suellen.

Alfred, o mordomo online

O engenheiro eletricista Myrko Micali desenvolveu um aplicativo que promete ser a solução para quem está sempre dizendo que não tem tempo para nada. O nome é bastante sugestivo: Alfred Delivery.

O objetivo da plataforma é oferecer uma espécie de mordomo virtual, onde o susuário poderá realizar suas compras sem sair de casa. "O tempo de entrega é o grande diferencial do Alfred Delivery. Alguns vendedores demoram no mínimo 4 horas para realizar a entrega. Outros, dependendo do horário da compra ou da forma de pagamento, podem levar até dois dias. O compromisso do Alfred é de entregas até uma hora após o pedido", garante Myrko.

Até o momento é possível realizar compras em uma rede de supermercados e outra de farmácias em Ribeirão Preto, porém há um projeto de expansão para novos estabelecimentos e outras cidades, como Campinas (SP) e Uberlândia (MG).

O download do aplicativo é gratuito. Depois de instalado, basta o usuário escolher o estabelecimento e realizar suas compras. A entrega é feita por um shopper - entregador já cadastrado na plataforma. Para distância de até 5 km é cobrado R$ 7,00 e, acima de 5 km, é acrescido o valor de R$ 1 por quilômetro.

O Alfred Delivery faz parte da Sevna Startups, que é um programa de aceleração de startups com sede no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto.  



Comentários

"O site não se responsabiliza pela opinião dos autores. Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do ACidade ON. Serão vetados os comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. ACidade ON poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios deste aviso."

Cadastrados

Nome (obrigatório)
Email (obrigatório)
Comentário (obrigatório)
0 comentários