Giro entrevista a dona do sex shop Lolita Boutique

Formada em Administração de Empresas, Natália Fernandes, 34, fala sobre o mercado e a quebra de tabus pelas mulheres

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    • Juliana Rangel
Murilo Corte / ME
A empresária Natália Fernandes (Foto: Murilo Corte / ME)

 

Natália Fernandes tem 34 anos, mas uma experiência incrível quando o assunto é empoderamento feminino. Ela é responsável por ajudar mulheres a despertarem ainda mais para a própria sensualidade. Formada em Administração de Empresas e natural de Ribeirão Preto, ela descobriu sua grande paixão em 2012, ao comprar o sex shop Lolita Boutique. Na loja, foi além de vender produtos: começou a desenvolver ações voltadas para o público feminino. Na entrevista a seguir, ela fala do mercado e de sua percepção sobre a evolução e quebra de tabus pelas mulheres.

Giro - Como você começou a trabalhar com ações e produtos que despertam a sensualidade da mulher e melhoram a relação sexual?
Natália Fernandes - Em 2012, me ofereceram a Lolita Boutique como negócio e cheguei a pensar com um certo medo, pois era algo muito diferente do que eu já havia  feito. Com incentivo da minha família e com uma bagagem profissional mais estruturada, aceitei o desafio e o encarei como superação. Superação para a minha vida profissional, que virou superação também na vida pessoal, pois precisei me reinventar. Assim descobri que em mim havia uma outra mulher, mais poderosa. Transformei o antigo sex shop numa boutique especializada em sedução, em meio a lingeries nacionais e importadas, cosméticos e sex toys. Temos até consultoria com atendimento exclusivo comigo agora, depois de cinco anos como Educadora Sexual.

Como surgiu a ideia dos cursos, lingeries e até chás de despedidas de solteiro?
Cuidar da loja em si não foi o problema. Entre reformas e mudanças, eu estava sempre buscando me especializar no assunto para lidar com mais propriedade nas conversas íntimas com as clientes. Os cursos eram o que mais me preocupava, pois neles tinha a imagem da Natália extremamente sensual, coisa que eu nem de longe concordava. Trabalhei isso, entre idas e vindas de viagens, nos cursos de especialização. Esse resgate me trouxe segurança e postura para lidar com as mulheres e lidar também com as minhas próprias inseguranças. Juntas, fomos descobrindo que o universo da sensualidade ainda sofria com muitos tabus. Sempre que eu voltava das viagens para meus treinamentos, já queria inserir os ensinamentos aqui na cidade.
 
Como você define o ‘empoderamento feminino’, de que se fala muito hoje em dia?
Conscientes, encorajadas e empoderadas, essas mulheres expressam o quanto podemos desconstruir rótulos e quebrar tabus, garantindo bem-estar, desenvolvimento pessoal e mais conhecimento para lidar com esses assuntos com naturalidade. Como exemplo, cito a chegada da trilogia “Cinquenta tons de cinza”, que mostrou o quanto uma mulher mergulha de cabeça, mesmo inexperiente, para descobrir os prazeres sexuais.

Você acha que o livro e o filme ‘Cinquenta Tons de Cinza’ contribuíram para uma mudança?
Sim. O filme contribuiu e muito para quebrar tabus em relação à sexualidade. Gerou uma legião de fãs, pois várias mulheres que jamais pensariam em comprar algum acessório, como chibata, máscaras e algemas, começaram a incluir em suas compras os acessórios. Assim impulsionaram as vendas do mercado sensual em todo o País.

A mulher passou a se valorizar mais?
A mulher passou a se valorizar mais quando ela começou a listar suas prioridades. E ser feliz está no topo da lista! Mulheres bem resolvidas na vida sexual exalam felicidade, pois conhecem seu corpo, suas vontades e se realizam. Muitas nem sempre estão mergulhadas em um relacionamento, provando que não é necessário um homem ao lado para sentirem-se felizes, mesmo que exista muitos desafios a serem enfrentados.

Qual o perfil da mulher que procura pelos cursos sensuais?
A mulher que mais procura os cursos da boutique são as casadas, com idade entre 25 e 55 anos, que querem sair da rotina e, na maioria das vezes, estão sem criatividade. A minoria são solteiras, que buscam informação e conhecimento para dar aquele upgrade no currículo sensual e arrasar na hora da conquista.

E a timidez?
Na hora dos cursos não existe timidez. Nem todos têm aula prática. Na maioria das vezes eu ministro e elas apenas assistem. Todas estão na mesma energia, alinhadas com o aprendizado e nos intervalos sempre trocam experiências e fazem amizades. Informação nunca é demais. Ainda pensam: “se ela faz, eu também faço”. Ou mais: “se ela pode, eu também posso”.

Qual o curso mais procurado?
Entre os oito cursos de sensualidade, os mais procurados são aqueles que mexem com o imaginário masculino: massagem sensual, striptease e delícias orais. 


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